TRE-RJ pede tropas federais no 2º turno em 15 cidades do Rio
TRE-RJ aprova pedido de Exército, Marinha e Aeronáutica no 2º turno em 15 cidades do Rio e cita controle de facções e milícias. Pedido vai ao TSE.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) aprovou por unanimidade, na quinta-feira (15), o pedido de envio de tropas federais para reforçar a segurança do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, em 15 municípios do estado. A solicitação segue agora para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que precisa autorizá-la antes de encaminhar o pedido formal ao Ministério da Defesa.
A decisão foi tomada em sessão plenária no Palácio da Democracia, sede do tribunal no Centro do Rio, e repete a medida adotada no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Se o pedido for aceito, militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica voltarão a atuar no apoio logístico à distribuição das urnas eletrônicas e no patrulhamento de vias expressas.
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Quais cidades podem receber as tropas
A lista é a mesma do primeiro turno e concentra-se na Região Metropolitana. Estão incluídos a capital, Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Queimados, São João de Meriti, Seropédica, Itaguaí, São Gonçalo, Itaboraí, Magé e Niterói.
Juntas, essas cidades reúnem parte expressiva do eleitorado fluminense. Segundo dados do TRE-RJ divulgados em agosto, o estado tem cerca de 12,86 milhões de eleitores aptos, o terceiro maior colégio eleitoral do país. Só a capital soma 4,95 milhões de votantes. Na sequência aparecem São Gonçalo, com 653,4 mil eleitores, Duque de Caxias, com 635 mil, e Nova Iguaçu, com 615,3 mil — todos na lista de municípios que podem receber o reforço militar.
O argumento do tribunal
Relator do pedido, o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que os motivos que justificaram a convocação das Forças Armadas no primeiro turno continuam válidos. “O cenário de segurança pública permanece inalterado”, disse, segundo o site do tribunal e a Agência Brasil.
De acordo com o magistrado, persiste no estado o controle territorial armado exercido por facções criminosas e grupos milicianos sobre áreas extensas e locais de votação da Região Metropolitana. Para ele, trata-se de “grave e continuada ameaça ao livre exercício do voto”, que também atinge a segurança de eleitores, juízes, mesários e servidores da Justiça Eleitoral.
O pedido tem base na Resolução 21.843/2004 do TSE, que regulamenta a chamada Garantia da Votação e Apuração, e conta com o apoio do governo do estado, exigência prevista na norma.
Como foi o esquema no primeiro turno
No primeiro turno, o TSE aprovou por unanimidade, no início de setembro, o envio das forças federais ao Rio. Em reunião no Comando Militar do Leste, no fim daquele mês, foi apresentado um plano com 6.732 militares, 41 blindados para patrulhar vias expressas, duas aeronaves e 13 embarcações — usadas, entre outras funções, para levar urnas por mar a ilhas como Paquetá, conforme noticiou a BandNews FM.
Pelas regras da operação, os militares não interferem diretamente na votação e devem manter distância das seções eleitorais. A atuação se concentra no deslocamento dos eleitores, no transporte do material de votação e em pontos definidos pelo planejamento conjunto com as forças de segurança estaduais. À época, o TRE-RJ também informou que previa remanejar locais de votação situados em áreas de risco e integrar ações com órgãos de inteligência.
O tribunal não divulgou, até o momento, quantos militares devem ser empregados no segundo turno nem se o efetivo será semelhante ao da primeira etapa.
O que estará em disputa no dia 25
Como a eleição para governador foi definida no primeiro turno — após a retotalização dos votos, o TRE-RJ proclamou eleito Douglas Ruas (PL) —, os eleitores fluminenses voltarão às urnas apenas para escolher o presidente da República. A disputa nacional é entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Mesmo com apenas um cargo em jogo, a logística permanece a mesma: o estado mantém milhares de seções eleitorais e cerca de 5 mil locais de votação funcionando simultaneamente, segundo números divulgados pela Justiça Eleitoral antes do primeiro turno.
Contraponto e contexto
A nova convocação das Forças Armadas reforça um diagnóstico recorrente no Rio: a de que o poder público estadual não consegue, sozinho, garantir a circulação livre de eleitores em parte do território. Ao justificar o pedido, o próprio presidente do TRE-RJ apontou que a situação da segurança “permanece inalterada” desde o início de outubro, apesar das operações policiais realizadas no período.
Antes do primeiro turno, o desembargador fez questão de afirmar que o tribunal tinha “plena confiança na atuação das forças de segurança do estado” e que o reforço federal “amplia a capacidade” de proteger os locais de votação, sem substituir as polícias. O governo do estado, hoje comandado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, apoia formalmente a medida.
A presença militar, porém, tem caráter pontual: restringe-se ao período eleitoral e não altera, por si só, a dinâmica de controle territorial por grupos armados, que se mantém antes e depois da votação. Para o eleitor, o efeito mais visível tende a ser o aumento do patrulhamento em vias expressas da Região Metropolitana e o reforço no transporte das urnas.
Próximos passos
O processo tramita no TSE sob o número 0600316-19.2026.6.19.0000. Caso o pedido seja aprovado em Brasília, caberá ao Ministério da Defesa definir o efetivo e o planejamento operacional, em conjunto com o Comando Militar do Leste, as polícias estaduais e o TRE-RJ. Com o segundo turno a nove dias, a expectativa é que a análise ocorra nos próximos dias.
O eleitor que tiver dúvidas sobre o local de votação pode consultar o aplicativo e-Título ou o site do TRE-RJ. A votação no dia 25 ocorre das 8h às 17h, no horário de Brasília.



