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Guerra entre facções em Madureira mata entregador e fere outro

Entregador morre e outro é baleado em confronto entre TCP e CV no Morro do Cajueiro, em Madureira. DH investiga; ninguém foi preso até agora.

Um entregador morreu e outro ficou ferido durante um tiroteio entre facções rivais no Morro do Cajueiro, em Madureira, na Zona Norte do Rio, na noite de sábado (17). Segundo moradores, criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP), vindos do Morro da Serrinha, tentaram invadir uma área dominada pelo Comando Vermelho (CV). A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso e, até a última atualização, ninguém havia sido preso.

O confronto começou por volta das 22h e, de acordo com relatos de moradores, durou cerca de uma hora. A vítima fatal foi identificada pela Polícia Civil como Wendrel Silva da Rocha, entregador que, segundo o SBT News, foi atingido na cabeça. Ele chegou a ser levado para um hospital, mas não resistiu. Parentes preferiram não dar entrevistas por medo de represálias na região.

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O segundo baleado é Luís Cláudio Galisa dos Santos, de 26 anos, que fazia uma entrega de açaí na Rua Tatuí, no Cajueiro, quando foi atingido por dois disparos: um no peito, que atravessou o braço, e outro no abdômen. Um cliente ajudou a colocá-lo em um carro particular. Ele foi atendido na UPA de Rocha Miranda e transferido para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o estado dele é estável.

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O que dizem a polícia e a saúde

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, duas vítimas de disparos deram entrada na UPA de Rocha Miranda naquela noite; a segunda foi transferida para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. O caso foi registrado na 29ª DP (Madureira), e a morte de Wendrel ficou a cargo da DHC, que tenta identificar os autores dos disparos e apura a atuação dos grupos criminosos.

Policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) foram acionados após informações de um ataque de criminosos da Serrinha contra a comunidade da Congonha. Na ação, a equipe abordou um carro que deixava a área em alta velocidade e encontrou um homem baleado, levado ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. As autoridades não informaram se ele tem relação com o confronto no Cajueiro. Moradores relataram que outras pessoas podem ter sido atingidas, o que não foi confirmado oficialmente.

A mãe de Luís Cláudio, Adriana Almeida, descreveu a intensidade dos tiros ao portal O Repórter: “Foi muito, mas muito tiro. Pelo barulho, parecia que era dentro de casa”. Ela também cobrou providências: “Nossos filhos não podem deixar de trabalhar. A gente precisa de segurança para ir e vir”. Adriana afirmou ainda que casas e comércios foram invadidos durante a ação dos criminosos, relato que não foi confirmado pelas autoridades.

Esta não é a primeira vez que o entregador é vítima da violência na região. Em agosto de 2024, ele foi atingido de raspão durante um ataque a um bar na Rua Sílvio Tibiriçá, em Turiaçu, que deixou quatro mortos e cinco feridos.

Disputa antiga entre Serrinha, Cajueiro e Congonha

Os morros da Serrinha, do Cajueiro e da Congonha ficam próximos e cercam o centro comercial de Madureira, um dos bairros mais movimentados da Zona Norte. A Serrinha é apontada como reduto do TCP, enquanto Cajueiro e Congonha são associados ao CV. Os confrontos pelo controle do tráfico de drogas na área se repetem há anos e costumam atingir quem mora ou trabalha no entorno.

Em abril de 2023, a menina Ester de Assis Oliveira, de 9 anos, foi morta por uma bala perdida ao voltar da escola durante um tiroteio entre traficantes da Serrinha e do Cajueiro. No mesmo confronto, o entregador de gás João Vitor Brander, de 19 anos, também foi morto. As mortes provocaram protestos que fecharam vias no entorno do Mercadão de Madureira. No início de setembro deste ano, um novo confronto na região da Serrinha deixou dois mortos, segundo a imprensa local, e levou a PM a reforçar o patrulhamento em pontos como o Viaduto Negrão de Lima.

Trabalhadores de rua entre os mais expostos

O caso expõe a vulnerabilidade de entregadores, que circulam por comunidades em horários noturnos e dependem das corridas para garantir a renda. Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta que a Região Metropolitana do Rio registrou 74 vítimas de balas perdidas entre janeiro e setembro de 2026, com 18 mortos e 56 feridos.

Os números contrastam com os dados oficiais mais recentes. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), a letalidade violenta no estado caiu 25,4% em setembro e acumula queda de 6,9% no ano. A média estadual, porém, não reflete necessariamente a rotina de áreas conflagradas como Madureira, onde a disputa entre facções voltou a atingir trabalhadores sem relação com o conflito. Até a última atualização das reportagens consultadas, a Polícia Militar não havia detalhado se haverá reforço permanente do policiamento na região.

Próximos passos

A investigação da DHC busca identificar os responsáveis pela morte de Wendrel e esclarecer a dinâmica do confronto. Informações sobre o crime podem ser repassadas de forma anônima ao Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177. O Correio da Cidade Online acompanha o caso e atualizará a reportagem com novas informações.

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