Câncer de próstata: RJ terá 9 mil casos e SBU diverge do Ministério
INCA estima 9.090 casos de câncer de próstata no RJ em 2026. Novembro Azul expõe divergência entre SBU e Ministério da Saúde sobre o exame de PSA.
O Novembro Azul começou neste domingo (1º) com um alerta numérico: o câncer de próstata matou cerca de 18,5 mil homens no Brasil em 2025, o equivalente a 50 por dia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). No estado do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 9.090 novos casos da doença em 2026, dos quais 3.570 na capital.
Os números nacionais vêm acompanhados de uma divergência que costuma passar despercebida nas campanhas: a SBU defende que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para avaliação individualizada, enquanto o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento de rotina em homens sem sintomas. Entender a diferença ajuda a população a decidir com informação, em conversa com um profissional de saúde.
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Segundo a SBU, o total de óbitos de 2025 é cerca de 20% maior que o de dez anos antes, quando foram registradas 15,4 mil mortes. Entre 2017 e setembro de 2026, o país acumulou mais de 160 mil mortes pela doença. Dados parciais do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Datasus) citados pela CNN Brasil indicam 11.257 mortes em 2026 até setembro, cerca de 46 por dia; a diferença em relação aos 50 por dia de 2025 decorre de anos e períodos distintos.
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Os números do estado do Rio
As tabelas de estimativa do INCA para 2026 projetam 9.090 casos novos de câncer de próstata no estado do Rio, com taxa bruta de 111,08 casos por 100 mil homens. Na capital, a estimativa é de 3.570 casos, taxa bruta de 112,99 por 100 mil. Os valores são arredondados para múltiplos de 10 e correspondem a um único ano, e o instituto alerta que estimativas de edições diferentes não devem ser comparadas diretamente.
No país, o INCA projeta 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Entre os homens, a próstata responde por 30,5% dos diagnósticos, o primeiro lugar, à frente de cólon e reto (10,3%) e pulmão (7,3%). A estimativa específica para a próstata é de 77.920 casos por ano. A secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, classificou o dado nacional como um alerta, principalmente para a região Sudeste, durante o lançamento da estimativa, em fevereiro, na sede do INCA, no Rio.
Por que SBU e Ministério da Saúde divergem
A SBU recomenda avaliação individualizada com urologista a partir dos 50 anos e, para homens com histórico familiar, negros e obesos, a partir dos 45. A investigação envolve o exame de sangue PSA e o toque retal, e a biópsia confirma a suspeita. “Esperar sentir dor ou ter dificuldade para urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico”, afirmou o presidente da entidade, Roni Carvalho Fernandes. A sociedade cita 90% de chance de cura quando o tumor é descoberto na fase inicial.
O INCA e o Ministério da Saúde, por sua vez, orientam que homens sem sinais ou sintomas não sejam convocados para exames de rotina. O argumento são os riscos de sobrediagnóstico, ou seja, a detecção de tumores de crescimento lento que talvez nunca causassem problemas, e de tratamentos desnecessários, com possíveis efeitos urinários e sexuais. Segundo a orientação oficial, a decisão deve considerar benefícios, danos e características individuais, em diálogo com um profissional de saúde. Alterações no PSA também podem ocorrer em doenças benignas da próstata.
O urologista Alexandre Iscaife, do Hospital das Clínicas da USP, explicou à CNN Brasil que cerca de 90% dos tumores são de baixo risco ou de risco intermediário. Os exames de PSA e toque retal estão disponíveis gratuitamente pelo SUS, segundo a reportagem.
Homens procuram menos o sistema de saúde
Em Niterói, dados do e-SUS extraídos em agosto e divulgados pela prefeitura nesta segunda-feira (2) mostram que os homens respondem por 34,76% dos registros de atendimento, contra 65,24% das mulheres. A participação masculina nas neoplasias malignas subiu de 44,88% em 2024 para 45,84% em 2025 e 46,77% em 2026, até o início de agosto. “Historicamente, os homens procuram menos os serviços de saúde e muitas vezes chegam às unidades quando já existe algum problema instalado”, disse a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.
Sintomas como jato urinário fraco, necessidade de urinar com mais frequência e sangue na urina merecem avaliação em uma unidade de saúde, mas também podem indicar condições benignas, como a hiperplasia prostática, que atinge mais da metade dos homens acima de 50 anos, segundo a CNN Brasil.
Novos tratamentos e limites da rede pública
A SBU afirma que a cirurgia assistida por robô foi incorporada ao SUS em 2026 e que o Conselho Federal de Medicina aprovou técnicas como o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação. A autorização, porém, não significa disponibilidade imediata em todas as unidades da rede pública, ressalva feita pelo portal Ururau.
O que fica da campanha
O Novembro Azul ocorre em meio a números em alta e a um debate legítimo entre especialistas sobre quando e como rastrear. Para quem tem dúvidas, a orientação comum às instituições é procurar uma unidade básica de saúde ou um médico para avaliar fatores de risco e decidir sobre exames de forma individual. As informações desta reportagem têm caráter informativo e não substituem consulta médica.



