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Política

Alerj começa a discutir orçamento de 2027 com R$ 7,5 bi incertos

Orçamento do RJ para 2027 vai ao plenário da Alerj na terça (3) com déficit de R$ 13,98 bi e R$ 7,5 bi em receitas incertas. Veja números e calendário.

Fachada do Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no Centro do Rio
Fachada do Palácio Tiradentes, sede histórica da Alerj, no Centro do Rio. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O orçamento do Estado do Rio de Janeiro para 2027 chega ao plenário da Assembleia Legislativa (Alerj) nesta terça-feira (3), quando começam as duas primeiras discussões do projeto. A proposta prevê gastar R$ 138,37 bilhões e arrecadar R$ 124,39 bilhões, um déficit de R$ 13,98 bilhões. Mesmo esse resultado depende de cerca de R$ 7,5 bilhões em receitas que o próprio texto classifica como condicionadas, ou seja, que só entram no caixa se determinadas condições se confirmarem.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PL 8.378/2026) foi enviado pelo governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, e tramita junto com a revisão do Plano Plurianual 2024-2027 (PL 8.377/2026). Na terça-feira passada (27), a Comissão de Orçamento aprovou por unanimidade o parecer prévio sobre os dois textos, o que liberou a ida ao plenário.

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A peça, no entanto, será executada por outro governo. O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), foi proclamado governador eleito no primeiro turno e toma posse em janeiro, herdando as contas que os deputados começam a debater agora.

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Receitas que ainda não estão garantidas

Segundo os números apresentados à comissão pelas secretarias de Fazenda e de Planejamento, a maior parte das receitas condicionadas, R$ 6,34 bilhões, vem de participações especiais sobre a produção de petróleo, recursos que dependem de negociação com a Petrobras. Completam a conta R$ 792,5 milhões com a cobrança de dívida ativa de ICMS e R$ 362,1 milhões com a venda de imóveis do estado.

Se esse dinheiro não se confirmar, o buraco nas contas de 2027 tende a ser maior do que o previsto. A arrecadação tributária projetada é de R$ 86,57 bilhões, alta de 7,7% sobre os R$ 80,40 bilhões estimados para este ano. Só o ICMS, principal imposto estadual, deve render R$ 63,20 bilhões, contra R$ 57,32 bilhões no orçamento anterior, crescimento de cerca de 10%.

Do lado das despesas, o peso maior continua sendo a folha. Os gastos com pessoal e encargos somam R$ 80,85 bilhões, com aumento de R$ 9,64 bilhões, parte dele causado por duas parcelas de reajuste de 5,62% previstas em lei estadual de 2021. Couto atribuiu o déficit a esse crescimento e à queda real das receitas de royalties.

Onde vai o dinheiro do Propag

O projeto reserva R$ 2,28 bilhões em investimentos vinculados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), ao qual o Rio aderiu em junho. As regras do programa obrigam o estado a aplicar 60% desse valor em educação profissionalizante, cerca de R$ 1,3 bilhão. O restante se divide entre transporte (R$ 325 milhões), saneamento (R$ 256,2 milhões), segurança pública (R$ 212,7 milhões), universidades estaduais (R$ 67,3 milhões), adaptação climática (R$ 66,9 milhões) e habitação (R$ 52,4 milhões).

O deputado Luiz Paulo (PSD) elogiou a vinculação: “A obrigatoriedade de destinar 60% dos investimentos à educação profissionalizante é muito positiva”, disse, segundo o site Agenda do Poder.

Pressão por mais verba para a saúde dos municípios

Durante a análise na comissão, o presidente do colegiado, Gustavo Tutuca (PP), e o deputado Jair Bittencourt (PL) defenderam ampliar os repasses de custeio para a saúde municipal, sobretudo nas cidades menores. “A ideia é aumentar significativamente os valores destinados ao custeio, dando mais autonomia aos municípios”, afirmou Bittencourt, que disse atender a um pedido do governador eleito.

Tutuca também citou o corte de gastos da própria Assembleia. Segundo ele, a Alerj apresentou “uma posição de reduzir seus gastos com pessoal em mais de 10% para o próximo ano”. Pela Fazenda, o subsecretário Tomaz Leal destacou que o estado fechou o segundo quadrimestre de 2026 com resultado orçamentário positivo: “Conseguir esse resultado orçamentário positivo até o segundo quadrimestre nos dá fôlego”.

Contrapontos e promessas fora da conta

Apesar do consenso na comissão, o texto deixa questões em aberto. Compromissos de campanha de Ruas, como a convocação de aprovados em concursos da segurança pública e a criação de novas unidades de saúde, ainda não aparecem quantificados na proposta, como o Correio da Cidade mostrou. Parlamentares como Vinicius Cozzolino (PSD) já haviam questionado o volume de benefícios fiscais, estimado em R$ 30,4 bilhões para 2027, mais que o dobro do déficit.

Outro ponto é que parte relevante do fechamento das contas depende de receitas extraordinárias, como petróleo e venda de imóveis, e não de arrecadação recorrente. O próprio Tutuca definiu o momento como “um cenário que exige muita responsabilidade”.

Calendário até a votação final

  • 3 e 4 de novembro: primeiras discussões em plenário;
  • 5, 6, 9, 10 e 11 de novembro: prazo para emendas dos deputados;
  • 19 de novembro: publicação das emendas no Diário Oficial;
  • 8 de dezembro: Comissão de Orçamento vota os pareceres às emendas;
  • 15 de dezembro: discussão e votação em plenário;
  • 17 de dezembro: votação da redação final.

O cronograma ainda pode ser alterado. Após a aprovação, o governador terá 15 dias para sancionar ou vetar o texto.

O que muda para a população

O orçamento define quanto o estado poderá gastar em hospitais, escolas, policiamento e obras ao longo de 2027. A fase de emendas, que começa na quinta-feira (5), é quando deputados ligados a Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e demais cidades da Região Metropolitana tentam garantir recursos para suas bases. Com quase R$ 14 bilhões de déficit, R$ 7,5 bilhões em receitas incertas e um novo governo prometendo revisar a peça, a margem para novos investimentos deve seguir apertada.

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