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Operador do CV suspeito de mover R$ 50 mi é preso no Galeão

Polícia Civil prende no Galeão "Ximba", apontado como operador financeiro do CV que teria movimentado R$ 50 milhões em um ano. Entenda o caso.

Gabriel Maurício Soares Paes, o “Ximba”, voltava de viagem pela Europa; investigação nasceu de dados apreendidos na Operação Contenção, de outubro de 2025

Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro prenderam em flagrante, na madrugada desta sexta-feira (9), no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, Gabriel Maurício Soares Paes, conhecido como “Ximba”. Segundo os investigadores, ele é um dos principais operadores financeiros do Comando Vermelho (CV) e teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano. Ele desembarcava de uma viagem de luxo pela Europa.

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A prisão foi feita por policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Ximba foi autuado por participação em organização criminosa. De acordo com a corporação, o trabalho de inteligência incluiu o monitoramento das rotas de viagem do suspeito, o que permitiu a abordagem assim que ele chegou ao país.

Como funcionava o esquema, segundo a polícia

Pelas informações divulgadas pela Polícia Civil e publicadas por veículos como SBT News, Metrópoles e O São Gonçalo, Ximba seria responsável por receber, fracionar, transferir e ocultar recursos ligados à facção, incluindo dinheiro do tráfico de drogas. O mecanismo apontado pelos investigadores consistia em converter grandes quantias em espécie em transferências bancárias e operações via Pix, usando contas de terceiros — os chamados “laranjas” — e empresas de fachada registradas em diferentes estados.

O suspeito também é apontado como chefe de uma espécie de central de golpes financeiros ligada ao CV, que obteria e faria circular dinheiro proveniente de fraudes. A polícia afirma que a estrutura funcionava sob comando de lideranças da facção, entre elas Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como uma das principais lideranças do CV e responsável pelo tráfico no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio.

Em nota citada pela imprensa, a Polícia Civil afirmou que o caso revela mais uma forma de “exploração econômica da dominação territorial” pela facção, em que o controle armado de comunidades serve de base para montar estruturas financeiras.

Origem: celular apreendido na Operação Contenção

A investigação avançou a partir da análise de dados telemáticos de Nikolas Fernandes Soares, o “Hurley”, preso durante a Operação Contenção, em 28 de outubro de 2025. Hurley é apontado como gerente do tráfico e operador financeiro de Doca no Complexo da Penha.

Segundo os investigadores, mensagens trocadas entre os dois mostram transferências, saques, uso de contas de terceiros e grande circulação de dinheiro vivo. Em um dos diálogos, Hurley teria informado ter R$ 700 mil em espécie, e Ximba teria providenciado uma conta para movimentar o valor. Outra mensagem faz referência a uma transação de R$ 2 milhões. Os policiais também localizaram comprovantes de transferências entre empresas que somam R$ 268.150,01.

A Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão com cerca de 2.500 agentes, é considerada a ação policial mais letal da história do país, com mais de 120 mortos, segundo a polícia, e 132, de acordo com a Defensoria Pública. Doca, principal alvo, conseguiu escapar do cerco na ocasião.

Companheira é investigada

Relatórios de inteligência financeira indicam, segundo a polícia, que contas ligadas à companheira de Ximba — uma influenciadora digital que publicava fotos da viagem em cidades como Roma e Paris — podem ter sido usadas para receber e movimentar recursos, inclusive valores vindos de empresas de fachada sediadas em Rondônia. Ela não foi presa. Os próprios relatos da investigação ressaltam que indícios financeiros, isoladamente, não comprovam participação em crimes.

Foco no dinheiro do crime

A prisão se insere em uma estratégia que as forças de segurança vêm reforçando: atacar a estrutura financeira das facções, e não apenas os responsáveis diretos pela venda de drogas. Especialistas em segurança pública costumam apontar que operações armadas em comunidades têm efeito limitado se o fluxo de dinheiro que financia armas e domínio territorial não for interrompido.

Na mesma semana, a Polícia Federal e o Ministério Público do Rio deflagraram a Operação Magen, que prendeu policiais e ex-policiais suspeitos de vender armas ao Terceiro Comando Puro, grupo que movimentou, segundo os investigadores, cerca de R$ 100 milhões.

O outro lado

Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da defesa de Gabriel Maurício Soares Paes nem de sua companheira nos veículos consultados. O espaço segue aberto. Ximba deve passar por audiência de custódia, na qual a Justiça decidirá se mantém a prisão.

Próximos passos

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da rede e aprofundar o mapeamento da estrutura financeira do Comando Vermelho. A expectativa é que a análise de contas, empresas e pessoas ligadas ao suspeito leve a novas fases da apuração.

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