Rio testa bloqueio de celulares em presídios em até 30 minutos
Operação Modo Avião bloqueia celulares em presídios do Rio em até 30 minutos, sem decisão judicial. Veja números, custo dos equipamentos e ressalvas.
O Rio de Janeiro é o primeiro estado a usar uma tecnologia que identifica celulares clandestinos dentro de presídios e pede o bloqueio das linhas em até 30 minutos, sem necessidade de decisão judicial para cada aparelho. A ação, batizada de Operação Modo Avião, é conduzida pelo governo federal em parceria com a Secretaria de Polícia Penal do estado e começou em 14 de outubro, um dia depois de um decreto presidencial passar a permitir o procedimento administrativo.
Em uma única fiscalização noturna, os agentes identificaram 143 aparelhos em unidades prisionais fluminenses, segundo reportagens de O Globo, da Folha de S.Paulo e de outros veículos. Os dados foram inseridos na plataforma da Anatel e, na quinta-feira (15), os aparelhos já constavam como inoperantes. O número chama atenção quando comparado ao das operações tradicionais: entre maio e setembro, revistas em 31 unidades do estado, com mais de mil policiais, apreenderam fisicamente 228 celulares.
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Os celulares dentro de cadeias são apontados por autoridades como ferramenta de comando de facções e de golpes aplicados por telefone contra a população, o que torna o tema de interesse direto para quem vive no Rio, em Niterói, em São Gonçalo e no restante da Região Metropolitana. A novidade, porém, tem limites e ainda gera dúvidas, que a reportagem detalha a seguir.
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Como funciona a tecnologia
O sistema usa equipamentos portáteis, chamados de Etre (Equipamento Tático de Revista Eletrônica), que cabem em uma mochila e simulam uma antena de telefonia. Agentes percorrem o perímetro da unidade, à noite ou de madrugada, e o equipamento registra os aparelhos que tentam se conectar à rede, com o código IMEI e dados da linha e do modelo. As informações seguem para as autoridades penitenciárias, que pedem o bloqueio à Anatel. O alcance divulgado é de cerca de 700 metros e a tecnologia reconhece redes 5G, ao contrário de modelos anteriores, limitados ao 3G.
Segundo Glautter Morais, diretor de inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penais, o Etre não interfere na rede móvel e, por isso, não prejudica moradores nem usuários que estejam perto das unidades, diferença em relação aos bloqueadores tradicionais. Antes de pedir o bloqueio, as equipes precisam verificar se os aparelhos pertencem, de fato, a pessoas dentro dos presídios.
Decreto, custo e alcance
O ponto central da mudança é jurídico: o decreto, em vigor desde 13 de outubro segundo O Globo, autoriza o bloqueio administrativo de aparelhos identificados dentro de presídios, sem decisão judicial específica. O governo federal tem 15 equipamentos, comprados por R$ 3,8 milhões cada, o que soma cerca de R$ 57 milhões, conforme O Globo e o Brasil 247. A Folha de S.Paulo, citada por outros veículos, informa que a estratégia prioriza 138 complexos considerados estratégicos, entre as 1.355 unidades prisionais do país.
Em balanço divulgado no fim de outubro, o sistema teria bloqueado 1.172 aparelhos em duas semanas no Rio, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, dos quais cerca de 700 no Rio, segundo a Seppen. Esses totais aparecem apenas em reportagens que citam a Folha e não foram confirmados em outra fonte independente até o fechamento desta matéria. A Agenda do Poder e o Brasil 247 apontam a facção Povo de Israel como alvo principal da primeira fase; a unidade não foi identificada, por razões operacionais.
Ressalvas e pontos em aberto
A Senappen afirma que o bloqueio por IMEI não equivale à desativação integral do aparelho e não alcança, por exemplo, redes wi-fi. Seppen e Senappen também não divulgam quais presídios foram alvo nem quantos aparelhos havia em cada um, sob a justificativa de segurança operacional. O ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente Silva Filho criticou a gestão prisional, ao avaliar que o problema de fundo é a entrada de celulares nas unidades. As reportagens consultadas não trazem posição das operadoras nem de entidades de direitos humanos sobre o bloqueio sem decisão judicial.
Há ainda divergências entre as fontes sobre o conteúdo e a data do decreto, e a Anatel não detalhou publicamente quantas linhas já foram desativadas por estado. Para a população, o efeito prático esperado é a redução de golpes e de ordens passadas de dentro das cadeias, mas os resultados dependerão da continuidade das operações, da fiscalização da entrada de aparelhos e de eventual contestação judicial do novo procedimento.
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