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ISP: mortes violentas caem 25% em setembro no RJ; roubo de carro sobe

Letalidade violenta cai 25,4% em setembro no RJ, diz ISP. No ano, queda é de 6,9%, mas roubos de veículos sobem 3,6%. Veja os números e o que dizem os dados.

Viatura da Polícia Civil do Rio de Janeiro
Viatura da Polícia Civil no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 4.0)

O Estado do Rio de Janeiro registrou 250 vítimas de letalidade violenta em setembro de 2026, número 25,4% menor que o do mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). No acumulado de janeiro a setembro, foram 2.648 vítimas, queda de 6,9%. O balanço, porém, traz um sinal de alerta: os roubos de veículos subiram 3,6% no ano e chegaram a 17.753 casos, cerca de 65 por dia.

O indicador de letalidade violenta reúne homicídios dolosos, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios (roubos seguidos de morte) e mortes provocadas por agentes do Estado. É a principal medida usada pelo governo fluminense para acompanhar a violência letal no território.

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Mortes em ações policiais recuam, mas ainda pesam

As mortes por intervenção de agentes do Estado somaram 40 casos em setembro, recuo de 20% frente a setembro de 2025. Entre janeiro e setembro, foram 501 registros, 3,7% a menos que no mesmo período do ano anterior. Mesmo com a redução, esse tipo de ocorrência ainda responde por quase uma em cada cinco mortes violentas contabilizadas no estado em 2026.

A trajetória do ano não foi linear. Em julho, o próprio ISP havia apontado alta de 25% na letalidade violenta em relação a julho de 2025, com 301 vítimas, e aumento de 45% nas mortes em confrontos com a polícia naquele mês. A queda expressiva de setembro, portanto, ocorre depois de um período de piora, o que recomenda cautela na leitura de um único mês.

Roubos de rua e de carga caem

Os roubos de rua — categoria que inclui assaltos a pedestres, roubos de celular e crimes dentro de ônibus — tiveram 3.667 registros em setembro, queda de 17,1%. No acumulado do ano, foram 35.927 casos, 19,5% a menos. Os roubos de carga despencaram 47% em setembro, com 96 ocorrências, embora no ano a redução seja de apenas 1,4% (2.131 casos).

Roubo de veículos vai na contramão

O principal ponto negativo do levantamento está nos roubos de veículos. Em setembro houve 1.443 casos, queda de 19,8% na comparação mensal, mas o acumulado de 2026 mostra alta de 3,6%, com 17.753 registros. A recuperação de veículos também cresceu, 2,1% no ano, com 13.162 unidades, mas segue bem abaixo do volume de roubos. Em setembro, as recuperações caíram 30,5%, para 971.

Para quem depende do carro ou da moto para trabalhar, como motoristas de aplicativo e entregadores, o dado tem impacto direto no bolso e na rotina de trabalho.

Apreensões de fuzis e prisões aumentam

As polícias apreenderam 4.774 armas entre janeiro e setembro, alta de 7,8%. Os fuzis apreendidos chegaram a 666, aumento de 12,7%, o que equivale a mais de dois por dia. Em setembro, isoladamente, houve recuo nas duas categorias: 466 armas (-11,2%) e 71 fuzis (-5,3%). As prisões em flagrante somaram 32.634 no ano (+3%) e os mandados de prisão cumpridos, 9.851 (+8,1%).

Monitoramento independente aponta tiros em assaltos

Os números oficiais convivem com outro retrato, feito pelo Instituto Fogo Cruzado, que monitora tiroteios na Região Metropolitana. Em relatório divulgado no dia 13, a entidade contou 154 tiroteios em setembro, queda de 15%, com 122 pessoas baleadas — 56 mortas e 66 feridas. As ações policiais concentraram 54,5% dos registros de disparos.

O dado que mais preocupa os pesquisadores é o de pessoas baleadas durante assaltos: foram 14 em setembro, alta de 55,5% em relação aos nove casos de setembro de 2025, o equivalente a uma vítima a cada dois dias. Segundo a gerente de pesquisa do instituto, Terine Husek Coelho, o roubo deixou de ser apenas um crime patrimonial e passou a ser fator central da violência armada, situação que ela classificou como “um dado preocupante”.

No Leste Fluminense, o Fogo Cruzado registrou em setembro 8 tiroteios em Maricá, com 2 mortos e 3 feridos — o bairro de Inoã aparece entre os mais afetados da região metropolitana —, e 6 tiroteios em São Gonçalo, com 4 mortos e 1 ferido. A capital concentrou 63% dos casos, com 97 tiroteios.

O que vem pela frente

Os dados chegam em meio à transição de governo no estado, conduzida pelo governador em exercício Ricardo Couto, e a poucos dias do segundo turno das eleições, para o qual o TRE-RJ pediu ao TSE o envio de tropas federais a 15 municípios. A comparação de outubro deve ser influenciada pela megaoperação de 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, a mais letal da história do estado, o que tende a inflar a base do ano passado e favorecer quedas estatísticas no próximo balanço.

O balanço divulgado nesta sexta trata do estado como um todo. Os recortes por município e por área de batalhão, que permitem avaliar a situação de cidades como Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí, estão disponíveis na plataforma ISP Conecta, mantida pelo instituto.

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