PL elege 21 e amplia maior bancada da Alerj; renovação cai a 38,6%

O PL elegeu 21 dos 70 deputados estaduais do Rio de Janeiro no domingo (4) e chega à próxima legislatura da Assembleia Legislativa (Alerj) com a maior bancada da Casa, quatro cadeiras a mais do que conquistou em 2022.

O PL elegeu 21 dos 70 deputados estaduais do Rio de Janeiro no domingo (4) e chega à próxima legislatura da Assembleia Legislativa (Alerj) com a maior bancada da Casa, quatro cadeiras a mais do que conquistou em 2022. A eleição também teve renovação menor: 27 novos parlamentares, o equivalente a 38,6% das vagas, contra 45,7% há quatro anos.

Os eleitos tomam posse em fevereiro de 2027, para mandatos de quatro anos, e vão conviver com o governador que sair do segundo turno de 25 de outubro, entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD).

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Como ficou a divisão das 70 cadeiras

Com 21 deputados, o PL ficará com cerca de 30% do plenário. Segundo o levantamento de apuração publicado pelo jornal O São Gonçalo, o partido recebeu 26,21% dos votos válidos para a Alerj. Na sequência aparecem PT e PSD, com nove cadeiras cada. PSOL e PP elegeram cinco; União Brasil, quatro; e Republicanos, três. MDB, PDT, Solidariedade e PSB terão dois deputados cada, enquanto PCdoB, Novo, PSDB, Agir, PRD e DC ficaram com um parlamentar cada.

Em 2022, segundo a própria Alerj, o PL havia eleito 17 deputados, seguido por União Brasil (8), PT (7) e PSD (6). Na comparação, o PSD saiu de seis para nove cadeiras, o PT de sete para nove, e o União Brasil caiu de oito para quatro. Somados, os partidos de esquerda com assento na Casa (PT, PSOL e PCdoB) terão 15 deputados.

Os mais votados

A deputada Índia Armelau (PL) foi a mais votada do estado, com 248.504 votos, o que corresponde a 2,82% dos válidos. Em seguida vieram Márcio Canella (União), com 197.178, e Renata Souza (PSOL), com 176.871. Completam a lista dos dez primeiros Dani Balbi (PCdoB), com 169.474; Guilherme Delaroli (PL), com 166.374; Rosenverg Reis (MDB), com 139.866; Elika Takimoto (PT), com 135.271; Anderson Moraes (PL), com 129.325; Costenaro (Novo), com 121.780; e Dra. Gabriela (PL), com 96.267.

Quatro dos dez mais votados são do PL, o que ajuda a explicar o desempenho da legenda no sistema proporcional. Nesse modelo, as cadeiras são distribuídas de acordo com o total de votos de cada partido ou federação (o quociente eleitoral), e não apenas pela votação individual dos candidatos.

Quem ficou de fora

Dos 60 deputados que tentaram a reeleição, 43 conseguiram e 17 não foram reconduzidos, segundo levantamento do portal Tempo Real RJ. Entre os que ficaram de fora estão Alexandre Knoploch (PL), Dionísio Lins (PP), Célia Jordão (PSD), Renato Machado (PT), Professor Josemar (PSOL), Lilian Behring (PCdoB) e Carlos Minc (PSB). Minc, que exerceu dez mandatos, teve 30.383 votos e ficou como primeiro suplente.

Parte das vagas abertas também se explica por deputados que deixaram a disputa pela Alerj para concorrer a outros cargos, como o próprio Douglas Ruas, candidato ao governo, e parlamentares que tentaram vaga na Câmara dos Deputados.

Leste Fluminense

Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí terão representantes com base eleitoral nos municípios na próxima legislatura.

