MENU
cropped-use-marreiro.gif
Geral

Ataque a tiros em festa de 15 anos mata homem em Manguinhos

Homem de 46 anos morre e três ficam feridos após tiros em festa de 15 anos em Manguinhos, Zona Norte do Rio. DHC investiga o crime.

Um ataque a tiros contra convidados de uma festa de 15 anos deixou um homem morto e três pessoas feridas na noite de domingo (11), na localidade conhecida como Amorim, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Bruno Marques, de 46 anos, chegou a ser levado ao Hospital Federal de Bonsucesso, mas não resistiu. O caso está com a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que tenta identificar os autores e esclarecer a motivação do crime.

Como foi o ataque

De acordo com relatos de testemunhas reproduzidos por veículos como Metrópoles, O São Gonçalo e A Tribuna, dois homens chegaram ao local da comemoração em uma motocicleta. O condutor chamou um conhecido que estava na festa para conversar. Pouco mais de três minutos depois, o garupa sacou uma arma e passou a atirar em direção às pessoas que participavam da celebração.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE:

Os disparos atingiram quatro pessoas. Todas foram socorridas e levadas para o Hospital Federal de Bonsucesso, unidade de referência para emergências na região. Bruno Marques morreu em decorrência dos ferimentos. Os outros três feridos, cujos nomes, idades e estados de saúde não foram divulgados até a publicação desta reportagem, permaneciam internados.

Até o momento, não há informação oficial sobre quem seria o alvo dos atiradores, nem se Bruno era o destinatário dos disparos ou foi atingido ao acaso. Também não foram divulgadas prisões ou suspeitos identificados.

O que dizem as polícias

Segundo a Polícia Militar, agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos foram enviados à localidade de Amorim depois de serem informados sobre os disparos. A corporação afirmou que não havia operação policial na área no momento em que as vítimas foram baleadas — informação relevante em uma região onde confrontos durante ações policiais são frequentemente apontados como causa de vítimas.

A ocorrência foi registrada inicialmente na 21ª DP (Bonsucesso) e depois transferida para a Delegacia de Homicídios da Capital. A Polícia Civil não havia divulgado, até a última atualização, detalhes sobre linhas de investigação. A praxe nesse tipo de caso inclui perícia no local, coleta de depoimentos de convidados e busca por imagens de câmeras de segurança da vizinhança que possam ajudar a identificar a moto e os ocupantes.

Manguinhos e a violência armada na Zona Norte

Manguinhos é um conjunto de comunidades vizinhas à Avenida Brasil e à Fiocruz, na Zona Norte, e foi uma das áreas incluídas no programa de UPPs no início da década passada. Apesar da presença de uma base fixa da PM, a região segue registrando episódios de tiroteios, em um cenário de disputa territorial entre grupos armados que se repete em vários bairros da capital.

Dados do Instituto Fogo Cruzado ajudam a dimensionar o problema. Em julho de 2026, a Região Metropolitana do Rio registrou 196 tiroteios, com 143 pessoas baleadas — 67 mortas e 76 feridas. No mesmo mês, foram contabilizados 34 tiroteios motivados por disputas entre grupos armados, o maior número do ano até então e mais que o dobro de junho, que teve 16. Os dados não detalham ocorrências em Manguinhos, mas apontam para um ambiente de tensão crescente em bairros da Zona Norte, como Cordovil, Brás de Pina e Vigário Geral.

Impacto para os moradores

Ataques em festas, bares e espaços de convivência atingem diretamente quem não tem relação com eventuais conflitos. No mesmo fim de semana, seis pessoas foram baleadas em um bar em Saquarema, na Região dos Lagos, e uma delas morreu, segundo o jornal A Tribuna. Para moradores de comunidades, episódios como o de Manguinhos reforçam a sensação de insegurança em momentos de lazer e em datas comemorativas, como o feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida e o Dia das Crianças.

A Polícia Militar havia anunciado reforço do policiamento para o feriado desta segunda-feira (12), segundo a Agência Brasil. Especialistas em segurança pública costumam ressaltar, no entanto, que o policiamento ostensivo em pontos turísticos tem efeito limitado sobre crimes cometidos dentro de comunidades, que dependem mais de investigação e inteligência.

Debate sobre segurança no novo governo

O crime ocorre em meio à transição política no estado. O governador eleito, Douglas Ruas, anunciou entre as prioridades para os primeiros 100 dias de gestão o reforço de 15 mil policiais militares, de acordo com o Diário do Rio. A proposta ainda não detalha fontes de financiamento nem cronograma de formação dos novos agentes. Pesquisadores e organizações da sociedade civil, por outro lado, defendem que o aumento de efetivo seja acompanhado de investimento em investigação: a taxa de esclarecimento de homicídios no Rio é historicamente baixa, o que alimenta a sensação de impunidade.

Próximos passos

A DHC deve ouvir testemunhas e familiares nos próximos dias. Informações que ajudem a identificar os autores podem ser repassadas de forma anônima ao Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177. O Correio da Cidade Online acompanha o caso e atualizará esta reportagem com o estado de saúde dos feridos e eventuais avanços na investigação.

Leia também

Deixe um comentário