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Operação prende suspeitos de roubar R$ 488 mil em remédios na Dutra

Polícia Civil faz Operação Sentinela contra quadrilha que roubou R$ 488 mil em remédios na Dutra usando carros de aplicativo. Veja o que se sabe.

Viatura da Polícia Civil do Rio de Janeiro
Viatura da Polícia Civil do RJ (imagem ilustrativa) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã deste sábado (17) a Operação Sentinela contra uma quadrilha suspeita de roubar, no fim de setembro, uma carga de medicamentos avaliada em R$ 488.042,49 na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna, Zona Norte da capital. Segundo a investigação, ao menos três carros usados no crime estavam cadastrados em um aplicativo de transporte de passageiros e seguiam fazendo corridas normalmente depois do roubo.

A ação foi conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), com apoio do setor de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A Justiça expediu três mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão, além de autorizar a apreensão de cinco veículos identificados pelos investigadores. Dois suspeitos foram presos por força dos mandados, de acordo com o g1 e a Super Rádio Tupi. Outros veículos regionais informam que um terceiro homem foi detido em flagrante durante as buscas e que um dos alvos é considerado foragido. Os nomes dos presos não foram divulgados.

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Como o roubo foi executado

O crime ocorreu em 30 de setembro. De acordo com a Polícia Civil, o caminhão levava 16 paletes de remédios e foi interceptado poucos minutos depois de deixar a transportadora. Cerca de dez homens armados participaram da ação, distribuídos em cinco carros e duas motocicletas, com funções definidas: parte do grupo vigiava a saída do veículo, outra parte fazia a abordagem do motorista e um terceiro núcleo escoltava a carga roubada.

Ainda segundo os investigadores, um dos integrantes tinha conhecimento técnico para desativar o sistema eletrônico de bloqueio e o rastreador do caminhão. Em seguida, as placas foram trocadas pelas de outro veículo de características semelhantes, manobra usada para dificultar a identificação por câmeras. O caminhão foi encontrado dias depois nas imediações do Complexo da Maré, sem os medicamentos.

Uso de carros de aplicativo

O ponto que mais chamou a atenção da polícia foi o papel dos automóveis cadastrados em plataforma de transporte. Conforme o relato da DRFC divulgado pela imprensa, os motoristas permaneciam em pontos estratégicos da rodovia e informavam aos demais integrantes, em tempo real, sobre a presença de viaturas. A atividade profissional servia como justificativa para que ficassem parados ou circulando na região sem levantar suspeitas.

Para chegar aos veículos, a equipe cruzou, ao longo de 15 dias, imagens de câmeras de segurança, registros de leitores de placas, dados de rastreamento e relatórios fornecidos por empresas privadas. Até a última atualização, a empresa responsável pelo aplicativo não havia sido citada pela polícia nem se manifestado publicamente sobre o caso.

Suspeita de ligação com facção

A investigação aponta possíveis vínculos do grupo com criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina áreas do Complexo da Maré, região onde o caminhão foi abandonado. A polícia não detalhou publicamente as provas dessa conexão, e a participação de cada investigado ainda está sendo apurada.

Um dos alvos, segundo a Polícia Civil, tem relação com o grupo investigado na Operação Metástase, deflagrada em 21 de julho. Naquela ação, a polícia apontou uma organização que roubava medicamentos oncológicos e imunossupressores, usados no tratamento de câncer, lúpus e artrite reumatoide, e os reinseria no mercado, inclusive em compras públicas, por meio de empresas de fachada. O esquema teria movimentado mais de R$ 33 milhões em um ano, com bloqueio judicial de R$ 30 milhões e ao menos 20 roubos semelhantes em seis meses. Na ocasião, cinco pessoas foram presas, e a Maré também foi citada como ponto de redistribuição das cargas.

Contexto: roubo de carga no estado

Os dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP), divulgados nesta semana, mostram queda de 1,4% nos roubos de carga no estado entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A redução é discreta diante de outros indicadores: no mesmo intervalo, os roubos de celular caíram 20% e os homicídios dolosos recuaram 7,9%, enquanto os roubos de veículos subiram 3,6%, com média de 65 casos por dia.

O roubo de medicamentos preocupa de forma particular porque os produtos podem voltar ao mercado sem controle de armazenamento e temperatura, o que representa risco sanitário para pacientes, além de prejuízo para distribuidores e para o abastecimento de farmácias e hospitais.

O que falta esclarecer

Até o momento, os medicamentos não foram recuperados, e a Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos, localizar a carga e definir a responsabilidade de cada suspeito. Também não foi divulgado se o grupo usou o mesmo método em outros roubos. Os presos devem passar por audiência de custódia, e a defesa dos investigados não havia sido identificada até a publicação desta reportagem.

O caso reforça a tendência, observada em operações recentes da DRFC, de quadrilhas especializadas em cargas de alto valor, com divisão de tarefas, uso de tecnologia para burlar rastreadores e apoio de facções que controlam territórios para esconder e revender a mercadoria.

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