Obra de R$ 17 milhões está abandonada na divisa de Niterói com São Gonçalo

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Falta de drenagem faz com que o trecho da "Serrinha" seja o mais caótico e perigoso da RJ 100

Falta de drenagem faz com que o trecho da “Serrinha” seja o mais caótico e perigoso da RJ 100. Na mesma via, placa anuncia mais um empreendimento na região

Não é de hoje que nos deparamos com o descaso do poder público quando o assunto é bem-estar da população de forma geral. E quando se fala de asfalto, pavimentação e obras de melhoria para motoristas e pedestres, o descaso é maior ainda. Como se não bastasse a falta de conservação numa das principais vias de Niterói e São Gonçalo, a recém estadualizada RJ 100, antiga Estrada Velha de Maricá, passa por momentos de caos após paralisação das obras já a alguns meses.

O desespero de motoristas e pedestres é maior quando se lembra que a pouco mais de um ano foi anunciada com pompas uma obra de pavimentação e revitalização da via, obra orçada em R$ 17 milhões e que traria mais segurança para motoristas e principalmente pedestres. Sim, a obra começou e um pequeno trecho, aproximadamente 4 km da via que estava em situação caótica foi recuperado, mas, apenas o asfalto. Acostamento, faixas, ciclovia e sinalizações, nada foi feito. Até então, a previsão do término da obra era março de 2015, conforme licitação, e seriam recuperados 7 km, de Maria Paula ao Rio do Ouro. Mas, não é isso que se vê atualmente.

Elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca (Sedrap), o projeto de revitalização da RJ-100 inclui serviços de drenagem, sinalização, pavimentação, construção de ciclovia, instalação de rampas e piso tátil e a criação da terceira faixa na localidade de “Serrinha”. Nada disso foi feito até o momento. Pedestres correm risco de acidentes, sem espaço para andar nas calçadas dividem espaço com carros na via bastante movimentada. Deficientes em cadeiras de rodas e ciclistas só conseguem se locomover pela pista, entre carros e ônibus. Alunos de escolas próximas também se arriscam na via.

A RJ-100 foi retomada por decisão do governador Sérgio Cabral, por intermédio de decreto publicado no Diário Oficial em Agosto de 2013. A rodovia se estende ao longo do limite entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, indo do Barreto, a partir do entroncamento com a BR-101 (Niterói-Manilha), a Rio do Ouro, na interseção com a RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto). Com 13,5 quilômetros de extensão, a estrada foi criada para dar maior mobilidade urbana a uma região de grande densidade demográfica e em expansão econômica. Os estudos para a criação da Rodovia ficaram a cargo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca – SEDRAP. A rodovia passa pelas localidades de Tenente Jardim, Morro do Castro, Baldeador, Caramujo, Novo México e Maria Paula, e terá alças de acesso à BR-101, no Barreto, e à RJ-106, em Rio do Ouro, além de se conectar com a RJ-104.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ ), órgão da Secretaria Estadual de Obras é o responsável pela manutenção e melhorias do corredor viário, que deveria absorver parte dos veículos oriundos de São Gonçalo, Maricá e da Região Oceânica de Niterói em direção ao Rio de Janeiro.

O Correio da Cidade Online tentou contato com a Construlagos Construtora Ltda – empresa vencedora da licitação e que tinha até o primeiro trimestre de 2015 para concluir o projeto -, mas não obteve sucesso.

Pedestres dividem espaço com ônibus e automóveis.

Pedestres dividem espaço com ônibus e automóveis.

O DER, órgão do governo e responsável pela coordenação da obra informou “que está aguardando liberação de recursos para retomar as obras de terraplenagem, drenagem, pavimentação e implantação de serviços complementares na RJ-100”. Indagado sobre a falta ou má conservação da via, como mostram fotos recentes, o Departamento subestima a inteligência da população ao dizer que “o órgão mantém serviços de conservação na rodovia”.

Outro trecho caótico da via, a chamada “Serrinha”, que liga Maria Paula à RJ 104, no bairro Baldeador, buracos na via e fora dela, obrigam motoristas e pedestres a terem cuidados redobrados. Não existe acostamento, faixas e muito menos sinalizações para alertar, pelo menos, que o trecho é de mão dupla. Além de automóveis, pela via passam cinco linhas de ônibus, grandes caminhões e motocicletas. Em resposta, o DER informou que “o trecho da “Serrinha” está em fase de desapropriação para alargamento. O DER-RJ aguarda o desfecho do processo para realizar serviços programados para o local, como drenagem e pavimentação”.

A ideia inicial das obras era desafogar o trânsito numa das regiões que mais cresce em Niterói e São Gonçalo. O bairro Maria Paula, região de Pendotiba teve um aumento significativo no número de moradias, mas a estrutura permanece a mesma a mais de duas décadas.

Proprietário de uma imobiliária na RJ 100, Edclei Campos, 37, sempre morou na região diz que “surgiram muitos empreendimentos em torno da RJ 100 e a infraestrutura não está acompanhando”, constata o corretor.

Atualizada no dia 16/11/15 às 10h56

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