Rio encerra vacina contra meningite com 410 mil doses, sem prorrogar
Rio aplicou mais de 410 mil doses da vacina ACWY em 25 dias, teve filas e estoques esgotados no último dia e não vai prorrogar para adultos. Veja o que muda.
A campanha de vacinação ampliada contra a meningite na cidade do Rio de Janeiro terminou no sábado (31) com mais de 410 mil doses da vacina meningocócica ACWY aplicadas em 25 dias, segundo balanço da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A procura cresceu nos últimos dias, formou filas e, em alguns postos, esgotou o estoque antes do fim do expediente. A prefeitura informou que não haverá prorrogação para o público adulto.
O volume representa, de acordo com a SMS, um crescimento de cerca de 1.700% em relação à média mensal habitual de vacinação com esse imunizante na capital. A ação começou em 7 de outubro, voltada a jovens de até 24 anos e a profissionais de saúde, e foi estendida em 19 de outubro a todos os adultos de até 59 anos, por recomendação do Ministério da Saúde, para aproveitar lotes disponíveis.
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O pico de procura veio na reta final. A partir de 26 de outubro, foram cerca de 170 mil aplicações em uma única semana, e na quinta-feira (29) mais de 62 mil pessoas foram vacinadas nas unidades municipais, o dobro da média do início daquela semana. Há divergência entre os números divulgados: um veículo registra "mais de 410 mil doses" e outro, "cerca de 450 mil pessoas", sem que as publicações expliquem a diferença.
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Último dia teve filas e doses esgotadas
No sábado de encerramento, a vacinação ocorreu em 81 clínicas da família e centros municipais de saúde, além das três unidades do Super Centro Carioca de Vacinação, em Botafogo, Del Castilho e Campo Grande. Para o último dia, as unidades receberam 40 mil doses, quantidade que, segundo a SMS, não foi suficiente para atender a todos os interessados. Em parte dos postos, o estoque acabou antes do fim dos turnos.
A prefeitura afirmou que não haverá prorrogação da campanha para adultos. Também disse que poderá fazer novas ações excepcionais caso o Ministério da Saúde disponibilize mais doses, o que depende de decisão e de envio do governo federal. Até o momento, os relatos publicados sobre o encerramento não registram críticas formais de autoridades ou de especialistas à condução da campanha; o que consta são as filas e a falta de doses.
Por que a vacinação foi reforçada
O resgate vacinal foi direcionado ao Rio, a Belford Roxo, a Duque de Caxias e a Nova Iguaçu, municípios priorizados pelo risco de transmissão da doença meningocócica. O Ministério da Saúde enviou 400 mil doses para a ação. Segundo reportagem da Agência Brasil, nessas cidades há concentração de pessoas que não se vacinaram na idade recomendada.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) citados pela Agência Brasil mostram que o estado do Rio registrou 70 casos de meningite meningocócica em 2024, 95 em 2025 e 49 até setembro de 2026. A reportagem aponta aumento de casos desde 2024. As publicações consultadas não trazem o número de óbitos em 2026.
A vacina ACWY entrou no calendário nacional em 2020 para adolescentes de 11 e 12 anos, faixa depois ampliada até os 14. Parte desse grupo deixou de ser imunizada durante a pandemia de Covid-19. Desde julho de 2025, ela também é aplicada como reforço aos 12 meses de idade, no lugar da meningocócica C. O imunizante é de dose única a partir de 11 anos, e quem já tomou a ACWY não precisa repetir.
Na divulgação da campanha, a subsecretária de Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária à Saúde da SES-RJ, Silvia Carvalho, afirmou: "É hora de reforçar a imunização dos nossos jovens e garantir a segurança de todos contra a meningite."
O que muda a partir de novembro
Com o fim da ação, a ACWY volta à rotina do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. Desde novembro, a vacina é oferecida a crianças de 1 a 4 anos e a adolescentes de 11 a 14 anos nas unidades de saúde, conforme o calendário de rotina. Adultos que não foram vacinados durante a campanha ficam, por ora, fora do público-alvo, até que haja novo anúncio.
Para a população, o principal efeito prático é o fim da janela excepcional. Quem tem filhos nas faixas de rotina deve verificar a caderneta de vacinação. Os sintomas de alerta listados pelas autoridades incluem febre, dor de cabeça, vômitos, rigidez na nuca, sensibilidade à luz e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele; em bebês, irritação e abaulamento da moleira. Diante deles, a orientação é procurar atendimento médico, e a decisão sobre qualquer tratamento cabe a profissionais de saúde.
Cenário pela frente
A resposta da população, com mais de 410 mil vacinados em pouco mais de três semanas, mostra a demanda reprimida por imunização, mas a falta de doses no último dia expõe o limite da oferta. A continuidade de ações para adultos dependerá do abastecimento federal, e o acompanhamento dos casos nos próximos meses indicará o efeito do resgate vacinal sobre a incidência da doença no estado.



