Reparo no Guandu deixa Rio e Baixada com risco de falta d’água
Reparo emergencial da Cedae põe a ETA Guandu a 50% e pode faltar água no Rio e em 7 cidades da Baixada. Normalização pode levar até 72 horas.
Um reparo emergencial em uma tubulação do Sistema Guandu, feito pela Cedae nesta quinta-feira (22), fez a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu operar com metade da capacidade e pode deixar sem água, ou com baixa pressão, bairros da capital fluminense e sete municípios da Baixada Fluminense. A companhia prevê terminar o serviço até o fim do dia, mas as concessionárias avisam que a normalização completa pode levar até 72 horas depois da retomada total da produção.
O Guandu é o maior sistema de abastecimento da Região Metropolitana. Segundo a própria Cedae, a estação, localizada em Nova Iguaçu, fornece água para cerca de 11 milhões de pessoas. Por isso, qualquer redução na produção se espalha rapidamente pela rede de distribuição, sobretudo nas áreas mais altas e nas pontas de rede, que são as primeiras a ficar secas e as últimas a voltar a receber água.
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A Cedae não detalhou publicamente a causa do problema nem o ponto exato da tubulação que precisou de reparo. Informou apenas que, durante o serviço, a ETA funciona com 50% da capacidade habitual e que a produção será retomada de forma gradual após a conclusão do trabalho.
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Quais áreas podem ser afetadas
A Cedae produz a água, mas a distribuição é feita por concessionárias privadas desde a concessão de 2021. Cada uma divulgou a lista das regiões sob risco.
- Águas do Rio: Centro e zonas Norte e Sul da capital, além de Belford Roxo, Duque de Caxias, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A empresa fala em possível baixa pressão e intermitência no fornecimento.
- Rio+Saneamento: 24 bairros da Zona Oeste — Bangu, Barra de Guaratiba, Campo dos Afonsos, Campo Grande, Cosmos, Deodoro, Gericinó, Guaratiba, Ilha de Guaratiba, Inhoaíba, Jardim Sulacap, Jabour, Magalhães Bastos, Paciência, Padre Miguel, Pedra de Guaratiba, Realengo, Santa Cruz, Santíssimo, Senador Camará, Senador Vasconcelos, Sepetiba, Vila Kennedy e Vila Militar.
- Iguá Rio: áreas atendidas na Zona Sudoeste, que, segundo a empresa, podem ter diminuição de pressão ou falta de água. A concessionária não listou bairros.
Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí não dependem do Guandu: o Leste Fluminense é abastecido pelo Sistema Imunana-Laranjal, que não foi atingido pelo reparo desta quinta.
Prazo de até 72 horas para normalizar
A Águas do Rio e a Rio+Saneamento informaram que, depois que o Guandu voltar a operar com 100% da capacidade, a regularização pode levar até 72 horas, com possibilidade de demora maior em pontos elevados e distantes dos principais reservatórios. Algumas áreas podem ter o serviço restabelecido antes desse prazo.
As empresas recomendam que os moradores usem a água armazenada em caixas-d’água e cisternas apenas para atividades essenciais e adiem tarefas de alto consumo, como lavar roupas, calçadas e veículos, até a normalização. Os canais de atendimento são o 0800 195 0 195 (Águas do Rio, ligação ou WhatsApp) e o 0800 772 1025 (Rio+Saneamento, ligação ou WhatsApp). Reclamações também podem ser feitas à Agenersa, agência reguladora estadual, pelo 0800 024 9040.
Segundo reparo emergencial no ano
Não é a primeira vez em 2026 que a estação reduz a produção por problemas na tubulação. Em fevereiro, um vazamento em uma tubulação interna da ETA Guandu obrigou a Cedae a operar com cerca de metade da capacidade entre os dias 5 e 8. Na ocasião, houve novos rompimentos durante o conserto, moradores da Zona Oeste e da Baixada ficaram sem água e famílias vizinhas à estação foram desalojadas pelo alagamento, segundo relatos publicados na época.
A repetição de falhas reforça o debate sobre a manutenção da infraestrutura que continuou sob responsabilidade da Cedae após a concessão da distribuição. Até a última atualização desta reportagem, a Cedae não havia informado a origem do defeito nem se o reparo está ligado ao problema de fevereiro.
Leste Fluminense terá parada na próxima semana
Para os moradores do Leste Fluminense, o alerta é outro. A Cedae programou uma parada de 24 horas no Sistema Imunana-Laranjal, das 4h do dia 27 às 4h do dia 28 de outubro, para manutenção. A interrupção pode afetar cerca de 2 milhões de pessoas em Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e na Ilha de Paquetá.
O que acompanhar
O ritmo da volta da água no Rio e na Baixada vai depender do horário em que a Cedae concluir o reparo e da velocidade de recomposição dos reservatórios. A orientação das concessionárias é acompanhar os comunicados oficiais e economizar a água armazenada até que o abastecimento seja totalmente restabelecido.



