Delação de Vorcaro pressiona STF e envolve PF em negociação inédita
A possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master, avança em meio a pressão da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master, avança em meio a pressão da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF)., com potencial de atingir políticos, magistrados e operadores do sistema financeiro.
Responsável pelo caso no STF, o ministro André Mendonça tem adotado uma postura rígida nas negociações. Segundo apurações, ele não deve aceitar uma colaboração parcial e exige que o acordo seja completo, sem proteção a eventuais envolvidos — incluindo integrantes da própria Corte.
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Pressão levou à decisão de delatar
A decisão de Vorcaro de negociar a delação ocorreu após o avanço das investigações e o acúmulo de provas pela Polícia Federal. Diante do cenário, a avaliação da defesa foi de que não havia mais saída jurídica viável sem colaboração.
Além disso, a manutenção da prisão pelo STF e o volume de materiais apreendidos — incluindo diversos dispositivos eletrônicos — aumentaram o risco de novas acusações, o que reforçou a estratégia de buscar benefícios por meio da delação.

Negociação envolve PF e PGR
Um dos pontos centrais é o modelo de delação em discussão. A defesa propôs um acordo conjunto envolvendo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), algo considerado incomum em casos desse porte.
O processo segue etapas formais: negociação dos termos, homologação pelo STF e entrega de provas e depoimentos por parte do investigado. A expectativa é que a colaboração, se confirmada, dure entre três e seis meses.
Como parte das tratativas, Vorcaro foi transferido para a sede da Polícia Federal em Brasília, facilitando o contato direto com investigadores e advogados. A medida é vista como um passo concreto rumo ao fechamento do acordo.
Alcance pode atingir os três poderes
A investigação do caso Banco Master apura um esquema amplo de fraudes financeiras, com suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tentativa de interferência em apurações. Nos bastidores, a expectativa é que a delação possa revelar conexões entre o setor financeiro e agentes públicos, com impacto potencial sobre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Há indícios de que o material já coletado pela Polícia Federal inclui menções a autoridades, o que aumenta a sensibilidade do caso dentro do STF.
Inicialmente, a estratégia da defesa seria focar em políticos, evitando atingir diretamente ministros da Corte. No entanto, essa linha enfrenta resistência, já que Mendonça sinaliza que não aceitará uma delação seletiva. Com isso, o avanço do acordo depende de um equilíbrio delicado entre os interesses da defesa, da Polícia Federal, da PGR e do próprio STF.
