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Saúde

RJ passa de 15 mil casos de SRAG; metapneumovírus segue em alta

RJ passa de 15 mil casos de SRAG em 2026, diz a SES. Fiocruz vê alta de metapneumovírus no estado; veja grupos de risco e sinais de alerta.

Frasco da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), uma das causas de SRAG
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O estado do Rio de Janeiro ultrapassou a marca de 15 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) divulgados nos últimos dias. O boletim InfoGripe, da Fiocruz, mostra que o metapneumovírus segue em alta no estado, embora o Rio já não esteja entre os que têm incidência em nível de alerta com tendência de crescimento.

A SRAG é o quadro em que uma infecção respiratória, em geral viral, evolui com falta de ar, queda da saturação de oxigênio e necessidade de atendimento hospitalar. Ela não é uma doença específica: pode ser causada por vírus como rinovírus, influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), metapneumovírus e o SARS-CoV-2, que provoca a covid-19.

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O número de mais de 15 mil registros foi publicado por veículos como Diário do Rio, Rio Press e Rede MRio, que citam a SES-RJ como fonte. Os textos não informam o total de mortes nem a distribuição por faixa etária ou município, o que limita a leitura do dado.

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O que dizem os boletins da Fiocruz

O InfoGripe, projeto da Fundação Oswaldo Cruz que acompanha a SRAG com base nas notificações do Ministério da Saúde, trouxe cenários diferentes em duas semanas seguidas. No boletim divulgado em 1º de outubro, referente à Semana Epidemiológica 38 (20 a 26 de setembro), o Rio de Janeiro estava entre os dois estados com SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco e com sinal de crescimento. O aumento atingia sobretudo crianças de até 4 anos e era associado ao metapneumovírus e ao rinovírus. A capital também aparecia entre as três capitais com crescimento nas últimas seis semanas.

No boletim seguinte, divulgado em 15 de outubro e referente à Semana Epidemiológica 40 (4 a 10 de outubro), a Fiocruz informou que apenas Sergipe tinha SRAG em nível de alerta e tendência de aumento de longo prazo. O Rio de Janeiro passou a constar na lista de nove estados com alta de casos graves por metapneumovírus, ao lado de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe. A capital fluminense não está entre as seis capitais citadas com incidência em alerta, risco ou alto risco.

Cenário nacional e vírus em circulação

Segundo o boletim de 15 de outubro, o metapneumovírus é o único vírus respiratório com tendência de aumento em nível nacional. Nas últimas quatro semanas, o rinovírus foi o mais frequente entre os casos de SRAG com resultado positivo (53%), seguido pelo VSR (14,3%), pela influenza B (5,7%), pelo SARS-CoV-2 (4,8%) e pela influenza A (2,8%). Os casos graves de covid-19 seguem em nível baixo em todas as faixas etárias.

Em reportagem da Agência Brasil sobre o boletim de 8 de outubro, os pesquisadores recomendaram que “a população prioritária verifique se está em dia com a vacinação contra a covid-19” e que as gestantes se vacinem contra o VSR. A incidência de SRAG é maior em crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade se concentra em pessoas com 65 anos ou mais.

Histórico em 2026: alerta em junho

O ano já havia tido um pico anterior. Em junho, reportagem do Serra News, com base no InfoGripe, informou que o estado entrou em nível de alerta, com mais de 7 mil internações e 424 mortes por SRAG desde janeiro. Na ocasião, o VSR era o principal responsável entre crianças menores de 2 anos, o rinovírus pesava entre crianças e adolescentes de até 14 anos, e a influenza estava ligada ao maior número de óbitos entre idosos. A capital liderava as internações, seguida por São Gonçalo, Niterói, Petrópolis, Macaé e Nova Iguaçu.

A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, afirmou à época: “Classificamos o estado em nível de alerta para SRAG”. O mesmo levantamento apontou que, até 3 de junho, 27,5% do público prioritário havia tomado a vacina contra a gripe, cerca de 1,2 milhão de doses, bem abaixo da meta de 90% do Ministério da Saúde. Os números de junho e o total de mais de 15 mil casos têm critérios e períodos diferentes e não devem ser somados.

Sinais de alerta e orientações oficiais

O Ministério da Saúde lista como sinais que exigem atendimento imediato falta de ar, dificuldade para respirar, dor ou pressão persistente no peito e lábios ou rosto arroxeados. Em crianças pequenas, o alerta inclui respiração rápida, esforço para respirar, dificuldade para se alimentar e sonolência excessiva. Em idosos, confusão mental e piora súbita do estado geral. Em casos graves, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.

Entre as medidas de prevenção estão manter a vacinação em dia, lavar as mãos, ventilar os ambientes, evitar aglomerações em locais fechados e cobrir tosse e espirros. Antibióticos não tratam infecções virais, e a avaliação sobre o uso de antivirais cabe ao médico, principalmente em pacientes de maior risco. O texto tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.

O que ainda não está claro

A reportagem não localizou, até a publicação, posicionamento adicional da SES-RJ detalhando a data de corte do balanço, o número de óbitos em 2026 ou a distribuição dos casos entre capital, Baixada Fluminense e Região Metropolitana, incluindo Niterói e São Gonçalo. Esses dados são necessários para avaliar se a alta do metapneumovírus pressiona a rede de saúde. O Correio da Cidade Online segue acompanhando os próximos boletins da Fiocruz e atualizará a matéria caso a secretaria divulgue novos números.

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