Debate final no RJ: Paes e Ruas trocam ataques sobre Castro e Bacellar
A cinco dias do primeiro turno, o último debate entre candidatos ao Governo do Rio de Janeiro, exibido pela TV Globo na noite de terça-feira (29), confirmou a polarização entre Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL).
A cinco dias do primeiro turno, o último debate entre candidatos ao Governo do Rio de Janeiro, exibido pela TV Globo na noite de terça-feira (29), confirmou a polarização entre Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL).
Os dois líderes das pesquisas trocaram ataques sobre as gestões de Cláudio Castro, a prisão do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e as alianças nacionais com Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto Anthony Garotinho (Republicanos), com a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, ocupou espaço com críticas e ironias.
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Participaram do encontro, mediado pela jornalista Ana Paula Araújo e transmitido também pela GloboNews, g1 e Globoplay, cinco candidatos: Paes, Ruas, Garotinho, William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo). O formato teve quatro blocos, com temas sorteados, temas livres e um bloco dedicado às regiões do estado. Os eleitores fluminenses vão às urnas no domingo (4 de outubro).
Castro e Bacellar no centro dos ataques
A principal estratégia de Eduardo Paes foi associar o adversário ao governo de Cláudio Castro, de quem Douglas Ruas foi secretário estadual de Cidades. Segundo relato do portal Tempo Real, o ex-prefeito afirmou: “Como secretário do Castro, não fez uma obra de mobilidade, não priorizou a Baixada”. Paes também lembrou que Ruas “substituiu o Rodrigo Bacellar na Alerj e na candidatura do governo, e isso porque ele está preso”.
Ruas, por sua vez, procurou se descolar de Castro e reforçou o alinhamento com o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, ao mesmo tempo em que vinculou Paes ao presidente Lula. O candidato do PL também perguntou se Paes havia se encontrado com Bacellar após a saída do ex-deputado da prisão. Segundo os relatos publicados, a pergunta não teve resposta direta.
Mobilidade, segurança e educação
Na área de transportes, Ruas cobrou de Paes a Linha 3 do metrô, projeto que deveria ligar Niterói a São Gonçalo e Itaboraí e que é prometido há décadas por diferentes governos. O candidato do PL classificou as promessas do adversário como parte da “velha política de promessas”. O tema é sensível para o Leste Fluminense, onde milhares de moradores dependem de ônibus e da ponte Rio-Niterói para chegar ao trabalho.
Em segurança pública, o debate tratou da violência contra a mulher. Paes propôs ampliar a Patrulha Maria da Penha e criar delegacias especializadas com funcionamento permanente.
Ruas, por sua vez, levou ao confronto as acusações de violência doméstica feitas no passado contra Pedro Paulo (PSD), candidato ao Senado na chapa de Paes. O ex-prefeito respondeu citando que um irmão de Ruas também respondeu a processo semelhante e que ambos foram inocentados, segundo o Tempo Real.
Na educação, Ruas defendeu a ampliação das escolas cívico-militares e afirmou, segundo o jornal O Fluminense, que nesse modelo “os professores continuam sendo os responsáveis pelo conteúdo”. A escala de trabalho 6×1, em discussão no Congresso, também apareceu entre os temas.
Propostas regionais
No bloco dedicado ao interior e às regiões metropolitanas, os candidatos apresentaram propostas pontuais. Paes falou em reduzir o pedágio da Via Lagos, rodovia que liga a Região Metropolitana à Região dos Lagos. Ruas prometeu criar escritórios regionais do governo. Siri defendeu a construção de um hospital em Itaguaí; Garotinho, um hospital do câncer em Campos dos Goytacazes; e Marinho, um plano de contingência para as chuvas na Região Serrana.
Garotinho e Siri
Mesmo com o registro indeferido, Garotinho participou do debate. Ele citou o que chamou de “lista do Bacellar”, com nomes de políticos que, segundo ele, estariam envolvidos em irregularidades na Assembleia Legislativa, e mencionou uma proposta batizada de “Leitinho feliz”, que provocou risos entre os adversários. William Siri apostou em ironias e chegou a perguntar a Ruas se ele havia “vindo de Marte”, ao criticar o que considerou desconhecimento da realidade do estado.
No mesmo dia do debate, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) manteve, por unanimidade, o indeferimento da candidatura de Garotinho, com base em condenação por improbidade administrativa que suspendeu seus direitos políticos por oito anos. O nome dele continuará na urna, mas os votos ficam sob análise até decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Garotinho afirmou que vai recorrer.
O que dizem as pesquisas
A pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, mostrou Paes com 43% das intenções de voto, contra 30% de Ruas, que havia subido cinco pontos em duas semanas. Garotinho aparecia com 8%. Em cenário sem Garotinho, Paes chegaria a 46% e Ruas, a 31%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número RJ-02205/2026.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Os votos dados a Garotinho, se a candidatura não for liberada pelo TSE, não entram nesse cálculo, o que pode influenciar a definição sobre a necessidade de segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O que vem pela frente
Com o fim dos debates, as campanhas concentram os últimos dias em atos de rua e na propaganda eleitoral, que termina na quinta-feira (1º) no rádio e na TV. Para o eleitor da Região Metropolitana, incluindo Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí, temas como mobilidade, segurança pública e saúde seguem no centro da escolha. O resultado de domingo vai dizer se a polarização exibida no debate se traduz em uma vitória no primeiro turno ou em uma nova disputa direta entre Paes e Ruas no fim de outubro.
