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Entretenimento

Rubel vira alvo de Nikolas após vídeo perder música no Instagram

Nikolas Ferreira acusa o cantor Rubel, de Volta Redonda, de acionar a Sony para tirar música de vídeo eleitoral. Cantor e gravadora não comentaram.

Retrato oficial do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

O cantor e compositor fluminense Rubel, nascido em Volta Redonda, entrou no centro da disputa eleitoral nesta terça-feira (20), a cinco dias do segundo turno. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) acusou o artista de ter acionado a gravadora Sony para retirar o áudio de um vídeo de campanha publicado no Instagram, que usava sem autorização a música “Grão de Areia”. Até a última atualização desta reportagem, nem Rubel nem a Sony haviam se manifestado sobre o caso.

O vídeo, intitulado “O Nordeste que foi esquecido”, foi divulgado por Nikolas nesta terça e traz depoimentos de cinco moradores com críticas ao governo do presidente Lula (PT). A peça integra a campanha de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. Segundo a assessoria do deputado, as gravações foram feitas em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, cidade onde Flávio teve 62,03% dos votos válidos no primeiro turno, a maior votação proporcional do candidato entre os 417 municípios baianos.

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A trilha de abertura usava “Grão de Areia”, faixa lançada por Rubel em 2023 em parceria com o sambista Xande de Pilares. Pouco depois da publicação, o áudio deixou de tocar na plataforma. Nikolas foi às redes e atribuiu o bloqueio ao cantor: “A Sony foi acionada pelo Rubel pra derrubar o som. Ninguém mais pediu, só ele”, escreveu no X, segundo o Poder360. Em outra postagem, registrada pelo Metrópoles, chamou o artista de “covarde” e disse que ele teria agido “na calada”.

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O que se sabe e o que ainda não foi confirmado

A acusação do deputado não foi confirmada de forma independente. Os veículos que acompanharam o caso, como Poder360, Metrópoles e Itatiaia, procuraram Rubel e a Sony, mas não obtiveram resposta até a publicação de suas reportagens. Também não há informação oficial sobre se a restrição partiu de um pedido direto do artista, de uma reivindicação da gravadora ou dos mecanismos automáticos de identificação de direitos autorais que as plataformas digitais usam para detectar músicas protegidas.

Na semana anterior, no sábado (17), Rubel havia publicado no Instagram uma foto fazendo o gesto da letra “L”, em apoio à reeleição de Lula. Após a repercussão do vídeo, apoiadores de Flávio Bolsonaro passaram a comentar em massa nas redes do cantor, e a expressão “Não calem os nordestinos” chegou aos assuntos mais comentados do X no Brasil. O nome de Rubel também apareceu entre os trending topics da rede social na noite desta terça.

Do outro lado, perfis de esquerda e fãs do músico defenderam a retirada do áudio e compararam o episódio a casos de políticos que usaram canções sem autorização de seus autores. Nikolas, por sua vez, afirmou que ainda “dá tempo” de o cantor pedir à produtora a liberação da música.

O que diz a lei sobre o uso de músicas

No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998) estabelece que a utilização de uma obra musical depende de autorização prévia e expressa do autor ou de quem detém os direitos, como editoras e gravadoras. Na prática, isso significa que campanhas e perfis políticos não podem usar livremente uma canção em peças de propaganda, ainda que o conteúdo seja publicado de forma gratuita nas redes sociais.

Disputas desse tipo são frequentes em períodos eleitorais, no Brasil e no exterior. Artistas de diferentes posições políticas já pediram a retirada de suas músicas de vídeos de candidatos, e as plataformas costumam silenciar o áudio ou remover o conteúdo quando recebem uma reivindicação de direitos.

Quem é Rubel

Rubel Brisolla Rodrigues nasceu em Volta Redonda, no Sul Fluminense, e é apontado como um dos nomes de destaque da chamada nova MPB, com influências de folk e música indie. Ganhou projeção nacional em 2015 com “Quando Bate Aquela Saudade”, que entrou na trilha da novela “Onde Nascem os Fortes”, da TV Globo.

O artista lançou os álbuns “Pearl” (2013), “Casas” (2018) e “As Palavras, Vol. 1 e 2” (2023), além de “Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?”, de 2025. “Casas” e “As Palavras” receberam indicações ao Grammy Latino em categorias de álbuns em língua portuguesa. Segundo a Itatiaia, o cantor soma mais de 3,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Música e política na reta final

O episódio mostra como as redes sociais e a cultura pop ocupam espaço central na reta final da campanha presidencial, marcada por disputa acirrada nas pesquisas. Vídeos curtos, trilhas sonoras e a participação de artistas, tanto em atos de rua quanto nas plataformas digitais, têm sido usados pelas duas campanhas para mobilizar eleitores, especialmente em regiões consideradas decisivas, como o Nordeste.

O segundo turno das eleições está marcado para o próximo domingo (25). Até lá, a tendência é que a disputa sobre o uso da música continue nas redes. O Correio da Cidade Online segue aberto para publicar o posicionamento de Rubel, da Sony e de Xande de Pilares, caso se manifestem.

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