Governo Lula eleva imposto de importação e acende alerta no comércio e na indústria
Brasil subiu imposto de importação de mais de mil produtos, incluindo smartphones.

O governo federal iniciou neste mês a recomposição do Imposto de Importação sobre mais de mil produtos industrializados. A medida, formalizada por meio da Câmara de Comércio Exterior (Camex), atinge principalmente bens de tecnologia, máquinas e equipamentos que vinham com alíquotas reduzidas nos últimos anos.
Segundo a área econômica, o objetivo é fortalecer a indústria nacional, estimular a produção interna e reduzir a dependência de produtos estrangeiros. Para o consumidor e para empresas que dependem de insumos importados, no entanto, o cenário é de atenção redobrada.
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Quais produtos estão na lista
A recomposição tarifária alcança 1.252 itens. Entre os principais setores afetados estão:
- Tecnologia e informática: notebooks, computadores, placas e componentes
- Telecomunicações: smartphones, roteadores e equipamentos de rede
- Equipamentos médicos: aparelhos de diagnóstico e instrumentos hospitalares
- Máquinas industriais: robótica, máquinas-ferramenta e equipamentos de automação
- Máquinas agrícolas: tratores, colheitadeiras e implementos
- Peças e bens de capital: turbinas, geradores e componentes industriais
As novas alíquotas variam conforme o produto e podem chegar a até 25% em alguns casos.
Estimativa de impacto por setor
| Setor | Impacto estimado no preço final | Forma de impacto |
|---|---|---|
| Tecnologia | 5% a 12% | Repasse direto ao consumidor |
| Equipamentos médicos | 4% a 10% | Reajuste gradual em serviços |
| Máquinas industriais | 3% a 8% | Custo maior para empresas |
| Equipamentos agrícolas | 2% a 6% | Reflexo indireto nos alimentos |
| Componentes industriais | 3% a 9% | Pressão sobre cadeias produtivas |
Especialistas apontam que o setor de tecnologia deve sentir primeiro. Mesmo produtos montados no Brasil dependem de peças importadas, o que pode pressionar preços de celulares e computadores já nos próximos meses.

Argumentos do governo
A equipe econômica sustenta que a medida corrige distorções criadas por reduções temporárias de imposto adotadas em anos anteriores. Entre os argumentos favoráveis estão:
- Estímulo à produção nacional
- Geração de empregos industriais
- Maior arrecadação tributária
- Redução da vulnerabilidade externa
A lógica é simples: ao tornar o importado mais caro, o produto fabricado no Brasil ganha competitividade.
Pontos críticos
Economistas e representantes do comércio, porém, veem riscos. Entre eles:
- Pressão inflacionária em setores estratégicos
- Aumento de custos para empresas que dependem de tecnologia externa
- Possível redução na variedade de produtos
- Queda no consumo de bens duráveis
Há também o receio de que o aumento de imposto não seja acompanhado por investimentos em inovação e produtividade, o que limitaria o ganho real de competitividade.

O que esperar agora
O impacto mais visível deve ocorrer no varejo de eletrônicos. Já no setor industrial e agrícola, o efeito tende a ser gradual, aparecendo nos custos de produção ao longo do ano.
No curto prazo, o consumidor pode pagar mais por tecnologia importada. No médio e longo prazo, o resultado dependerá da resposta da indústria nacional: se houver aumento de produção e eficiência, a economia pode ganhar fôlego. Caso contrário, o risco é de preços mais altos sem avanço estrutural.
A recomposição tarifária reacende um debate antigo no Brasil: até que ponto proteger a indústria fortalece o crescimento e em que momento o custo chega à conta do consumidor.
