Tiroteio entre PMs na Gardênia Azul mata subtenente do Bope
Subtenente do Bope morre e quatro PMs ficam feridos em troca de tiros entre equipes da PM na Gardênia Azul. Hipótese é de fogo amigo; DHC investiga.
Equipes do Bope e do 18º BPM (Jacarepaguá) teriam se confundido com criminosos durante patrulhamento na Zona Sudoeste; Delegacia de Homicídios investiga a hipótese de fogo amigo
Um subtenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) morreu e outros quatro policiais militares ficaram feridos após uma troca de tiros entre equipes da própria Polícia Militar na manhã deste domingo (11), na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo relatos de testemunhas divulgados pela imprensa, agentes do Bope e do 18º BPM (Jacarepaguá) não teriam se reconhecido durante o patrulhamento e se confundiram com criminosos. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
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Quem era a vítima
O policial morto foi identificado como o subtenente Glaucio Marcelo Fonseca da Silva, do Bope. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Colegas de farda o descrevem como um militar experiente, com participação em diversas operações especiais da corporação.
Glaucio era irmão do 3º sargento Heber Carvalho, também do Bope, de 39 anos, morto em confronto durante a Operação Contenção, megaoperação policial realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte. A ação, considerada a mais letal da história do estado, deixou mais de 120 mortos, entre eles quatro policiais. A morte do subtenente ocorre a pouco mais de duas semanas de a operação completar um ano.
Como o confronto aconteceu
De acordo com as informações preliminares, policiais do 18º BPM receberam uma denúncia sobre a presença de homens armados na Rua Guilherme Moreira, nas proximidades do Beco do Saci. Ao chegarem ao local, houve troca de tiros. Uma equipe do Bope atuava na mesma área com viatura descaracterizada, e os agentes do batalhão de Jacarepaguá não teriam sido avisados dessa presença.
Segundo testemunhas ouvidas por veículos como CNN Brasil e g1, cada grupo teria tomado o outro por integrantes do Comando Vermelho, facção que disputa territórios na região. A hipótese de fogo amigo, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente, e a dinâmica do confronto — de onde partiram os disparos e como se deu a comunicação entre as equipes — é justamente um dos pontos que a investigação deverá esclarecer.
Imagens feitas no local mostram viaturas com várias marcas de tiros, além de cápsulas de munição e manchas de sangue no chão. A Rua Guilherme Moreira ficou interditada durante a manhã para o trabalho da perícia, iniciado por volta das 10h.
Situação dos feridos
Os primeiros relatos falavam em três feridos, mas, segundo informações do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, divulgadas pelo g1, quatro policiais foram atendidos: três do Bope e um do 18º BPM. Dois passaram por cirurgia e estão em estado estável; os outros dois já receberam alta.
O caso foi registrado inicialmente na 41ª DP (Tanque) e será transferido para a Delegacia de Homicídios da Capital. Até a publicação desta reportagem, as matérias divulgadas pelos principais veículos não traziam posicionamento oficial detalhado da Polícia Militar sobre as circunstâncias do confronto. O espaço segue aberto para manifestação da corporação e da Secretaria de Polícia Militar.
Reflexos no trânsito e na rotina dos moradores
A tensão na região também afetou a mobilidade. Segundo o Centro de Operações Rio (COR), por volta das 6h30, duas faixas da Avenida Ayrton Senna foram interditadas na altura do Espaço Hall, no sentido Linha Amarela. Relatos apontam que criminosos teriam bloqueado vias por suspeitar de uma invasão de milicianos.
Moradores ouvidos pela imprensa reclamaram das condições da Rua Guilherme Moreira, com asfalto danificado e iluminação precária, o que, segundo eles, torna o trecho mais perigoso à noite.
Região sob disputa entre facção e milícia
A Gardênia Azul fica entre a Cidade de Deus e Rio das Pedras e se tornou, nos últimos meses, um dos principais pontos de conflito entre o Comando Vermelho e a milícia na Zona Sudoeste. Em maio, a PM iniciou uma ocupação na área para conter a expansão da facção, sem prazo para terminar. Desde então, a região registrou ataques com drone, invasão de condomínio e episódios de ônibus usados como barricadas, como o ocorrido em julho após a prisão de um suspeito apontado como gerente do tráfico no bairro.
Investigadores consideram a área estratégica pela localização entre a Barra da Tijuca e a Cidade de Deus e pelo potencial econômico das atividades ilegais exploradas pela milícia em Rio das Pedras, estimadas em cerca de R$ 2 milhões por mês.
Integração entre equipes em debate
O episódio reacende questionamentos sobre a coordenação entre unidades especializadas e batalhões de área em regiões conflagradas, sobretudo quando há uso de viaturas descaracterizadas. Especialistas em segurança pública costumam apontar a comunicação prévia entre as equipes e a identificação clara dos agentes como protocolos essenciais para evitar casos de fogo amigo — pontos que deverão ser analisados pela DHC e pela própria corporação.
Próximos passos
A investigação deverá ouvir os policiais envolvidos, analisar as armas utilizadas, as marcas de disparo nas viaturas e, se houver, imagens de câmeras corporais e de segurança da região. O resultado será determinante para estabelecer responsabilidades e para eventuais mudanças nos protocolos de atuação conjunta entre o Bope e os batalhões convencionais. O Correio da Cidade Online seguirá acompanhando o caso.



