Pesquisadores da UFMG desenvolvem forma de reduzir população do Aedes aegypti

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Uma armadilha para capturar mosquitos Aedes aegypti. Com menos mosquitos adultos, menos transmissão das doenças transmitidas por eles. Essa é a expectativa do projeto da Universidade Federal de Minas Gerais e da Universidade James Cook, da Austrália, que será financiado pela chamada pública do Governo Federal para apoiar projetos de pesquisa no combate ao vírus zika e no enfrentamento do mosquito.

O projeto envolve 3 passos: o primeiro identifica as áreas com alta infestações do mosquito; o segundo controla o mosquito por meio de armadilhas específicas; e o terceiro avalia o custo dessa ferramenta dentro de um programa de controle da dengue.
“Já tem uma nota técnica dizendo que as armadilhas são melhores indicadores da presença do Aedes aegypti. A armadilha adesiva MosquiTRAP já vem sendo utilizada no Brasil há 10 anos em mais de 80 cidades brasileiras e em outros países como Cingapura, no Havaí e na Flórida dos Estados Unidos, Colômbia e Austrália. Agora tem outros países que estão interessados, inclusive, no Sudeste dos Estados Unidos”, explica o coordenador da pesquisa Álvaro Eiras.

Como vai funcionar

O primeiro passo é fazer o Monitoramento Inteligente do Aedes (MI Aedes) para a infestação na região. “É muito barato e eficiente o que faz essa metodologia do M.I Aedes. Ela simplesmente tira uma fotografia da cidade para dizer os locais que os mosquitos estão em altas infestações e se estão infectados por vírus ou não”, explica o pesquisador. A tecnologia já está em prática em outros países.

Serão distribuídas as armadilhas chamadas de Gravid Aedes Trap (GAT) a cada 200 metros, em todo município. Esta armadilha foi desenvolvida em 2012, pelo coordenador da pesquisa, Álvaro Eiras, e é comercializada na Ásia e pretende-se produzir no Brasil, mas é necessário a participação de investidores. A armadilha é 3 vezes mais eficiente do que a armadilha MosquiTRAP e funciona como um criadouro, atrai somente a fêmea de Aedes aegypti que vai colocar ovos. Quando as fêmeas entram na armadilha ficam retidas e morrem. Toda semana elas são vistoriadas por agentes de campo, que registram as informações no celular, como, por exemplo, a quantidade de mosquitos em cada armadilha georreferenciada por GPS.

Esses dados são enviados automaticamente para um banco de dados online. Os gestores de saúde, secretários municipais de saúde ou população, podem ter acesso a essas informações que ficam na internet, tanto naquela semana da vistoria como todo histórico. A informação qualificada pode gerar uma resposta mais efetiva de controle do Aedes aegypti. Porto Alegre usa a tecnologia há 5 anos.

As armadilhas parecem com um criadouro e contêm um composto sintético que atrai as fêmeas grávidas de Aedes aegypti. Uma vez dentro do recipiente, elas não conseguem sair e morrem. Nesse processo é possível identificar a espécie do mosquito capturado e consequentemente já impede a reprodução do inseto.

Todo mosquito que for apreendido no monitoramento irá para laboratório para realização de teste de biologia molecular para saber se o mosquito está infectado com algum vírus. “Nessas áreas que têm mosquito infectado há a probabilidade de ocorrer uma transmissão, uma epidemia. Então, essa metodologia acelera o controle do Aedes e previne doenças”, justifica Álvaro Eiras.

“A primeira tecnologia mostra onde tem áreas infectadas com o mosquito. No segundo passo, vamos controlar os mosquitos das áreas infestadas com as novas armadilhas GAT, reduzindo a quantidade deles a níveis que não ocorra a transmissão de doenças”, detalha o pesquisador. Segundo ele, atualmente é impossível erradicar o mosquito. A principal contribuição do projeto é reduzir a população do Aedes aegypti e essa redução será a principal forma de impedir a transmissão das doenças como zika, dengue e chikungunya

O pesquisador afirma que em recente uso de áreas inundadas por armadilhas foi possível reduzir significativamente, em 2 semanas, a população de mosquitos em uma área.

Na terceira etapa, vão ser analizados os aspectos econômicos e sociais destas novas tecnologias e comparar com os métodos convencionais de prevenção e controle do Aedes aegypti. O trabalho final será entregue em 48 meses.

Participam desse grupo de pesquisa pesquisadores das seguintes instituições: James Cook University (Austrália), Biocomplexity Institute of Virginia Tech (EUA), CDC-Porto Rico, UFMG, UFPA, USP, CEFET-MG e Ecovec.

Investimento

O Governo Federal selecionou 69 estudos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do vírus Zika e doenças correlacionadas, em chamada pública conjunta, no valor de R$ 65 milhões, lançada no primeiro semestre deste ano com recursos do Ministério da Saúde, CNPq/MCTIC e Capes/MEC. O objetivo do Governo Federal é potencializar a produção de conhecimento científico e tecnológico para o enfrentamento da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) declarada em função da alteração do padrão de ocorrência de microcefalia no Brasil, decorrente da infecção pelo vírus zika.

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