Ruas e Paes vão ao 2º turno no RJ; Flávio e Lula, no país

O Rio de Janeiro terá segundo turno para governador e para presidente no dia 25 de outubro.

O Rio de Janeiro terá segundo turno para governador e para presidente no dia 25 de outubro. Com 99,69% das urnas apuradas no estado, Douglas Ruas (PL) terminou o primeiro turno na frente, com 49,29% dos votos, e enfrentará Eduardo Paes (PSD), que teve 42,74%. Na disputa nacional, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também voltam às urnas: com 98,92% apurado, Flávio tinha 47,22% e Lula, 44,93%.

Governo do Rio: Ruas lidera, mas perde fôlego na reta final

Ruas somou 4.257.647 votos, contra 3.691.919 de Paes — uma diferença de cerca de 566 mil votos. Anthony Garotinho (Republicanos) ficou em terceiro, com 3,17% (273.528 votos), seguido por William Siri (PSOL), Coronel Busnello (Missão) e André Marinho (Novo). Os demais candidatos não chegaram a 1%.

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O resultado foi construído ao longo de uma apuração de oscilações. Ruas abriu a contagem acima dos 50% e chegou a 50,84% com cerca de 42% das urnas apuradas, o que chegou a indicar vitória já no primeiro turno. À medida que entraram os votos da capital, onde Paes foi prefeito por quatro mandatos, a vantagem encolheu: com 81,5% apurado, Ruas tinha 50,01%, e terminou abaixo da maioria absoluta.

Há, porém, uma pendência jurídica. A candidatura de Garotinho teve o registro indeferido e segue sub judice; o TSE determinou que seus votos não sejam considerados válidos enquanto o caso não for decidido. Segundo o InfoMoney e a Rádio Tupi, o resultado ainda pode ser alterado conforme a Justiça Eleitoral defina a situação do candidato — se os votos dele forem definitivamente excluídos da conta dos válidos, o percentual de Ruas sobe. Até o fechamento desta reportagem, a disputa estava indicada como de segundo turno pelos principais veículos.

Pesquisas erraram a ordem dos candidatos

O desempenho de Ruas contrariou os levantamentos de véspera. O Datafolha apontava Paes com 46% dos votos válidos e Ruas com 38%; a AtlasIntel, 48,6% a 39,8%; a Quaest, em cenário sem Garotinho, 51% a 43%. Nenhum dos institutos indicava o candidato do PL à frente no primeiro turno.

A disputa reproduz a polarização nacional. Paes tem o apoio de Lula e do PT; Ruas é o candidato do campo bolsonarista e tem o respaldo de Flávio Bolsonaro. Após votar, Paes havia declarado que “o Rio não aguenta mais outro Witzel e outro Cláudio Castro”, em referência aos dois ex-governadores. Ruas, de 37 anos, natural de São Gonçalo, é ex-policial civil e presidente da Alerj; disputa pela primeira vez um cargo majoritário estadual. Sua vice é Fernanda Louback (PL); a de Paes, Jane Reis (MDB).

Presidente: Flávio e Lula no segundo turno

No país, Flávio Bolsonaro somava 55,7 milhões de votos (47,22%) e Lula, 53 milhões (44,93%), com 98,92% das urnas apuradas — diferença de cerca de 2,7 milhões de votos. Augusto Cury (Avante) teve 2,90%; Renan Santos (Missão), 2,25%; e Ronaldo Caiado (PSD), 2,20%. A abstenção nacional ficou em torno de 21%.

A campanha presidencial foi marcada pela ausência dos dois líderes na maioria dos debates de TV e por controvérsias envolvendo ambos os lados, entre elas o áudio em que Flávio pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai e as investigações sobre o filho mais velho de Lula, Fábio Luís, segundo o Estado de Minas.

Como o Rio votou para presidente

No estado do Rio, a vantagem de Flávio foi mais ampla do que no cenário nacional. Com 99,69% apurado, ele teve 53,02% dos votos válidos (4.950.398), contra 39,40% de Lula (3.678.480) — diferença de 1,27 milhão de votos. Augusto Cury (2,64%), Renan Santos (2,26%) e Ronaldo Caiado (2,13%) vieram em seguida. A abstenção no estado foi de 23,31%, acima da média nacional.

Senado: PL leva as duas vagas

Na disputa pelas duas cadeiras do Senado, foram eleitos Carlos Portinho (PL), com cerca de 27% dos votos, e Carlos Jordy (PL), com cerca de 25%. Benedita da Silva (PT), que liderava as pesquisas de véspera, ficou em terceiro. Portinho, que exercia o mandato como suplente desde 2020, conquista o primeiro mandato eleito; Jordy, nascido em Niterói, deixa a Câmara dos Deputados após dois mandatos.

O que vem agora

A campanha do segundo turno começa imediatamente, com retorno da propaganda eleitoral gratuita. No Rio, o apoio dos candidatos derrotados deve pesar: Garotinho já descartou apoiar Paes ou Ruas. Quem vencer em 25 de outubro assume o governo do estado em 6 de janeiro de 2027, encerrando um período de instabilidade no Palácio Guanabara, que teve governo interino após a saída de Cláudio Castro e o afastamento do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. O eleitor fluminense volta às urnas, portanto, para escolher governador e presidente no mesmo dia.

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