Garotinho desiste de recurso e Ruas pode vencer no 1º turno no RJ
Sem os 274.
Sem os 274.411 votos do ex-governador, anulados de forma definitiva, candidato do PL passa de 49,27% para 50,88% dos válidos; Paes acusa “armação”, e decisão final depende de homologação do TSE
A disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro pode terminar sem segundo turno. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu, na tarde desta segunda-feira (5), do recurso que mantinha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura. Com a desistência, os 274.411 votos que ele recebeu no domingo tendem a ser anulados em definitivo, o que eleva Douglas Ruas (PL) a 50,88% dos votos válidos — acima da maioria absoluta exigida para vencer no primeiro turno.
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O que muda na conta
Pela totalização divulgada após o primeiro turno, Ruas recebeu 4.271.199 votos (49,27% dos válidos) e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), 3.706.984 (42,76%). Garotinho, que concorreu com o registro indeferido e votos computados como “anulados sub judice”, aparecia com 3,17%. Como nenhum candidato havia superado 50% dos válidos, o segundo turno foi marcado para 25 de outubro.
A regra eleitoral prevê que votos dados a candidato com registro negado em definitivo não entram no cálculo dos válidos. Retirados os votos de Garotinho, a base cai para pouco menos de 8,4 milhões, e a fatia de Ruas sobe para 50,88%, segundo cálculos publicados por Jornal de Brasília e Poder360. Paes ficaria com cerca de 44%. Especialistas ouvidos pela imprensa explicam que, homologada a desistência, o recurso se encerra e passa a valer a decisão anterior que negou o registro.
O que falta para a definição
A desistência foi protocolada às 14h09 de segunda-feira, segundo o Jornal de Brasília, e descrita pela defesa como irretratável. Ainda assim, o efeito sobre o resultado não é automático. O relator do caso no TSE, ministro Floriano de Azevedo Marques, precisa homologar o pedido, e deu dois dias para que o Ministério Público Eleitoral se manifeste. Só depois disso a Justiça Eleitoral deve deliberar sobre a retotalização dos votos e a eventual proclamação do resultado. Até lá, o segundo turno de 25 de outubro segue formalmente no calendário.
Por que Garotinho foi barrado
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) negou o registro de Garotinho por entender que seus direitos políticos estão suspensos em razão de uma condenação por improbidade administrativa ligada a irregularidades no programa Saúde em Movimento, entre 2005 e 2006, durante o governo de Rosinha Garotinho. A defesa sustentava que a suspensão havia terminado em 1º de agosto de 2026; a Justiça entendeu que ela se estende até 2033.
Na semana passada, o ex-governador chegou a obter uma liminar no TSE que o devolveu à campanha, mas a decisão foi revogada às vésperas da eleição, e os votos passaram a ser contabilizados como anulados sub judice. Ao anunciar a desistência, Garotinho criticou o resultado das urnas: “Que agora o povo arque com as consequências da escolha que eles fizeram”, afirmou, segundo o portal Terra. Ele também voltou a se dizer perseguido pela Justiça.
Paes fala em “armação”; Ruas pede rapidez
A campanha de Eduardo Paes reagiu com dureza. O candidato do PSD classificou a desistência como “armação do Garotinho com o Douglas Ruas pro candidato do PL vencer a eleição”, de acordo com o Poder360, e voltou a chamar o ex-governador de “candidato laranja”, cuja função seria “tumultuar a eleição”. Paes também citou a proximidade política entre Ruas e Wladimir Garotinho, filho do ex-governador. Wladimir rebateu afirmando que Paes tentou barrar a candidatura do pai durante toda a campanha. Até a publicação desta reportagem, não havia registro de ação judicial formal da campanha de Paes contra a desistência.
Ruas, por sua vez, vinha defendendo uma decisão rápida da Justiça Eleitoral desde a noite da eleição. “A gente vai aguardar com muita tranquilidade. Confiamos na Justiça, na sua decisão breve”, disse a jornalistas em São Gonçalo, conforme o Poder360. O PL não respondeu publicamente às acusações de Paes até a noite de segunda.
Resultado contrariou as pesquisas
O desempenho de Ruas superou o que indicavam os levantamentos de véspera. Na Quaest divulgada em 3 de outubro, Paes tinha 49% dos votos válidos contra 40% do candidato do PL; o Datafolha apontava cenário semelhante. Ruas é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência no segundo turno contra Lula (PT), aliado de Paes. No estado, o PL também elegeu dois senadores, 15 deputados federais e 21 deputados estaduais, a maior bancada da Alerj.
Impacto para o eleitor
Para os cerca de 12,8 milhões de eleitores fluminenses, nada muda por enquanto: o segundo turno para presidente, em 25 de outubro, está mantido de qualquer forma. A dúvida é se a cédula eletrônica terá também a escolha para governador. Caso o TSE homologue a desistência e a retotalização confirme Ruas acima de 50%, o Rio terá governador eleito em primeiro turno, encerrando antecipadamente uma campanha marcada por disputas judiciais. Se houver novos questionamentos, a definição pode se arrastar. O Correio da Cidade Online acompanha os próximos passos no TSE.
