Rio inicia obras de terminal de R$ 71 milhões em Campo Grande
A Prefeitura do Rio iniciou nesta sexta-feira (2) as obras do Terminal Intermodal de Campo Grande, na Zona Oeste.
A Prefeitura do Rio iniciou nesta sexta-feira (2) as obras do Terminal Intermodal de Campo Grande, na Zona Oeste. Orçado em R$ 71,3 milhões e com prazo de até dois anos para ficar pronto, o equipamento vai concentrar 33 linhas de ônibus municipais e intermunicipais em um único ponto, ligado por passarela ao terminal do BRT, e deve mudar a rotina de quem circula entre a Zona Oeste e a Baixada Fluminense.
O terminal ocupará uma área de 22,2 mil metros quadrados entre a Rua Campo Grande e a Rua Padre Pauwels, nas proximidades da Estrada da Caroba. Segundo a prefeitura, a estrutura terá capacidade para receber cerca de 60 ônibus ao mesmo tempo. A obra é tocada pelas secretarias municipais de Infraestrutura e de Transportes.
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O que o terminal vai ter
O projeto prevê dois pavimentos com acessos independentes. O nível superior, com cerca de 13,2 mil metros quadrados, terá três plataformas cobertas, área de apoio para motoristas, cabine de segurança, banheiros, elevador e escadas, com espaço para mais de 30 ônibus simultaneamente.
O nível inferior, de aproximadamente 8,9 mil metros quadrados, concentrará o atendimento aos passageiros, com plataformas cobertas e acessíveis, banheiros, área administrativa, dez quiosques comerciais e bicicletário.
Uma passarela de pedestres passará sob a linha férrea e fará a ligação com o Terminal BRT Campo Grande, o que permitirá a integração física entre os ônibus convencionais e o corredor Transoeste.
Linhas e cidades atendidas
Das 33 linhas que vão operar no local, 21 são municipais e fazem parte da primeira fase do Sistema RIO, novo modelo de concessão dos ônibus da capital. Elas atendem os bairros de Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência, Santa Cruz e Sepetiba.
As outras 12 são intermunicipais e ligam Campo Grande a Itaguaí, Seropédica, Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis e Duque de Caxias. A proposta é reunir em um só local linhas que hoje param em diferentes pontos do bairro, um dos principais polos comerciais da Zona Oeste.
“Estamos dando início hoje às obras desse terminal, que vai concentrar as linhas da região”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), segundo o site oficial da prefeitura. O secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, declarou que “esta é mais uma obra do Plano de Mobilidade de Campo Grande”.
Valor menor que o anunciado em julho
Quando o projeto foi apresentado, em 11 de julho, a prefeitura estimava o investimento em R$ 81,1 milhões e informava que as obras começariam após o licenciamento. O valor divulgado agora, de R$ 71,3 milhões, é cerca de R$ 9,8 milhões menor. A prefeitura não detalhou, nos comunicados públicos, o motivo da diferença nem a empresa responsável pela execução.
O terminal integra o Plano de Mobilidade de Campo Grande, pacote estimado em cerca de R$ 1 bilhão, com recursos municipais e federais. Em setembro, a prefeitura entregou a requalificação de 2,5 quilômetros das avenidas Cesário de Melo e Joaquim Magalhães, com nova ciclovia de 1,5 quilômetro, rotatória e mais de 2 quilômetros de drenagem. Segundo a administração municipal, a cidade tem 12 terminais concluídos ou em obras.
Sistema RIO ainda enfrenta problemas de integração
O novo terminal está ligado diretamente à reorganização dos ônibus da Zona Oeste. O Sistema RIO começou a operar no fim de agosto, com 169 ônibus novos — 115 na região de Santa Cruz, a partir de 24 de agosto, e 54 em Campo Grande, a partir de 30 de agosto —, distribuídos em 17 linhas. Os veículos têm ar-condicionado, piso baixo e motores Euro VI, e o pagamento em dinheiro foi abolido.
A transição, porém, gerou queixas. Reportagem do site Ônibus & Transporte, publicada em setembro, apontou que sete linhas operadas pelos novos ônibus em Campo Grande circulavam sem os validadores da Riocard, aceitando apenas o sistema municipal Jaé.
Com isso, passageiros que usam o Bilhete Único Intermunicipal (BUI) para ir e voltar da Baixada perdiam a integração, e uma viagem que custaria R$ 9,40 poderia passar de R$ 12. Na ocasião, a prefeitura afirmou que o Jaé está tecnicamente pronto para fazer a integração, mas não deu prazo; o governo do estado disse negociar com o município a instalação dos validadores.
O problema é relevante para o terminal porque 12 das 33 linhas previstas no equipamento são intermunicipais e atendem justamente o público que costuma combinar viagens com o BUI. Sem um acordo entre prefeitura e estado sobre a bilhetagem, a integração física prometida pelo terminal pode não se traduzir em economia na tarifa para parte dos passageiros.
Próximos passos
Com prazo de até 24 meses, o terminal deve ficar pronto no segundo semestre de 2028, caso o cronograma seja cumprido. Até lá, moradores e comerciantes do entorno da Estrada da Caroba e da Rua Campo Grande convivem com o canteiro de obras, e eventuais mudanças no trânsito devem ser comunicadas pela prefeitura.
O início das obras ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4), e em um momento em que a ampliação do Sistema RIO para outras regiões da cidade avança com a licitação de novas etapas. O resultado do terminal para a população de Campo Grande e da Baixada dependerá não só da entrega da estrutura no prazo, mas também da solução para a integração tarifária entre os sistemas municipal e estadual.