Niterói: a professora Fernanda Neves (PDT), mulher do prefeito Rodrigo Neves, foi eleita com 83.326 votos, sendo 39.715 no município. A campanha classificou o resultado como a maior votação para deputado estadual da história da cidade. Ela foi a candidata mais votada do PDT para a Alerj no estado. A deputada Verônica Lima (PT), ex-vereadora de Niterói eleita para a Alerj pela primeira vez em 2022, com 55.738 votos, foi reeleita com 85.421 votos.

São Gonçalo: o vereador Nelsinho Ruas (PL), irmão do candidato ao governo Douglas Ruas e filho do prefeito Capitão Nelson, foi eleito com 70.552 votos. Ele estava no segundo mandato na Câmara Municipal: foi eleito em 2020, com 3.140 votos, e reeleito em 2024, com 11.079. O PL havia lançado outros dois vereadores gonçalenses para a Alerj, Bruno Porto e Ricardo Pericar, que não aparecem entre os eleitos. No município, a abstenção foi de 23,47% (153.229 eleitores), e Douglas Ruas teve 59,99% dos votos válidos para governador.

Maricá: a cidade elegeu dois deputados do PT. Allyson Elias, de 32 anos, filho do presidente da Câmara Municipal, Aldair de Linda, foi eleito na primeira eleição que disputou, com 51.145 votos, sendo 16.256 em Maricá. Zeidan, terceira vice-presidente da Alerj, conquistou o quarto mandato consecutivo com 43.115 votos, sendo 15.183 em Maricá. Em 2022, ela havia recebido 50.743 votos, 17.778 deles na cidade.

Itaboraí: Guilherme Delaroli (PL), irmão do prefeito Marcelo Delaroli, foi reeleito com 166.374 votos (1,89% dos válidos) e foi o quinto deputado estadual mais votado do Rio. Em 2022, ele havia recebido mais de 114 mil votos. Primeiro vice-presidente da Alerj na atual legislatura, Delaroli presidiu a Casa interinamente após o afastamento de Rodrigo Bacellar.

Abstenção e votos brancos e nulos

Segundo os dados do TSE, 9.845.867 eleitores votaram no estado no primeiro turno, e a abstenção foi de 23,33%. Os números foram divulgados pela CNN Brasil e pelo jornal O Tempo. Na disputa para a Assembleia, os votos em branco somaram 5,80% e os nulos, 4,64%.

O que muda para o próximo governo

Apesar do crescimento, o PL não terá sozinho a maioria absoluta da Casa, que exige 36 votos. A aprovação de projetos do Executivo, como orçamento e reformas administrativas, continuará dependendo de alianças com partidos de centro, como PP, União Brasil e Republicanos. Se Eduardo Paes vencer o segundo turno, o futuro governador contará com uma bancada própria de nove deputados do PSD e precisará negociar com uma oposição numerosa. Se Douglas Ruas for eleito, terá o próprio partido como principal base, mas também dependerá de apoios para atingir maioria.

A nova composição chega após um período de instabilidade na Alerj. O ex-presidente da Casa Rodrigo Bacellar foi preso em dezembro de 2025, solto após votação dos deputados e novamente detido em março de 2026 por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, após ter o mandato cassado pelo TSE. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por obstrução de investigação. Depois do afastamento de Bacellar, Douglas Ruas foi eleito presidente da Alerj em março, com os 45 votos dados na sessão. Com a renúncia do governador Cláudio Castro, porém, Ruas não assumiu o governo interinamente: o STF manteve no cargo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, até decidir sobre a eleição para o restante do mandato. Em maio, o ministro Luiz Fux negou novo pedido da Alerj para que Ruas assumisse o Palácio Guanabara.

Próximos passos

A diplomação dos eleitos é feita pelo TRE-RJ até dezembro. A posse dos 70 deputados e a eleição da nova Mesa Diretora, que definirá o presidente da Alerj para o biênio 2027-2028, estão previstas para fevereiro de 2027. A disputa pelo comando da Casa deve ser influenciada diretamente pelo resultado do segundo turno para o governo do estado.

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