Cirurgia de reversão de colostomia traz vida nova aos pacientes ostomizados

ademilsonVárias são as modificações no dia-a-dia do paciente ostomizado e diversas são as razões para que uma pessoa se torne um paciente ostomizado e passe a utilizar uma bolsa coletora.

Há dois anos a secretaria de Saúde de São Gonçalo realiza cirurgias eletivas de reconstrução do trânsito intestinal. O procedimento, que é realizado no Pronto Socorro de Alcântara, já atendeu dezenas de pessoas que sofriam do problema. Algumas colostomias são permanentes e outras temporárias. A reversão de colostomia pode ser realizada após parte doente do cólon estiver curado para que possa ser reconectado à parte saudável. Muitas pessoas passam anos utilizando esta bolsa e algumas chegam a se isolar, esquecendo o convívio social.

Vítimas de doenças do intestino, como câncer e diverticulite, entre outros problemas como perfurações por arma de fogo, precisam fazer essa intervenção cirúrgica no intestino, através de uma abertura na parte lateral da parede abdominal,colocando parte do intestino para fora do abdômen, para que as fezes do intestino sejam desviados para a bolsa que é colada na parte externa.

Morador do Jardim Catarina, o motorista Adenilson Amaral (foto acima), 48 anos, não para de sorrir. Após ter uma crise de diverticulite em 2013, foi operado e passou a ser colostomizado. Agora está em fase pré-operatória realizando exames para fazer a cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal, até agosto.

“Estou nessa condição mas não me abati, nada me abala. Deixo a vida me levar e continuei aproveitando a vida. Faço acompanhamento com nutricionista, psicóloga, fisioterapeuta, todos aqui, e estou feliz da vida por poder fazer essa cirurgia. Estou pelo INSS e não vejo a hora de voltar a trabalhar”, contou Adenilson.

Atuante como cirurgião geral da rede municipal hospitalar há mais de 20 anos, o médico Dúrcio Ballin dos Reis implementou as cirurgias eletivas em 2013 e toda semana realiza consultas no Núcleo de Ostomizados Municipal, unidade implantada pelo prefeito Neilton Mulim em setembro de 2013.

“O município de São Gonçalo nunca teve um plano de cirurgias programadas antes. Gosto de fazer uma medicina humanizada. O paciente com colostomia fica afastado do convívio social, a bolsa tem odor, o paciente acaba não querendo sair e se isola. Esse tipo de cirurgia requer um preparo grande. mas vale a pena pois faz com que sua vida volte ao normal. Infelizmente, nem todos podem fazer. Seja por outros problemas de saúde, idade ou outras condições relacionadas a colostomia e a doenças crônicas associadas”, explicou o cirurgião.

É o caso do aposentado Silvestre Gouveia (foto), 80. Morador do Gradim, ele teve câncer no reto e operou no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2012. Desde então, é um paciente colostomizado. Ao marcar uma consulta com o cirurgião, soube que não poderia realizar a cirurgia pela idade e pelas doenças pré-existentes, como hipertensão.

“Eu queria realizar a cirurgia pois não saio mais de casa, mas confio no doutor e se ele diz que o melhor a fazer é não realizar a cirurgia eu confio. Não quero morrer agora, não. Quero aproveitar o resto de vida com minha esposa, com quem tenho 52 anos de casado”, revelou após dizer que vai aceitar viajar para o nordeste com a família.

O paciente que queira realizar a cirurgia precisa passar por uma etapa pré-operatória onde realiza acompanhamento com a equipe multiprofissional, exames e orientações sobre a cirurgia. No pós-operatório também é acompanhado durante três meses, para fazer o desligamento gradativo do paciente com as atividades da clínica.

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