Estado apresenta Centro de Memória da Imigração para 2016

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Complexo Arquitetônico Ilha das Flores -  Hospedaria

Complexo Arquitetônico Ilha das Flores – Hospedaria

Cercado de histórias sobre a imigração no Brasil, o Centro de Memória da Imigração, localizado no Complexo Naval da Ilha das Flores, em São Gonçalo, foi apresentado a representantes do Comitê Rio 2016, Empresa Olímpica Municipal e Autoridade Pública Olímpica na sexta-feira (27/11).

A visita foi organizada pelo secretário da Casa Civil, Leonardo Espíndola, e o secretário de Turismo, Nilo Sérgio. O Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores foi criado em 2012, por uma parceria entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Marinha do Brasil com o patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Janeiro (Faperj).

A área, que funciona como um museu a céu aberto, é um marco na história da imigração e migração do país, já que serviu como local de passagem dos estrangeiros que chegavam ao Brasil entre o final do século XIX e o início do XX, antes destes se mudarem para outras regiões, como Sul e Norte, interior de São Paulo e cidades serranas do Rio. Em mais de 80 anos (1883-1966), a hospedaria recebeu portugueses, espanhóis, italianos, alemães, austríacos, russos, poloneses, árabes e judeus, entre outros grupos. Também abrigou migrantes nacionais e funcionou como prisão militar e política em diversos momentos.

Durante a primeira década de funcionamento, recebeu centenas de milhares de europeus. Foi o local de maior entrada de imigrantes, nesse período.

– A Ilha das Flores foi a porta de entrada dos imigrantes, já que sediou a primeira hospedaria de imigrantes do país. Durante esta visita, viemos trabalhar para resgatar essa memória e pensarmos em formas de repassá-la para que a população possa conhecer um pouco mais da sua história e cultura. Milhares e milhares de famílias passaram por aqui e pouca gente sabe dessa realidade – ressaltou o secretário da Casa Civil, Leonardo Espíndola. ilha1O espaço possui totens explicativos e conta com guias que relatam algumas das histórias marcantes de vida dos que passaram por ali, bem como detalhes do importante conjunto arquitetônico. É possível conhecer por fora os alojamentos que recebiam temporariamente os imigrantes e migrantes, o cais em que aportavam as embarcações, os locais de convivência e as áreas de serviço. Calcula-se que mais de 500 mil pessoas passaram pela hospedaria da Ilha das Flores.

– Após essa visita, a Ilha das Flores foi certificada como equipamento de interesse turístico para o Estado do Rio de Janeiro, reafirmando a potencialidade turística e cultural do local e colaborando para que todo esse patrimônio seja partilhado com cada vez mais visitantes, nacionais e internacionais – disse o secretário de Turismo, Nilo Sérgio.

Complexo Arquitetônico Ilha das Flores - Capela Santa Terezinha

Complexo Arquitetônico Ilha das Flores – Capela Santa Terezinha

Apenas a partir de 1971 a ilha passou a ser sede do Comando da Tropa de Reforço do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha, que preserva a instalação cultural. Para a diretora de Cultura do Comitê Rio 2016, Carla Camurati, a visita foi uma grande surpresa.

– Temos muito a fazer. Será um ganho para o Estado do Rio de Janeiro descobrir o que tem na Ilha das Flores e um privilégio ter a chance de apresentar isso para os nossos visitantes – afirmou Camurati.

No início de novembro deste ano, com a assinatura do protocolo de cooperação com o Museu Nacional da Imigração Ellis Island, de Nova York, o Museu de Imigração da Ilha das Flores entrou oficialmente para o circuito internacional de instituições destinadas ao tema da imigração.

– Acredito que esse equipamento cultural, ao refletir sobre deslocamentos migratórios e a imigração, possa nos fazer pensar fortemente como chegamos a ser o que somos e o que almejamos enquanto sociedade brasileira. E ao pensar sobre as nossas condições históricas e própria existência, também é o espaço de pensar o que queremos em relação ao mundo, aos estrangeiros e aos imigrantes – disse o professor da Uerj e coordenador do Centro de Memória da Ilha das Flores, Luís Resnik. As visitas ao Centro de Memória de Imigração são gratuitas e devem ser agendadas no site www.hospedariailhadasflores.com.br.

Complexo Arquitetônico Ilha das Flores- Cais de entrada do Hospedaria

Complexo Arquitetônico Ilha das Flores- Cais de entrada do Hospedaria

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