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Política

Ato pró-Lula ocupa orla de Copacabana a 13 dias do 2º turno

Milhares de apoiadores de Lula ocupam a Avenida Atlântica no feriado. Flávio Bolsonaro venceu o 1º turno com 47,03%; 2º turno é em 25 de outubro.

Mobilização no feriado de Nossa Senhora Aparecida reuniu milhares na Avenida Atlântica; presidente ficou em Brasília, e Flávio Bolsonaro, que lidera após o primeiro turno, foi a missa na capital federal

Milhares de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocuparam a orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na tarde desta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida. O ato pela reeleição do petista ocorreu a 13 dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, em que Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mais votado na primeira rodada.

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A concentração começou no início da tarde na altura do Posto 5, entre as ruas Barão de Ipanema e Xavier da Silveira. Em cerca de meia hora, os manifestantes já tomavam as pistas da Avenida Atlântica ao longo de aproximadamente sete quarteirões, segundo imagens de televisão citadas por veículos que acompanharam a manifestação. Nem a organização nem as autoridades divulgaram estimativa oficial de público até a publicação desta reportagem.

Perfil do público e presenças políticas

Predominaram roupas e bandeiras vermelhas, além de adesivos com o nome e o número do candidato e cartazes contra o adversário. Estudantes, famílias, sindicalistas e políticos de esquerda participaram do ato, que foi pacífico, de acordo com os relatos publicados. Entre as presenças citadas estavam a deputada federal Benedita da Silva (PT), que não conseguiu se eleger ao Senado, a deputada Jandira Feghali (PCdoB), reeleita para a Câmara, e William Siri (PSOL), derrotado na disputa pelo governo do estado.

Ouvida pela Agência Brasil, a professora aposentada Clara Davidorch, de 87 anos, foi à orla com duas amigas e fez um apelo aos eleitores: “Venham votar. Estou muito otimista.” A estudante de pós-graduação Suelen Geovana, de 25 anos, saiu de Campo Grande, na Zona Oeste, para participar: “A gente vai virar”, afirmou.

O próprio presidente não compareceu. Lula passou o feriado em Brasília, onde participou de missa em homenagem à padroeira na capela do Palácio da Alvorada. A figura de Nossa Senhora Aparecida foi lembrada nos discursos em Copacabana, segundo o Poder360.

Impacto no transporte

A movimentação provocou lotação nas estações Cantagalo, Siqueira Campos e Botafogo do metrô, usadas por quem chegava de outras regiões da cidade. Não houve registro de ocorrências graves nos relatos divulgados até o fim da tarde. Para o mesmo dia, a campanha previa ainda atividades na Praça da Cantareira, em Niterói, na Quinta da Boa Vista, nos Arcos da Lapa e em Nilópolis, na Baixada Fluminense.

O cenário do segundo turno

O ato carioca integra uma série de mobilizações petistas após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro. Com 100% das seções apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 47,03% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro, cerca de 56,1 milhões de votos, contra 45,16% de Lula, com aproximadamente 53,9 milhões. A diferença ficou em torno de 2,2 milhões de votos.

No domingo (11), Lula participou de manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, onde pediu que apoiadores procurassem quem deixou de votar no primeiro turno. “Tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar”, disse o presidente, segundo o Metrópoles. Na quarta-feira (7), outro ato, organizado pela UNE, já havia levado milhares de jovens da Candelária à Cinelândia, no Centro do Rio.

O Rio de Janeiro é território estratégico para os dois lados. Flávio é senador pelo estado, e o PL saiu fortalecido da eleição local com a vitória de Douglas Ruas para o governo ainda no primeiro turno, confirmada após a retotalização feita pelo TRE-RJ. Na capital, segundo o portal Tempo Real RJ, Flávio obteve 47,88% dos votos válidos, contra 43,91% de Lula. Em Copacabana, o petista teve 53,5%.

O que diz a campanha adversária

Procurada pela Agência Brasil, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o ato até o fechamento da reportagem da agência. No feriado, o candidato do PL participou de missa na Catedral Metropolitana de Brasília, presidida pelo cardeal dom Paulo Cezar Costa, conforme agenda divulgada por sua assessoria. A campanha também negou boatos de que o senador defenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil — tema que circulou nas redes no fim de semana.

A data religiosa acabou atravessada pela disputa eleitoral. O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, pediu que a festa não fosse usada politicamente: “Que ninguém venha a Aparecida para alimentar divisões ou animosidades”, declarou, segundo o Metrópoles. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirma que a Igreja não indica candidatos nem partidos.

Próximos passos

Com o horário eleitoral gratuito em andamento e novas pesquisas previstas para esta semana, as duas campanhas devem intensificar a agenda de rua no Sudeste, região que concentra o maior eleitorado do país. Para o eleitor fluminense, a reta final também reacende a atenção às regras de propaganda e à segurança dos atos públicos, já que novas manifestações de ambos os lados são esperadas na capital e na Região Metropolitana até 25 de outubro.

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