Homem morre baleado em ação do Segurança Presente em São Gonçalo
Amigo da vítima diz que agentes chegaram atirando em bar no Porto Novo; Polícia Civil investiga e coordenação do programa abre procedimento interno
Um homem morreu baleado na noite de domingo (11) em um bar da comunidade do Porto Novo, em São Gonçalo, durante uma ação de agentes da Operação Segurança Presente. Leonardo Lucas Couto Salles de Freitas chegou a ser levado ao Pronto-Socorro Central do município, mas não resistiu. Um amigo da vítima afirma que os policiais chegaram ao local atirando. A Polícia Civil investiga o caso, e a coordenação do programa anunciou a abertura de um procedimento interno.
O que se sabe sobre o caso
De acordo com o registro da ocorrência, divulgado por veículos da imprensa local como O São Gonçalo, A Tribuna e Rio Press, o caso aconteceu por volta das 22h, na Rua Carlinda Dutra, no Porto Novo. Leonardo estava em um bar com amigos quando foi atingido por um disparo de arma de fogo.
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Ainda segundo os relatos, foi um dos amigos quem socorreu a vítima e a levou ao Pronto-Socorro Central de São Gonçalo. Leonardo morreu na unidade. A idade e a profissão dele não foram informadas oficialmente até a publicação desta reportagem.
Policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) foram acionados ao hospital depois da chegada do homem ferido. A partir daí, a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) foi comunicada e assumiu a investigação.
Versão de testemunha
Em depoimento registrado pela polícia, o amigo que estava com Leonardo afirmou que agentes do Segurança Presente entraram na comunidade já disparando e que a vítima foi atingida dentro do bar. Os relatos reunidos pelos veículos que acompanharam o caso tratam o tiro como uma possível bala perdida.
Até o momento, não há informação pública sobre a apreensão de armas, a existência de confronto ou a identificação dos agentes que participaram da ação. Também não foi divulgado se os policiais envolvidos usavam câmeras corporais nem se as armas deles foram recolhidas para perícia.
O que dizem as polícias
Em nota, a Polícia Civil informou que a DHNSG investiga a morte e que “diligências estão em andamento para esclarecer as circunstâncias”. A corporação ainda não confirmou a versão apresentada pelos amigos da vítima.
A Polícia Militar, segundo o jornal O São Gonçalo, informou que o coordenador-geral da Operação Segurança Presente “irá instaurar um procedimento para apurar todas circunstâncias do fato”. A PM não detalhou, porém, qual era o objetivo da ação no Porto Novo nem se houve troca de tiros. Outros veículos registraram que a corporação não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem até o fechamento de suas matérias.
O papel do Segurança Presente
A Operação Segurança Presente é um programa do Governo do Estado criado em 2014. A proposta é de policiamento de proximidade: as equipes reúnem policiais militares, muitos em horário de folga e remunerados por meio de convênios, e agentes civis egressos das Forças Armadas. O programa atua em bairros com grande circulação de pessoas e tem bases em diversas cidades da Região Metropolitana, entre elas São Gonçalo.
Por ter como foco a prevenção e o patrulhamento ostensivo, a participação de equipes do programa em uma ocorrência com morte reabre o debate sobre protocolos de abordagem, especialmente em áreas residenciais e em horários de maior movimento, como a noite de domingo.
Contexto: mortes em ações policiais no estado
O caso ocorre em meio a um cenário de alta da letalidade policial no Rio de Janeiro. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgados pela Agência Brasil em janeiro, o estado registrou 797 mortes por intervenção de agente do Estado em 2025, contra 703 em 2024 — um aumento de 13%. No mesmo período, 19 agentes de segurança foram mortos, ante 12 no ano anterior.
As mortes em ações policiais representam uma parcela relevante dos 3.881 casos de letalidade violenta contabilizados pelo ISP em 2025, indicador que reúne também homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
Próximos passos da investigação
A apuração da DHNSG deve incluir perícia no local, exame cadavérico no Instituto Médico Legal, coleta de depoimentos de testemunhas e dos agentes envolvidos e eventual confronto balístico. Esse último procedimento é o que pode indicar de qual arma partiu o disparo que matou Leonardo.
Paralelamente, o procedimento interno anunciado pela coordenação do Segurança Presente vai analisar a conduta das equipes. Casos de morte em ação policial também costumam ser acompanhados pelo Ministério Público do Estado (MPRJ), responsável pelo controle externo da atividade policial.
Conclusão
A morte de Leonardo Lucas Couto Salles de Freitas segue sem esclarecimento oficial. Enquanto a família e os amigos aguardam respostas, a investigação terá de confrontar o relato da testemunha, que aponta disparos feitos pelos agentes ao chegar ao local, com a versão que a Polícia Militar ainda não apresentou publicamente. O Correio da Cidade Online acompanha o caso e atualizará esta reportagem caso surjam novas informações.
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