Paralisia associada ao vírus zika tem forte aumento no Rio

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HUAP_PanoramicaSe não bastasse o número de casos de zika, que não param de crescer, uma síndrome associada ao vírus explode no Estado do Rio de Janeiro e preocupa especialistas. Em matéria de Ana Lúcia Azevedo, publicada nesta sexta-feira (5), no jornal O Globo, revela que dois adultos lutam pela vida no Hospital Universitário Antonio Pedro, em Niterói, após desenvolver uma forma severa da síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica que tem sido associada à infecção pelo vírus zika.

Atualmente o hospital possui outras quatro pessoas internadas com a síndrome. Em janeiro, o hospital atendeu outros dez casos, de pacientes menos graves e que já receberam alta. Vale lembrar que antes do zika, o hospital não recebia mais que cinco casos da síndrome por ano. Um dos motivos de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter decretado a emergência internacional, foi a correlação entre o zika e distúrbios neurológicos, como a síndrome de Guillain-Barré.

Apesar de sofrer com a falta de recursos e estar passado por um imbróglio sobre o futuro da sua administração, funciona no Hospital Universitário Antonio Pedro um laboratório de referência para doenças do sistema nervoso periférico na América Latina, como a síndrome de Guillain-Barré.

À frente do atendimento e das pesquisas sobre a relação entre zika e Guillain-Barré está o professor titular e coordenador de pesquisa e pós-graduação em Neurologia da UFF, Osvaldo Nascimento. Em constante contato com médicos que atendem vítimas de Guillain-Barré em Pernambuco e Rio Grande do Norte, o médico está alarmado.

“Temos visto que os casos associados ao zika parecem ser mais severos, com lesão dos axônios (prolongamentos dos neurônios que conduzem impulsos nervosos), do que os casos clássicos de Guillain-Barré. Além disso, o número de doentes que chegam a nós aumentou muito. Só em janeiro foram seis casos graves e outros dez com sintomas menos severos, que não necessitaram de internação”, afirma Nascimento, que preside o segmento da Academia Brasileira de Neurologia no Rio.

Nascimento está entre os quase 400 pesquisadores que se uniram, na quinta-feira, à rede de pesquisa de zika, dengue e chicungunha criada pela Faperj para estimular e acelerar a luta contra a epidemia causada pelo Aedes aegypti.

Sem a imunização para a população e recursos para receber esses pacientes, especialistas correm contra o tempo para tentar deter o avanço do zika pelo país.

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