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Cidades

Galeão sob Aena terá 9 novas rotas internacionais até janeiro

Aena assume o Galeão e promete mais de 50 voos semanais extras e 9 novas rotas internacionais até janeiro, além de R$ 1 bi em investimentos de parceiros.

A espanhola Aena, nova operadora do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, apresentou nesta terça-feira (13) o plano para os primeiros meses de gestão: mais de 50 frequências semanais extras em nove rotas internacionais já existentes e a abertura ou retomada de voos para outras nove cidades no exterior até janeiro de 2027. A empresa também anunciou cerca de R$ 1 bilhão em investimentos de parceiros no entorno do terminal, na Ilha do Governador, nos próximos três anos.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva no próprio aeroporto, com a presença do diretor-presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, e do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. A concessionária assumiu a operação do Galeão na semana passada, e o contrato vai até 2039.

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Novas rotas e mais voos

Segundo a Aena, haverá aumento de frequência nas ligações com Paris, Miami, Frankfurt, Lisboa, Porto, Santiago, Córdoba, Atlanta e Cidade do Panamá. Além disso, o Galeão deve passar a ter, ou voltar a ter, voos para Nova York, Dallas, Toronto, Montreal, Assunção, Salta, Mendoza, Rosário e Lima. Contando também rotas domésticas, a empresa fala em ampliar ou criar oferta para 30 destinos nos próximos meses.

De acordo com o cronograma divulgado pelo Brazil Journal, as mudanças começam ainda em outubro, com a American Airlines ampliando a operação para Nova York e Miami e a Air Canada iniciando voos para Toronto. Em novembro entram reforços de Delta, Lufthansa e TAP, entre outras. Em dezembro estão previstas as novas rotas para Montreal, Dallas, Lima e cidades argentinas, e em janeiro a Aerolíneas Argentinas começa a voar para Rosário. No mercado doméstico, Latam, Azul e, principalmente, Gol devem ampliar frequências.

Movimento ainda distante da capacidade

O Galeão recebeu 17,5 milhões de passageiros em 2025, e a projeção da concessionária é chegar a cerca de 19 milhões neste ano. O número ainda está muito abaixo da capacidade informada pela empresa, de 37 milhões de passageiros por ano. Na prática, isso significa que o aeroporto opera com pouco mais da metade do que sua estrutura comporta.

Essa folga explica uma das ressalvas feitas pela própria Aena: o Terminal 1, fechado há cerca de dez anos, só terá a reabertura avaliada se o crescimento da demanda justificar. A empresa também prevê melhorias como troca de elevadores e esteiras de bagagem, mas não informou quanto vai investir diretamente nos terminais.

Hotel, galpões e centro de pesquisa

O pacote de cerca de R$ 1 bilhão é formado, em sua maior parte, por investimentos de empresas parceiras na área do aeroporto. Entre os projetos estão um hotel com pelo menos 232 quartos, no prédio entre os dois terminais; um hangar de manutenção de aeronaves da Gol; e uma nova área de galpões logísticos e industriais. Segundo o Brazil Journal, a BYD também prevê um centro de pesquisa, desenvolvimento e testes com investimento de R$ 300 milhões e expectativa de 1,2 mil empregos.

Histórico de crise no aeroporto

A troca de comando encerra um período turbulento. A concessão anterior, liderada pela Changi, de Singapura, chegou a pedir a devolução do aeroporto ao governo federal, em meio à queda no movimento e à disputa de voos com o Santos Dumont, no Centro do Rio. O novo leilão foi realizado em março deste ano, e a Aena venceu com proposta de R$ 2,9 bilhões de outorga.

Para tentar redistribuir os voos, o governo federal impôs em 2023 um teto de 6,5 milhões de passageiros por ano ao Santos Dumont. O ministro Tomé Franca reafirmou que as restrições continuam até 2029. Pelo acordo, o limite sobe para 8,5 milhões em 2027 e 9,5 milhões em 2028, e deixa de existir em 2029.

Contrapontos e pontos de atenção

O plano apresentado se baseia em anúncios da concessionária e do governo, e parte dele depende de decisões das companhias aéreas, que podem rever rotas conforme a demanda. Também não há, por ora, um valor definido para obras nos terminais de passageiros, que são a parte mais visível para o usuário.

Outro ponto sensível é a convivência com o Santos Dumont. Segundo a Agência Brasil, o ministro afirmou que qualquer mudança antecipada nas restrições do aeroporto central provocaria um reequilíbrio do contrato do Galeão em desfavor da atual concessionária. O tema divide opiniões no Rio desde a criação do teto: parte do setor de turismo e do poder público defende concentrar voos no Galeão, enquanto passageiros e empresas valorizam a localização central do Santos Dumont.

O que muda para o passageiro

Para quem mora no Rio, em Niterói, São Gonçalo e no restante da Região Metropolitana, a ampliação pode significar mais opções de voos diretos para os Estados Unidos, Canadá, Europa e América do Sul, sem conexão em São Paulo. Mais concorrência nas rotas também tende a ampliar a oferta de horários, mas o efeito sobre o preço das passagens depende das companhias aéreas e não foi detalhado no anúncio.

O cumprimento do cronograma, a definição dos investimentos nos terminais e a evolução do número de passageiros nos próximos meses vão mostrar se o Galeão consegue, de fato, retomar o papel de principal porta de entrada internacional do estado.

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