Preso em hospital suspeito da morte de bombeiro e namorado em Caxias

Elias Araújo Lourenço teve prisão temporária decretada e foi localizado no Hospital Adão Pereira Nunes; polícia mantém motivação sob sigilo e procura outros envolvidos no duplo homicídio.

Elias Araújo Lourenço teve prisão temporária decretada e foi localizado no Hospital Adão Pereira Nunes; polícia mantém motivação sob sigilo e procura outros envolvidos no duplo homicídio

A Polícia Civil prendeu um suspeito de participação no assassinato do bombeiro militar Pedro Ernesto dos Anjos Rodrigues, de 24 anos, e do namorado dele, o estudante de Medicina Pedro Henrique Araújo Machado, de 26, mortos a tiros na noite de 23 de setembro no bairro Pantanal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Elias Araújo Lourenço foi detido na quarta-feira (30) no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, no mesmo município, onde estava internado. A prisão foi divulgada nesta sexta-feira (2).

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Contra ele havia um mandado de prisão temporária expedido pela Vara Criminal de Duque de Caxias. De acordo com a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), responsável pelo caso, as investigações indicam que Elias estava no carro usado pelos criminosos na noite do crime. O motivo da internação não foi informado pelas autoridades.

O que se sabe sobre o crime

Segundo as informações divulgadas pela polícia e publicadas pela imprensa, o casal voltava da casa da mãe de uma das vítimas para o bairro São Bento, também em Duque de Caxias, onde morava havia cerca de cinco meses. No trajeto, os dois perceberam que estavam sendo seguidos por outro veículo e tentaram despistar os perseguidores circulando por ruas da região.

Pedro Henrique chegou a telefonar para um familiar avisando que estavam sendo seguidos, mas a ligação foi interrompida. Câmeras de segurança registraram o momento em que o carro das vítimas, um Volkswagen Taos, foi interceptado. As imagens indicam que ao menos um dos jovens foi transferido para o automóvel dos criminosos. Os dois foram levados para uma área de mata próxima às comunidades do Sossego e do Cacareco, no Pantanal, onde foram executados.

A polícia foi acionada por volta das 23h50. Peritos recolheram diversos cartuchos deflagrados no local. Os corpos foram encontrados ainda naquela noite.

Quem eram as vítimas

Pedro Ernesto era soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) e estava lotado no Departamento Geral de Pessoal da corporação. Ele foi sepultado na sexta-feira, 25 de setembro, no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, na Zona Norte da capital. Durante o enterro, a mãe do bombeiro, Cíntia Souza dos Anjos, falou à imprensa sobre o filho: “Meu filho é muito bom”.

Pedro Henrique cursava Medicina e era natural do Espírito Santo. O corpo dele foi levado para o estado de origem para o sepultamento.

Motivação segue sob sigilo

A Polícia Civil informou que a motivação e a dinâmica do crime estão sendo mantidas sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que uma das linhas analisadas envolve uma possível disputa familiar relacionada a herança. A hipótese, porém, não foi confirmada oficialmente pela DHBF, e nenhum outro suspeito teve a identidade divulgada.

Segundo a delegacia, a prisão foi resultado de diligências, trabalho de inteligência e apoio do próprio Corpo de Bombeiros. Os agentes continuam em busca de outros possíveis envolvidos no duplo homicídio. A reportagem não conseguiu identificar a defesa de Elias Araújo Lourenço; o espaço permanece aberto para manifestação.

O que acontece agora

A prisão temporária é uma medida usada durante a fase de investigação e não representa condenação. Em casos de crimes hediondos, como o homicídio qualificado, a lei permite que ela dure até 30 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período em caso de extrema necessidade. Ao fim do inquérito, a Polícia Civil pode pedir a conversão em prisão preventiva, e caberá ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) decidir se apresenta denúncia à Justiça.

O caso teve grande repercussão no estado tanto pela forma como o crime foi cometido — com perseguição, sequestro e execução registrados por câmeras — quanto pelo perfil das vítimas, um bombeiro militar e um estudante de Medicina. Uma semana após o crime, a prisão de Elias é o primeiro avanço público da investigação.

Violência na Baixada Fluminense

Duque de Caxias é o município mais populoso da Baixada Fluminense e convive há anos com a presença de grupos armados, incluindo facções do tráfico e milícias, em diferentes bairros. O Pantanal e áreas próximas, como as comunidades citadas na investigação, aparecem com frequência no noticiário policial da região. A DHBF concentra a apuração de mortes violentas nos municípios da Baixada, uma das áreas com maior volume de homicídios no estado.

Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil não havia informado prazo para a conclusão do inquérito. A expectativa é de que novas diligências sejam realizadas nas próximas semanas para identificar os demais participantes e esclarecer quem encomendou o crime, caso a hipótese de mando seja confirmada.

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