Mpox: RJ tem 269 casos em 2026, mais que o dobro de todo 2025
RJ tem 269 casos de mpox em 2026, mais que o dobro de 2025 e sem mortes. Ministério vai reforçar vacinas; veja sintomas e quem pode vacinar.
O estado do Rio de Janeiro confirmou 269 casos de mpox entre janeiro e 3 de novembro de 2026, sem nenhuma morte registrada, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). O número supera com folga os 119 casos contabilizados em todo o ano de 2025 e acende o alerta das autoridades de saúde às vésperas do fim de ano, período de maior circulação de pessoas.
Na capital, o avanço também é visível. De acordo com o painel EpiRio, atualizado em 3 de novembro, a cidade do Rio contabiliza 196 casos confirmados em 2026, contra 94 em todo o ano passado. Também não houve óbitos nos dois períodos.
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Diante da alta, o Ministério da Saúde informou, em nota, que vai reforçar os estoques de vacinas no estado. A pasta não divulgou, porém, quantas doses serão enviadas nem quando a remessa chega.
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Setembro e outubro concentram a alta na capital
Os dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio mostram que a elevação se concentrou nos últimos dois meses. Em setembro, a cidade registrou 47 casos, alta de 261,5% sobre os 13 de agosto. Em outubro foram 55, o maior número mensal desde outubro de 2022, quando o surto global já perdia força.
Desde 2024, a cidade não passava de 20 casos por mês. O último pico anterior ao atual havia ocorrido em dezembro de 2023, com 46 notificações, número que depois recuou.
Do surto de 2022 ao cenário atual
O mpox, antes chamado de varíola dos macacos, se espalhou pelo mundo em 2022. Naquele ano, só a capital fluminense chegou a somar 351 casos em um único mês. O Brasil teve 10.821 casos em 2022, enquanto o Ministério da Saúde contabiliza 665 notificações no país até outubro de 2026, das quais 218 (mais de um terço) no Rio de Janeiro.
Os números do Ministério (até outubro) e da SES-RJ (até 3 de novembro) têm datas de corte diferentes e, por isso, não são diretamente comparáveis. Em relação a 2022, a pasta aponta queda de 94% no país e de 84,2% no estado, que somou 1.381 casos naquele ano. No Brasil, foram 1.074 diagnósticos em 2025, contra 1.989 em 2024.
O que dizem as autoridades
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou em nota que os casos seguem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença, em 2022, mas reconheceu que houve elevação da curva em setembro e que o cenário epidemiológico hoje é outro. A SES-RJ diz que a Vigilância Epidemiológica identificou um aumento recente e defende o diagnóstico oportuno, sem estigmatizar as pessoas acometidas.
Há um ponto ainda sem definição pública: a SES-RJ afirmou que um eventual reforço da vacinação compete ao Ministério da Saúde, enquanto a pasta federal disse que a imunização seguirá direcionada aos grupos recomendados. Ou seja, não há, até agora, anúncio de ampliação do público elegível.
Quem pode se vacinar e como funciona o esquema
O esquema vacinal tem duas doses, com intervalo de 28 dias. Segundo a SES-RJ, 953 doses foram aplicadas no estado até 2 de novembro, conforme o Painel de Ocorrência. A vacina está indicada a públicos específicos: profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão e pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado, após avaliação da vigilância em saúde. As notas oficiais não informam os locais de vacinação.
Sintomas e orientações oficiais
Entre os sinais da doença estão erupções e lesões na pele, aumento dos gânglios linfáticos, febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e cansaço. As lesões podem surgir em qualquer parte do corpo, inclusive na região genital, e são mais frequentes no rosto, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. A maioria dos casos tem sintomas leves ou moderados, e o tratamento consiste em cuidados de suporte para aliviar os sintomas.
A SES-RJ orienta evitar contato físico direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação da doença, suspender contatos íntimos e relações sexuais diante de sintomas suspeitos até a avaliação de um profissional de saúde, e não compartilhar toalhas, roupas de cama e vestimentas. Quem notar lesões suspeitas, principalmente nas regiões genital, anal ou oral, deve procurar uma unidade de saúde, mesmo sem febre ou gânglios inchados. Esta reportagem tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.
O que observar nas próximas semanas
A expectativa das autoridades é que o reforço de estoques chegue antes do fim do ano, mas faltam definições sobre quantidade, calendário e público. O acompanhamento semanal do painel EpiRio e do Monitora, da SES-RJ, permitirá verificar se a curva de setembro e outubro se sustenta ou recua em novembro.


