UFF leva à PF ameaças de incêndio após atos de estudantes em Niterói
UFF aciona PF após mensagens com ameaças de incêndio e agressão a estudantes depois de atos pró-Lula em Niterói. MPF também foi acionado. Entenda.
A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, levou à Polícia Federal mensagens que circularam em grupos de aplicativo com ameaças de agressão a estudantes e de incêndio contra a instituição. As postagens surgiram depois dos atos estudantis em apoio à reeleição do presidente Lula (PT), realizados no início da semana. O caso também foi levado à Polícia Civil, à Polícia Militar, à Prefeitura de Niterói e, por iniciativa de parlamentares, ao Ministério Público Federal (MPF). A universidade reforçou a vigilância nos campi às vésperas de uma nova caminhada estudantil marcada para este domingo (11), em Icaraí.
O que dizem as mensagens
Segundo a própria universidade e reportagens do Diário do Rio e do portal Terra, os conteúdos foram compartilhados em grupos de aplicativos de mensagens e redes sociais. Entre os trechos divulgados está a frase “Vamos tacar fogo na UFF” e uma lista intitulada “incendiar UFF de madrugada”, com convite para que outras pessoas aderissem. As conversas também mencionam o uso de soco-inglês e canivetes, o lançamento de ovos e de tinta verde e amarela contra estudantes e a convocação de um protesto em frente à universidade.
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Parte das mensagens foi apresentada pelos próprios participantes dos grupos como “brincadeira”, de acordo com os relatos publicados. Os autores não foram identificados publicamente até a tarde deste sábado (10).
As providências da universidade
De acordo com o reitor em exercício da UFF, Fábio Passos, integrantes da comunidade acadêmica começaram a relatar as ameaças pela internet logo após as manifestações. “Várias pessoas da comunidade têm nos avisado desde ontem”, afirmou, segundo o Diário do Rio. A administração encaminhou o material, incluindo capturas de tela, aos órgãos de segurança e pediu à Prefeitura de Niterói reforço no entorno dos campi.
Internamente, a Superintendência de Operações e Manutenção (SOMA) foi mobilizada para ampliar a segurança em todas as unidades da UFF, que tem campi em diversos municípios fluminenses. O Instituto de Letras chegou a suspender atividades. Em nota, a universidade afirmou que acompanha o caso com os órgãos responsáveis e reiterou o compromisso com a segurança da comunidade e a proteção do patrimônio público. O reitor em exercício classificou os atos estudantis como pacíficos e amparados pelo direito constitucional à livre manifestação.
Procurada pelo Terra, a Polícia Federal informou que não se manifesta sobre investigações em andamento. Não houve, até o momento, manifestação pública da Polícia Civil, da PM ou da Prefeitura de Niterói sobre as medidas adotadas.
Parlamentares acionam MPF e citam a UENF
Na quinta-feira (8), a vereadora Maíra do MST e a deputada estadual Marina do MST enviaram ofícios às polícias Civil e Federal e ao MPF pedindo a abertura de investigação, a identificação dos autores, providências junto à Meta, dona do WhatsApp, e reforço do policiamento perto das universidades. Segundo as parlamentares, as conversas também citavam a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), em Campos dos Goytacazes.
De acordo com a denúncia, os prints vêm de grupos formados por apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). “Essas denúncias são gravíssimas e precisam ser investigadas com urgência”, disse Maíra do MST, conforme o portal Brasil em Folhas. A reportagem que divulgou os ofícios ressalta que as conversas não foram verificadas de forma independente e que não é possível afirmar a quem se refere o nome “Flávio” citado em uma das mensagens. Não há registro de manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro sobre o caso, e não há indicação de que o candidato tenha relação com as postagens.
Contexto: atos começaram em Niterói
As mobilizações tiveram início na segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno, quando centenas de estudantes da UFF saíram às ruas de Niterói, sob chuva, em defesa da reeleição de Lula, que enfrenta Flávio Bolsonaro no segundo turno, em 25 de outubro. No dia seguinte, houve novo ato no Centro da cidade, e na quarta-feira (7) a manifestação chegou ao Rio, com caminhada da Candelária à Cinelândia.
Além da pauta eleitoral, os estudantes defendem mais investimento em educação pública e em universidades federais, a manutenção do programa Pé-de-Meia e o fim da escala 6×1. A União Nacional dos Estudantes (UNE) lançou campanha nacional, e atos semelhantes ocorreram em Salvador, Porto Alegre e Goiânia. Em Niterói, nova caminhada está prevista para este domingo (11), com concentração às 9h na Reitoria da UFF, em direção à Praia de Icaraí. No feriado de segunda-feira (12), há ato marcado no Posto 5, em Copacabana, ao meio-dia.
Impacto e próximos passos
O episódio ocorre num segundo turno marcado pela polarização e acende alerta para a segurança em espaços públicos e instituições de ensino na Região Metropolitana. A UFF reúne dezenas de milhares de alunos, servidores e professores, e a circulação de ameaças, mesmo que tratadas como brincadeira por quem as publicou, pode configurar crime e afetar a rotina acadêmica.
Ameaçar alguém de causar mal grave é crime previsto no Código Penal, e a apuração caberá às autoridades policiais e ao Ministério Público. A expectativa da universidade e das parlamentares é que os responsáveis pelas mensagens sejam identificados e que haja policiamento reforçado durante os atos previstos para os próximos dias. O Correio da Cidade Online seguirá acompanhando o caso e está aberto à manifestação dos citados.
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