Polícia caça suspeito de balear arqueóloga de 81 anos no Leblon
Arqueóloga Tania Andrade Lima, 81, foi baleada em assalto no Leblon. Polícia fez operação no Morro da Coroa, mas suspeito segue foragido.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro segue à procura do homem suspeito de atirar três vezes contra a arqueóloga Tania Andrade Lima, de 81 anos, durante um assalto no Leblon, na Zona Sul da capital. Na segunda-feira (19), agentes cumpriram mandados de busca no Morro da Coroa, no Catumbi, Centro do Rio, mas ninguém foi preso. O principal suspeito, identificado como James Dean Chagas Lindoso, conhecido como “Dean”, é considerado foragido, e o Disque Denúncia divulgou um cartaz pedindo informações sobre seu paradeiro.
O crime aconteceu na tarde da última quinta-feira (15), na General Venâncio Flores, no Leblon. Segundo as informações divulgadas, a pesquisadora havia acabado de sacar dinheiro em uma agência bancária e caminhava até o carro quando foi abordada. O criminoso a derrubou, a agrediu e efetuou três disparos antes de levar a bolsa da vítima.
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Dois tiros atingiram de raspão a mão e o braço da arqueóloga. O terceiro acertou a nuca, e o projétil ficou alojado. Ela foi socorrida por agentes da Operação Segurança Presente e levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. De acordo com a direção da unidade, os ferimentos no pescoço e no ombro não eram graves, mas a lesão na mão exigia mais cuidados. Depois, a família transferiu a paciente para um hospital particular. Na atualização mais recente, seu estado era considerado estável.
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Fuga pelo Rebouças e perseguição no túnel
Pedestres e motoristas que passavam pelo local tentaram intervir, e um homem chegou a arremessar um objeto contra o assaltante. Mesmo assim, o criminoso fugiu de moto com a ajuda de um comparsa, que o aguardava do outro lado da rua, em direção ao Túnel Rebouças.
Policiais militares interceptaram a dupla dentro do túnel, no sentido Zona Norte, mas os suspeitos conseguiram escapar. Para trás ficaram uma moto roubada e dois celulares, que foram levados à 6ª DP (Cidade Nova). A motocicleta passará por perícia. Equipes do 23º BPM (Leblon) e da Segurança Presente participaram das buscas nos dias seguintes.
Operação no Morro da Coroa
A investigação está a cargo da 14ª DP (Leblon), que conta com apoio do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Na ação de segunda-feira, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão no Morro da Coroa, comunidade que, segundo relatórios de inteligência citados pela imprensa, está sob influência do Comando Vermelho.
Em um dos endereços ligados ao suspeito, os policiais encontraram familiares dele e apreenderam celulares e outros materiais que serão analisados. Segundo a polícia, Dean integra um grupo que pratica roubos na Zona Sul. O caso é tratado como tentativa de latrocínio — roubo seguido de morte, na forma tentada. Os investigadores também tentam identificar o segundo envolvido e verificar se a dupla participou de outros assaltos na região.
O Disque Denúncia classificou o foragido como “altamente perigoso” e pede que qualquer informação seja repassada pelo telefone (21) 2253-1177, pelo WhatsApp no mesmo número ou pelo aplicativo do serviço. O atendimento funciona 24 horas e o anonimato é garantido.
Quem é a vítima
Professora aposentada do Museu Nacional da UFRJ, Tania Andrade Lima é um dos nomes mais conhecidos da arqueologia brasileira. Ela participou da descoberta do Cais do Valongo, em 2011, durante as obras na Zona Portuária do Rio. O sítio foi um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas e hoje é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Em 2023, a pesquisadora recebeu na Itália o prêmio Hypatia, concedido pela rede CICOP.
Idosos na linha de tiro
O caso amplia uma estatística preocupante. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, a arqueóloga foi a 27ª pessoa idosa baleada na Região Metropolitana do Rio em 2026: 13 morreram e 14 ficaram feridas.
O episódio também reacende o debate sobre a segurança em áreas com policiamento reforçado. O Leblon conta com a Operação Segurança Presente, e os próprios agentes do programa foram os primeiros a chegar ao local. Ainda assim, os criminosos agiram em plena tarde, em rua movimentada, e escaparam mesmo após serem alcançados pela PM no Túnel Rebouças — o que levanta questionamentos sobre a capacidade de resposta e de cerco das forças de segurança em tempo real.
Os dados oficiais mostram um cenário misto. Em setembro, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), a letalidade violenta caiu 25,4% no estado, mas os roubos de veículos acumulam alta de 3,6% em 2026. Crimes patrimoniais com uso de arma, como o que vitimou a pesquisadora, seguem entre as principais preocupações de moradores e comerciantes da Zona Sul.
Próximos passos
A Polícia Civil aguarda a perícia na moto apreendida e a análise do material recolhido no Morro da Coroa para avançar na identificação do comparsa e na localização de Dean. Até a manhã desta terça-feira (20), não havia registro de prisão. A expectativa dos investigadores é que denúncias anônimas ajudem a encurtar o tempo de busca pelo suspeito.



