Exonerações em massa no RJ já passam de 1,5 mil sob gestão interina de Ricardo Couto

A gestão interina do governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, já é marcada por uma ampla e acelerada onda de exonerações na estrutura do Estado.

A gestão interina do governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, já é marcada por uma ampla e acelerada onda de exonerações na estrutura do Estado. Em pouco mais de um mês à frente do Palácio Guanabara, o número de desligamentos ultrapassou 1,5 mil servidores, segundo levantamento com base em publicações do Diário Oficial e reportagens da imprensa.

Trata-se de um dos maiores movimentos de enxugamento administrativo já registrados recentemente no estado, com impacto direto na composição política e na máquina pública.

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Os primeiros cortes

As primeiras exonerações começaram logo nos primeiros dias de governo, ainda em março de 2026, com foco em cargos comissionados, que não possuem vínculo efetivo.

Em uma edição extraordinária do Diário Oficial, mais de 150 servidores foram exonerados da Secretaria de Governo, enquanto outros 156 foram desligados da Casa Civil. Na sequência, novas listas ampliaram o alcance das medidas, com cerca de 90 exonerações adicionais distribuídas entre a Secretaria de Governo, Casa Civil e Gabinete. Com isso, ainda na primeira quinzena de abril, o número de desligamentos já ultrapassava a marca de 600.

O ritmo não diminuiu nas semanas seguintes. Em um dos maiores pacotes publicados, 459 servidores foram exonerados de uma só vez, atingindo áreas centrais da administração estadual. Outras rodadas incluíram cerca de 130 exonerações na área ambiental e mais de 150 cargos cortados em novas edições extraordinárias do Diário Oficial.

Mesmo listas menores, com cerca de 30 nomes, continuaram sendo publicadas, indicando que o processo de revisão administrativa seguiu ativo e contínuo. Ao final do primeiro mês de gestão interina, o total já havia superado 660 exonerações.

O plano é cortar cerca de 2 mil cargos

Com a manutenção dessa política de cortes, o número cresceu rapidamente nas semanas seguintes, chegando a 1.568 exonerações em pouco mais de um mês. A tendência, segundo informações internas do governo, é que esse total se aproxime do limite planejado, que gira em torno de 1,6 mil cargos. A meta faz parte de um plano mais amplo de reestruturação da máquina pública, que prevê redução significativa da estrutura administrativa em áreas consideradas inchadas.

A justificativa oficial do governo para as exonerações está baseada principalmente na necessidade de reduzir gastos públicos e reorganizar a administração estadual.

Estimativas indicam uma economia de cerca de R$ 10 milhões por mês com os cortes. Além disso, há um discurso de combate a irregularidades, incluindo a identificação de servidores sem função clara ou sem atuação comprovada, os chamados “funcionários fantasmas”.

Levantamentos internos também apontaram inconsistências como ausência de acesso a sistemas oficiais e falta de registros funcionais adequados.

Do ponto de vista político, as exonerações também têm peso significativo. Grande parte dos desligamentos atinge indicações da gestão anterior, o que contribui para uma reformulação do núcleo de poder no governo estadual. As mudanças alcançam desde cargos técnicos até posições estratégicas, incluindo o primeiro escalão, indicando não apenas um ajuste administrativo, mas também uma reorganização política em meio ao cenário que levou à troca no comando do estado.

Com mais de 1,5 mil exonerações já realizadas e novas revisões ainda em andamento, a gestão interina de Ricardo Couto avança em um processo de reestruturação profunda da administração pública fluminense. O volume e a velocidade das demissões indicam que não se trata de medidas pontuais, mas de uma intervenção ampla na estrutura do Estado, cujos efeitos financeiros, administrativos e políticos devem continuar repercutindo nos próximos meses.

Mais limpeza nessa sexta (8)

Ricardo Couto intensificou o processo de exonerações ao atingir diretamente órgãos estratégicos da administração estadual em publicação no Diário Oficial desta sexta-feira (8), com destaque para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), onde houve uma mudança ampla, incluindo a substituição da presidência e a renovação completa da diretoria.

As medidas fazem parte de uma reestruturação mais profunda do governo, com alterações também no segundo escalão de secretarias e em áreas sensíveis como Fazenda, Desenvolvimento Social e Proderj, indicando uma reorganização administrativa que vai além de cortes pontuais e atinge o núcleo técnico da gestão pública.

Além do Inea, o movimento também alcançou o Rioprevidência e o Detran, reforçando o avanço do chamado “pente-fino” em setores considerados estratégicos e historicamente influenciados por indicações políticas.

As exonerações vêm acompanhadas de substituições e nomeações alinhadas ao novo comando do governo, sugerindo não apenas redução de custos, mas também uma recomposição de poder e controle sobre áreas-chave do Estado, dentro de um processo contínuo de revisão administrativa que já soma milhares de desligamentos desde o início da gestão interina.

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