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Secretário de Queimados morre baleado em abordagem da PM na Av. Brasil

Secretário de Queimados Jefferson da Linave morre baleado por PMs na Avenida Brasil. Nada foi achado no carro; governo afasta policiais. Entenda.

Viaturas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro enfileiradas (imagem de arquivo)
Viaturas da PMERJ (imagem de arquivo). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, na Baixada Fluminense, Jefferson Dias da Silva, de 51 anos, morreu baleado por policiais militares na noite desta segunda-feira (19) durante uma tentativa de abordagem na Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio. Nenhuma arma ou droga foi encontrada no carro. Nesta terça-feira (20), o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, mandou afastar os PMs envolvidos.

Conhecido como Jefferson da Linave, o secretário era ex-vereador de Queimados e filiado ao Democracia Cristã (DC). Segundo as informações divulgadas até agora, ele dirigia sozinho um carro elétrico BYD branco e voltava de um compromisso na Barra da Tijuca quando o veículo foi alvo dos disparos. Ele morreu no local, nas imediações da estação Marinha Mercante do BRT, na Penha.

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Vídeos gravados por motoristas que passavam pela via e publicados nas redes sociais mostram ao menos dois policiais atirando contra o carro em movimento. O veículo parou alguns metros depois. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

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O que diz a versão preliminar da PM

De acordo com o registro preliminar da ocorrência, citado pela imprensa, os policiais do 22º BPM (Maré) tentaram parar o carro na altura de Bonsucesso. O motorista teria desobedecido à ordem, seguido em alta velocidade, com um pneu danificado, e furado dois bloqueios: o primeiro perto de Bonsucesso e o segundo cerca de 7 quilômetros adiante. Ainda segundo esse relato, um policial atirou em direção ao pneu depois de ouvir três disparos. Os tiros finais ocorreram perto do Ciaga, centro de instrução da Marinha, na Penha.

O documento não informa de onde teriam partido os disparos ouvidos pelo policial. Até a última atualização desta reportagem, não havia indicação de que alguém dentro do carro tivesse atirado.

Em nota, a Polícia Militar lamentou a morte e disse que “as circunstâncias do fato serão esclarecidas através das investigações que estão em andamento”. A corporação informou que preservou e isolou o local para a perícia e que a Corregedoria-Geral abriu um procedimento interno para apurar a conduta dos agentes.

Afastamento, armas apreendidas e câmeras corporais

O governo do estado anunciou o afastamento dos policiais. Em nota, afirmou que “a gravidade do episódio exige uma apuração rigorosa, célere e transparente”. O número de agentes afastados não foi divulgado, e nenhum deles foi preso.

Segundo a Polícia Civil, a perícia foi feita no local, os PMs já prestaram depoimento e as armas foram apreendidas para exame de confronto balístico. As imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais estão sendo analisadas e devem ajudar a esclarecer a sequência dos fatos, inclusive se houve ou não disparo de dentro do carro. A Polícia Civil afirmou que “o caso precisa ser investigado, a fim de apurar quem realizou o disparo”.

O que a lei diz sobre atirar em carro que fura bloqueio

A Portaria Interministerial nº 4.226, de 2010, que fixa as diretrizes sobre o uso da força pelos agentes de segurança pública, diz que não é legítimo atirar contra um veículo que desrespeite um bloqueio policial, a não ser que o ato represente risco imediato de morte ou de lesão grave para os agentes ou para outras pessoas. A Lei 13.060, de 2014, também determina que os órgãos de segurança deem prioridade a instrumentos de menor potencial ofensivo.

A investigação terá de responder a essa questão central: se havia ameaça concreta que justificasse os tiros ou se a reação foi desproporcional diante de um motorista que, segundo a versão preliminar, apenas não obedeceu à ordem de parada.

Repercussão em Queimados

O prefeito de Queimados, Glauco Kaizer (União Brasil), foi ao local e acompanhou o trabalho da perícia. Nas redes sociais, lamentou a morte do secretário. A prefeitura divulgou nota de pesar e se solidarizou com a esposa e a filha de Jefferson. A esposa, Cíntia Belchior, foi ouvida pelas autoridades. Até a publicação desta reportagem, não havia data definida para o sepultamento.

A morte também alterou a agenda política no município: uma carreata em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro, marcada para esta terça-feira em Queimados, foi cancelada.

Durante o trabalho da perícia, na noite de segunda-feira, duas faixas da pista lateral da Avenida Brasil no sentido Baixada foram interditadas, com apoio da CET-Rio.

Próximos passos

A DHC deve concluir a análise das câmeras corporais, dos vídeos feitos por testemunhas e do laudo balístico para definir quem fez os disparos que mataram o secretário e se houve excesso. A apuração da Corregedoria da PM corre em paralelo e pode resultar em punições administrativas, independentemente do inquérito criminal. O Ministério Público acompanha o caso.

O episódio reacende o debate sobre abordagens policiais em vias expressas da Região Metropolitana, como a Avenida Brasil, por onde passam diariamente milhares de moradores da Baixada Fluminense a caminho da capital. O Correio da Cidade Online segue acompanhando as investigações.

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