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Esportes

Justiça manda liberar Maracanã para Vasco x Boca na Sul-Americana

TJRJ manda Fla-Flu Serviços liberar o Maracanã para Vasco x Boca em 20/10. Decisão provisória vê segurança acima do gramado; consórcio pode recorrer.

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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou, na noite desta sexta-feira (9), que a concessionária Fla-Flu Serviços S.A. libere o Maracanã para o Vasco enfrentar o Boca Juniors no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, marcado para 20 de outubro. A decisão, provisória, reverte duas negativas anteriores e chega a um dia do prazo dado pela Conmebol para a indicação do estádio.

A ordem foi assinada pelo desembargador Marco Antônio Ibrahim, presidente da 23ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, ao analisar um agravo interno apresentado pelo clube. O relator original do caso, desembargador Alexandre de Carvalho Mesquita, está de férias até 16 de outubro, o que levou o pedido às mãos do presidente da câmara. Segundo o texto da decisão divulgado pela imprensa, a concessionária deverá disponibilizar o Estádio Jornalista Mário Filho ao Vasco da Gama SAF e assegurar ao clube condições comerciais e operacionais equivalentes às oferecidas a Flamengo e Fluminense, que integram o consórcio gestor da arena.

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Segurança pesou mais que o gramado

O ponto central da disputa era o estado do gramado. A Fla-Flu Serviços sustentou ao longo do processo que o campo precisava de descanso e manutenção, argumento que havia convencido a primeira instância e o relator. Ibrahim, porém, entendeu que a proteção do público deve prevalecer. Na decisão, o magistrado escreveu que “as condições de segurança dos torcedores e do entorno do estádio são mais relevantes” do que as questões agronômicas levantadas pelo consórcio.

O desembargador se apoiou em manifestações de órgãos públicos. O Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), da Polícia Militar, apontou o Maracanã como a alternativa mais adequada para um jogo de grande porte com torcida visitante, citando vantagens em logística, mobilidade e controle de torcidas. O Ministério Público do Rio (MPRJ), que já havia aberto procedimento sobre o caso e recomendado a cessão do estádio, também se posicionou a favor. Em manifestação anterior, o MP rebateu o argumento do desgaste do gramado lembrando que o Maracanã recebeu duas partidas num intervalo de 48 horas em nove ocasiões em 2026.

Como a disputa chegou até aqui

O impasse começou no fim de setembro, quando o Vasco pediu formalmente o estádio ao consórcio e recebeu negativa. A Conmebol, segundo a imprensa esportiva, preferia o Maracanã pela capacidade e pela estrutura de hospitalidade. São Januário, casa do Vasco, não foi considerado apto às exigências da competição, sobretudo pela dificuldade de garantir a segurança de um setor para cerca de 4 mil torcedores argentinos.

Na segunda-feira (5), a Justiça negou em primeira instância o pedido de liminar do Vasco, citando divergências entre laudos técnicos sobre as condições do gramado. Na terça (6), o relator manteve a negativa. Mesmo assim, o clube informou à Conmebol que pretendia jogar no Maracanã e seguiu recorrendo. Na quarta (7), a concessionária consultou o Bepe sobre o Estádio Nilton Santos, do Botafogo, que foi considerado apto, mas o batalhão manteve a recomendação pelo Maracanã. A virada veio nesta sexta.

O que diz o consórcio e o que ainda pode mudar

A decisão é liminar e monocrática, ou seja, pode ser revista. A concessionária será intimada a se manifestar, e o Ministério Público também deve opinar no processo. Até a publicação desta reportagem, Flamengo e Fluminense não haviam se pronunciado publicamente sobre a nova ordem judicial. A Fla-Flu Serviços pode recorrer, e uma das possibilidades apontadas pela imprensa é levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), já que um recurso na própria câmara depende de sessão colegiada, o que tende a demorar mais do que o calendário da competição permite.

Do lado do Vasco, a expectativa é formalizar o Maracanã junto à Conmebol dentro do prazo, que vence neste sábado (10), e iniciar a venda de ingressos para torcedores do clube e visitantes. Segundo a imprensa, o Vasco agradeceu em nota ao MP, ao TJRJ, à CBF e ao governo estadual pela solução.

Impacto para o torcedor e para a cidade

Para o público, a mudança significa um estádio com capacidade muito superior à de São Januário e acesso por metrô, trem e BRT, fator que a própria PM considerou decisivo para o controle do fluxo de torcedores. O jogo está marcado para uma terça-feira, às 21h30, o que exige planejamento de transporte e de policiamento em uma das regiões mais movimentadas da Zona Norte. Partidas com torcida argentina costumam demandar operação especial de segurança, com escolta de ônibus e separação de setores.

Antes do duelo no Rio, Vasco e Boca se enfrentam no jogo de ida, em 13 de outubro, na Bombonera, em Buenos Aires. O vencedor do confronto avança à final da Copa Sul-Americana.

Uma disputa que vai além de um jogo

O caso reacende a discussão sobre o modelo de gestão do Maracanã, estádio público administrado por uma concessionária formada por dois clubes que disputam as mesmas competições que o Vasco. Ao exigir igualdade de condições comerciais e operacionais, a decisão do TJRJ toca exatamente nesse ponto. O desfecho definitivo, porém, ainda depende do julgamento do mérito e de eventuais recursos. Por ora, o caminho está aberto para que o jogo de volta da semifinal seja disputado no maior estádio do Rio.

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