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Novembro Negro leva samba, cortejos e oficinas grátis à Pequena África

Pequena África, no Rio, tem programação grátis do Novembro Negro até 29/11, com samba e oficinas, após novo selo da Unesco ao Cais do Valongo.

Ruínas de pedra do Cais do Valongo, sítio arqueológico na Zona Portuária do Rio de Janeiro
Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Pequena África, região da Zona Portuária do Rio que reúne a Saúde, a Gamboa e o Santo Cristo, recebe ao longo de novembro uma programação gratuita do Novembro Negro, com cortejos, rodas de samba, oficinas, capoeira, cinema ao ar livre e feiras de economia criativa. A agenda, que começou neste domingo (1º) com o Afoxé Filhos de Gandhi na Feira da Glória, segue até 29 de novembro e tem como ponto alto o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro.

As atividades foram organizadas por instituições culturais do território contempladas no Edital 1 do consórcio Viva Pequena África. Entre os grupos participantes estão a Casa da Tia Ciata, o Cordão do Prata Preta, o Bloco Coração das Meninas, a Cia. Efeito Urbano, o Casarão Cultural João Alabá, a Casa Escrevivência e o Instituto Entre o Céu e a Favela, segundo a programação divulgada pelo Diário do Rio.

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A agenda chega poucos dias depois de o Cais do Valongo, principal marco da região, ser incluído pela Unesco na Rede de Lugares de História e Memória Relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas, reconhecimento anunciado em 29 de outubro, conforme a Agência Brasil.

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O que está na programação

A maior parte das atividades acontece em ruas, praças e casas culturais do Centro e da Zona Portuária. Entre os destaques da agenda estão:

  • 6/11 (sexta), 15h: oficina de tranças da Casa da Tia Ciata, na Rua Camerino, 32;
  • 7/11 (sábado), 14h: oficina de percussão do Afoxé Filhos de Gandhi, na Feira do Lavradio;
  • 14/11 (sábado), 15h: comemoração dos 22 anos do Cordão do Prata Preta, com circuito, capoeira e samba, na Praça da Harmonia;
  • 15/11 (domingo), 12h: Festival Novembro Negro da Casa Amarela, com apresentações, DJ e feijoada, no Largo do Cruzeiro;
  • 17 a 21/11: semana de oficinas do Bloco Coração das Meninas, na Rua Sacadura Cabral, 359, e ensaios abertos de dança urbana negra da Cia. Efeito Urbano, na Rua do Livramento, 61;
  • 20/11 (sexta), 11h: Cortejo de Ciata, com saída do Centro de Artes Calouste Gulbenkian, na Rua Benedito Hipólito, 125;
  • 24 e 25/11, das 9h às 18h: III Conferência Global de Afroturismo e Sustentabilidade, da Diaspora.Black, no Espaço Cultural BNDES;
  • 26/11 (quinta), 19h: sessão ao ar livre do filme “Xica da Silva”, no Jardim Suspenso do Valongo;
  • 29/11 (domingo), 15h: evento de encerramento no Theatro Carlos Gomes.

Segundo a diretora executiva do consórcio, Marisa Santana, as organizações decidiram atuar em rede para ampliar o alcance dos eventos. “A Pequena África é um território onde a herança negra segue viva nas pessoas e nos fazedores de cultura. Preservar este espaço exige reconhecer o protagonismo de quem sustenta essa memória”, afirmou ao Diário do Rio. Ela informou que as atividades serão divulgadas ao longo do mês nos canais do consórcio. Como parte da agenda acontece ao ar livre, vale conferir os horários antes de sair de casa.

Novo reconhecimento da Unesco

O Cais do Valongo foi indicado pelo Ministério das Relações Exteriores à rede da Unesco ao lado da Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, considerada a primeira instituição civil negra do país em funcionamento contínuo, e da Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), onde fica o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. A rede foi criada em 2024 dentro do programa Rotas dos Escravizados: Resistência, Liberdade e Patrimônio.

Em nota, o Itamaraty afirmou que a inclusão “contribui para a preservação e a transmissão da memória da escravidão”. Para o historiador e babalaô Ivanir dos Santos, doutor em História Comparada pela UFRJ, o reconhecimento é “uma oportunidade de questionar as narrativas tradicionais sobre a formação da sociedade brasileira”, segundo a Agência Brasil.

Um território marcado pela diáspora

O Cais do Valongo foi um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas durante o século 19. Soterrado por aterros e reformas urbanas, o sítio arqueológico foi redescoberto em 2011, durante as obras de revitalização da Zona Portuária, e está inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017. O título mundial e o novo selo, porém, não garantem recursos automáticos para conservação, e a manutenção do sítio e de seu entorno depende de investimentos do poder público e de parcerias.

O nome Pequena África, atribuído ao sambista e pintor Heitor dos Prazeres, se refere à concentração de população negra na região no fim do século 19 e no início do século 20. Foi ali, nas casas de tias baianas como Tia Ciata, que se formaram rodas que estão na origem do samba carioca. Hoje, a área reúne pontos como a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos e o Jardim Suspenso do Valongo, que fazem parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana.

Feriado e movimento turístico

O Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, é feriado nacional desde 2024, o que deve aumentar o fluxo de visitantes na região no fim do mês. Para os moradores e grupos culturais da Zona Portuária, a programação também funciona como vitrine para o afroturismo e para pequenos empreendedores, que terão espaço em feiras como a marcada para 28 de novembro, na Rua da América, 81.

Com atividades espalhadas por quase todas as semanas do mês, o Novembro Negro na Pequena África combina celebração e memória em um território que concentra parte importante da história da escravidão e da resistência negra no Brasil. A entrada é gratuita, e a programação completa é divulgada pelas instituições participantes e pelo consórcio Viva Pequena África.

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