Novo Terminal deve retirar até 1.000 ônibus por dia do Centro de Niterói

Com integração tarifária e linhas troncais, novo terminal do Caramujo, na Zona Norte, promete aliviar a RJ-104 e a Alameda São Boaventura até 2027.

Com integração tarifária e linhas troncais, novo terminal do Caramujo, na Zona Norte, promete aliviar a RJ-104 e a Alameda São Boaventura até 2027.

A construção do Terminal Rodoviário do Caramujo, na Zona Norte de Niterói, avança com novas etapas concluídas e já começa a desenhar mudanças concretas no transporte público da cidade.

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A proposta vai além de um novo ponto de embarque: o projeto pretende reorganizar o fluxo de ônibus, reduzir congestionamentos e mudar a lógica de deslocamento entre municípios da região metropolitana.

Atualmente, a obra está em fase de concretagem das baias para ônibus. Parte estrutural importante já foi concluída, como a alvenaria do prédio administrativo, a laje do prédio principal e a implantação de redes hidráulicas e pluviais. As próximas etapas incluem a instalação de estruturas metálicas e cobertura.

Como o terminal vai mudar o trânsito

O impacto mais direto deve ser sentido no Centro e nos principais corredores viários. A expectativa é retirar cerca de 1.000 viagens diárias de ônibus da região central, especialmente do Terminal João Goulart, hoje sobrecarregado.

Isso será possível com uma mudança estrutural: linhas intermunicipais que hoje seguem até o Centro passarão a encerrar o trajeto no Caramujo. Esses ônibus vêm principalmente de cidades como São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, acessando Niterói pelas rodovias RJ-104 e RJ-106.

Hoje, esses veículos representam cerca de 30% do total que chega ao Centro, mas transportam apenas 7% dos passageiros. A avaliação técnica é que há ineficiência no modelo atual.

Sistema de integração e linhas troncais

Com o novo terminal, entra em cena um modelo de transbordo obrigatório. Na prática, o passageiro desce no Caramujo e segue viagem em outro ônibus até o destino final.

Esse segundo trecho será feito por linhas diretas, chamadas de troncais, com destino a regiões como Centro, Icaraí e Região Oceânica. A integração será feita sem custo adicional por meio do Bilhete Único.

A estimativa é que o trajeto entre o terminal e o Centro leve cerca de 20 minutos, dependendo das condições do trânsito.

Capacidade e estrutura

O terminal foi projetado para operar em grande escala. Serão:

  • 24 baias para ônibus distribuídas em quatro plataformas
  • 20 vagas adicionais para manobra e capacidade para até 1.200 passageiros por hora
  • Atendimento diário estimado em 20 mil pessoas
  • A área total será de aproximadamente 20 mil metros quadrados.
  • Estrutura completa para usuários

Além da operação de transporte, o espaço terá uma estrutura semelhante a pequenos terminais urbanos modernos, com foco em permanência e conforto:

  • Lojas, quiosques e praça de alimentação
  • Sanitários com fraldários
  • Escadas rolantes e elevadores
  • Balcões de informação
  • Estacionamento para carros e motos

O projeto também inclui áreas operacionais, como centro de controle, manutenção, segurança, além de espaços de apoio para motoristas.

Integração com carro: modelo “park and ride”

Outro ponto previsto é a possibilidade de integração entre transporte individual e coletivo. O terminal contará com estacionamento, permitindo que motoristas deixem o carro no local e sigam de ônibus — modelo conhecido como “park and ride”.

A ideia é reduzir o número de veículos circulando em áreas mais congestionadas da cidade.

Sustentabilidade e projeto arquitetônico

O terminal também incorpora soluções ambientais. Estão previstas:

  • Placas solares para geração de energia
  • Sistema de reaproveitamento de água da chuva
  • Iluminação 100% em LED

O projeto inclui ainda elementos de paisagismo, como jardins verticais, e uma cobertura com estrutura metálica, vidro e madeira ecológica.

Linhas afetadas

Ao todo, 42 linhas intermunicipais terão o trajeto alterado e passarão a ter ponto final no Caramujo. Entre elas, estão linhas que hoje ligam diretamente bairros como Alcântara, Arsenal, Santa Izabel e Marambaia ao Centro de Niterói.

Por outro lado, cerca de 28 linhas — principalmente as que seguem para a Ponte Rio-Niterói — continuarão operando normalmente, sem passar pelo terminal.

O que muda para quem usa ônibus

A principal mudança será a necessidade de baldeação para quem vem de outras cidades. Em troca, a promessa é de um sistema mais rápido e organizado, com menos congestionamento nos principais corredores.

A Alameda São Boaventura, um dos pontos mais críticos do trânsito local, deve ser uma das vias mais impactadas pela redução no número de ônibus circulando.

Prazo e investimento

O projeto tem investimento de R$ 34 milhões e previsão de conclusão em 2027. Até lá, a obra segue em execução, com etapas estruturais já avançadas.

O desafio será na prática

Apesar da proposta de ganho em eficiência, o sucesso do terminal depende da operação. A integração precisa funcionar sem aumento significativo no tempo de viagem, especialmente nos horários de pico.

Se o sistema entregar o que promete, o Terminal do Caramujo pode mudar a dinâmica do transporte em Niterói. Caso contrário, o risco é apenas transferir o problema de lugar.

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