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Operação mira PMs suspeitos de ajudar o CV; três são presos no Rio

Polícia Civil prende 3 em ação contra esquema de PMs ligados ao Comando Vermelho no Rio, Nova Iguaçu e Maricá. Caso começou com 100 kg de cocaína.

Viatura da Polícia Civil do Rio de Janeiro estacionada em via pública
Viatura da Polícia Civil do RJ (imagem de arquivo). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 3.0)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã desta terça-feira (13) uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e de armas que, segundo as investigações, contava com a participação de policiais militares a serviço do Comando Vermelho (CV). Até as 8h10, três pessoas haviam sido presas — duas por mandado de prisão e uma em flagrante. Os mandados foram cumpridos em endereços de Del Castilho e da Penha, na Zona Norte do Rio, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e em Maricá, na Região Metropolitana.

A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-Cap), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Os mandados de prisão foram expedidos pela 16ª Vara Criminal da Capital.

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Investigação começou com 100 kg de cocaína na Avenida Brasil

O inquérito teve início em outubro de 2023, quando agentes da Polícia Civil prenderam um policial militar da ativa e outro homem transportando mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil, no subúrbio da capital. De acordo com a Polícia Civil, o PM era Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, e o homem que o acompanhava, Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como “Kiko”.

Segundo a DRE, o aprofundamento das apurações mostrou que a apreensão não era um caso isolado. Os investigadores afirmam ter identificado uma estrutura voltada à compra, ao transporte e à distribuição de grandes quantidades de drogas e armas para comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. A investigação também aponta que integrantes do grupo repassavam informações privilegiadas sobre operações policiais para proteger a facção e participavam de negociações clandestinas de armamento e munição.

Quem são os investigados

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil e publicadas por veículos de imprensa, o grupo denunciado inclui, além de “Kiko”, apontado como responsável pela logística das drogas e pelo contato direto com lideranças do CV, Manoel Cinquine Pereira, o “Paulista”, descrito como liderança da facção no Complexo da Penha e responsável por coordenar o abastecimento.

Também aparecem na denúncia o policial militar Eric da Silva Lobato, acusado de envolvimento no comércio ilegal de armas e munições, e Luciano Santos de Oliveira, o “Hot Wheels”, apontado como chefe do tráfico em comunidades de São João de Meriti. Segundo a investigação, ele recebia de Yuri Luiz avisos antecipados sobre operações policiais. Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, o “Do Serrão”, são descritos como integrantes do braço armado da facção, encarregados da segurança das lideranças e da vigilância territorial.

A polícia não informou oficialmente quais dos denunciados estão entre os três presos desta terça. Segundo relatos da operação, um dos detidos é apontado como integrante do braço armado da facção e exibia armas nas redes sociais; outro foi preso em flagrante com uma pistola, um rádio comunicador e uma motocicleta roubada.

PM que originou o caso foi assassinado em julho

Um dos pontos que seguem em aberto é a morte do policial militar preso em 2023. Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, que deixou a corporação, foi baleado várias vezes em 12 de julho deste ano ao chegar ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. As circunstâncias e a autoria do crime são investigadas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Contexto: infiltração do crime nas forças de segurança

O caso se soma a uma série de investigações que apontam a participação de agentes públicos em esquemas de facções e milícias no estado. O vazamento de informações sobre operações é considerado pelos próprios órgãos de segurança um dos fatores que comprometem ações planejadas contra o crime organizado, ao permitir que lideranças deixem as comunidades ou escondam armas e drogas antes da chegada das equipes.

A atuação conjunta entre Polícia Civil, Corregedoria da PM e MPRJ reflete a estratégia de envolver os órgãos de controle interno e externo quando há suspeita de desvio de conduta de policiais. Para a população das áreas afetadas — da Zona Norte do Rio à Baixada e a Maricá —, o desdobramento da investigação pode ter impacto direto sobre a circulação de armas e o poder territorial da facção.

O que dizem os citados

As reportagens consultadas até a publicação desta matéria não traziam posicionamento da Polícia Militar sobre os agentes investigados nem manifestação das defesas dos denunciados. Todos os citados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva, e o espaço segue aberto para manifestações.

Próximos passos

As buscas por outros alvos continuam ao longo do dia. O material apreendido deve ser analisado pela DRE-Cap e pelo Gaeco, e os presos ficam à disposição da Justiça. A Corregedoria da PM acompanha a situação dos policiais militares envolvidos, que podem responder também a procedimentos administrativos na corporação, paralelamente ao processo criminal.

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