Polícia busca dupla que baleou arqueóloga do Valongo no Leblon
Arqueóloga Tânia Andrade Lima, que liderou a descoberta do Cais do Valongo, leva 3 tiros em assalto no Leblon. 14ª DP investiga; dupla fugiu.
Pesquisadora aposentada do Museu Nacional foi atingida por três disparos ao sair de um banco na Zona Sul; suspeitos abandonaram moto roubada no Túnel Rebouças e seguem foragidos
A Polícia Civil investiga a tentativa de assalto que deixou ferida a arqueóloga Tânia Andrade Lima, pesquisadora que liderou as escavações responsáveis pela descoberta do Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio. Ela foi baleada três vezes na tarde de quinta-feira (15), na Rua General Venâncio Flores, no Leblon, logo depois de deixar uma agência bancária. Os dois suspeitos fugiram e, até a última atualização das reportagens consultadas, não havia registro de prisão.
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Como foi o ataque
De acordo com informações divulgadas pelo SBT News, imagens de câmeras de segurança mostram um homem puxando a bolsa da pesquisadora e efetuando disparos enquanto ela já estava caída na calçada. Testemunhas tentaram socorrê-la. O autor dos tiros fugiu de motocicleta com um comparsa.
Ainda segundo a emissora, policiais militares localizaram a dupla no Túnel Rebouças, no sentido Zona Norte, mas os suspeitos conseguiram escapar. Eles deixaram para trás uma motocicleta roubada e dois aparelhos celulares. A 14ª DP (Leblon), responsável pelo caso, informou que a moto apreendida passará por perícia, o que pode ajudar a identificar os envolvidos.
Estado de saúde
A arqueóloga foi atingida no pescoço, no ombro e na mão. Ela foi levada inicialmente ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Segundo a unidade, os ferimentos no pescoço e no ombro não eram graves, mas a lesão na mão exigia cuidados maiores. A família decidiu transferi-la para um hospital da rede conveniada ao plano de saúde, cujo nome não foi divulgado. Não há boletim médico atualizado sobre o quadro.
Os veículos que noticiaram o caso divergem quanto à idade da pesquisadora, informada entre 76 e 81 anos. Todos a descrevem como professora aposentada.
Quem é Tânia Andrade Lima
Tânia Andrade Lima é pesquisadora sênior do CNPq e professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde fundou e coordenou o programa de pós-graduação em Arqueologia. Ela comandou as escavações que trouxeram à tona o Cais do Valongo durante as obras de revitalização da Zona Portuária conduzidas pela Prefeitura do Rio.
Em 2023, recebeu o Prêmio Hypatia, distinção internacional por sua atuação em arqueologia, história e patrimônio cultural. Antes, havia sido agraciada com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, em 2006, e com o Prêmio Faz Diferença, na categoria Rio, em 2016.
A importância do Cais do Valongo
Construído em 1811, na área entre as atuais ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral, o Cais do Valongo funcionou como principal ponto de desembarque e comércio de africanos escravizados no Rio de Janeiro até 1831, quando o tráfico transatlântico foi proibido por lei. Em 1843, o local foi aterrado e reformado para receber a princesa Teresa Cristina, passando a se chamar Cais da Imperatriz.
Em 2017, a Unesco reconheceu o sítio como Patrimônio Mundial, por ser considerado o mais importante vestígio material da chegada de africanos escravizados às Américas. A descoberta transformou a região da Pequena África, entre Saúde e Gamboa, em um dos principais pontos de memória da diáspora africana no país.
Reação e debate sobre segurança
O Museu Nacional divulgou nota de solidariedade à pesquisadora, desejando sua recuperação plena. No texto, a instituição lamentou que o episódio tenha ocorrido justamente no Dia dos Professores e mencionou o clima de violência na cidade.
O caso reacende a discussão sobre roubos a clientes que deixam agências bancárias, crime conhecido como “saidinha de banco”, e sobre a atuação de criminosos em motocicletas na Zona Sul. A fuga da dupla mesmo após ter sido localizada pela Polícia Militar no Túnel Rebouças também tende a pressionar as forças de segurança do estado por respostas rápidas. Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Civil não havia divulgado a identificação dos suspeitos nem informações sobre prisões.
Próximos passos da investigação
A perícia na motocicleta abandonada e nos celulares deixados pelos suspeitos, além da análise das imagens de câmeras da região, deve orientar as próximas etapas do trabalho da 14ª DP. Informações que ajudem a localizar os autores podem ser repassadas de forma anônima ao Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177.
O Correio da Cidade Online seguirá acompanhando o caso e atualizará esta reportagem conforme novas informações forem divulgadas pelas autoridades e pela família da pesquisadora.



