Mortes violentas caem 6,9% no RJ; balas perdidas atingem 74
ISP aponta queda de 6,9% nas mortes violentas no RJ em 2026, mas o Fogo Cruzado contabiliza 74 vítimas de balas perdidas no Grande Rio. Veja os dados.
As mortes violentas diminuíram no estado do Rio de Janeiro em 2026, mas o número de pessoas atingidas por balas perdidas na Região Metropolitana continua alto. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), divulgados em 16 de outubro, mostram queda de 6,9% nas vítimas de letalidade violenta entre janeiro e setembro. Já o Instituto Fogo Cruzado contabilizou 74 vítimas de balas perdidas no Grande Rio no mesmo período, das quais 18 morreram.
Os dois levantamentos medem fenômenos diferentes e não podem ser somados nem comparados diretamente. O ISP trabalha com registros de ocorrência da Polícia Civil e cobre todo o estado. O Fogo Cruzado monitora tiroteios e suas consequências na Região Metropolitana desde 2016 e tem como base os casos em que houve pessoas baleadas. Lidos em conjunto, eles mostram que a queda nos indicadores oficiais convive com episódios frequentes de violência armada.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE:
A rotina policial nas ruas segue intensa. Na terça-feira (27), por exemplo, policiais do 7º BPM prenderam oito homens na comunidade do Cebolo, no Arsenal, em São Gonçalo, e apreenderam uma pistola 9 mm e drogas, segundo o portal LSM Notícias. No mesmo dia, o GAT e o 12º BPM prenderam cinco suspeitos no Morro do Estado, em Niterói, com drogas, cinco rádios transmissores e uma balança de precisão, conforme a mesma fonte.
Leia mais:
- Moraes envia à PGR 118 laudos da PF sobre a Operação Contenção
- Polícia Civil mira grupo que usava marca de banco para golpear idosos
- PRF apreende 2 toneladas de maconha em caminhão de adubo na Dutra
O que dizem os números do ISP
De acordo com o ISP, o estado registrou 2.648 vítimas de letalidade violenta de janeiro a setembro de 2026, 6,9% a menos que no mesmo período de 2025. O indicador reúne homicídios dolosos, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e mortes por intervenção de agentes do Estado. Só em setembro foram 250 vítimas, queda de 25,4% em relação a setembro do ano passado.
As mortes por intervenção de agentes do Estado somaram 501 no acumulado do ano, redução de 3,7%, e 40 em setembro, 20% a menos. Entre os crimes patrimoniais, os roubos de rua, que incluem assaltos a pedestres, roubos de celulares e crimes em transporte coletivo, caíram 19,5% no acumulado, para 35.927 casos. Os roubos de carga recuaram 1,4%, com 2.131 ocorrências. O roubo de veículos foi o único indicador de roubo em alta: 17.753 casos, aumento de 3,6%, embora setembro tenha registrado queda de 19,8% na comparação com o ano anterior.
Os dados também mostram mais atividade de repressão. Foram apreendidos 666 fuzis de janeiro a setembro, 12,7% a mais, e 4.774 armas no total, alta de 7,8%. As prisões em flagrante chegaram a 32.634 (+3%), e os mandados de prisão cumpridos, a 9.851 (+8,1%). O ISP não detalha, nas reportagens consultadas, os números por município, de modo que não é possível isolar Niterói, São Gonçalo, Maricá ou Itaboraí.
O retrato do Fogo Cruzado
Segundo o Fogo Cruzado, de 1º de janeiro a 30 de setembro, 74 pessoas foram atingidas por balas perdidas no Grande Rio: 18 morreram e 56 ficaram feridas. Em 27 dessas ocorrências, ou 36% do total, havia ação policial em curso, com cinco mortos e 22 feridos.
O levantamento detalha a Zona Sudoeste da capital, onde houve ao menos 233 tiroteios em 2026, com 219 pessoas baleadas, sendo 117 mortas e 102 feridas. Ações policiais responderam por 47% desses tiroteios e deixaram 51 mortos e 60 feridos. O caso mais recente citado pelo instituto é o de Flávio de Abreu Lira, de 53 anos, gerente de farmácia, morto dentro de um BRT, perto da Estação Ventura, em Curicica. No momento, havia uma operação policial na favela Dois Irmãos, na mesma região. As reportagens não informam de onde partiu o disparo.
Contrapontos e limites dos dados
Os números do ISP refletem o que chega ao registro policial, e o jornal Diário do Rio ressalva que o aumento de apreensões indica mais atividade das polícias, não necessariamente menos armas em circulação. Já os dados do Fogo Cruzado têm abrangência metropolitana e dependem da metodologia do instituto, que não foi detalhada nas reportagens consultadas. Os percentuais de participação das ações policiais são arredondados.
As reportagens que divulgaram os dois levantamentos não trazem manifestação da Secretaria de Estado de Segurança Pública nem do governo estadual sobre os resultados. O Correio da Cidade Online mantém o espaço aberto para posicionamento dos órgãos.
O que observar nos próximos meses
Os próximos números do ISP mostrarão se a queda de setembro se mantém. Para a população da Região Metropolitana, a pergunta que os dois conjuntos de dados deixam em aberto é como a redução nas mortes violentas se traduz no dia a dia dos bairros, onde operações e tiroteios seguem colocando moradores e trabalhadores em risco, como no caso do passageiro morto dentro do BRT.
PolíticaMercado em pânico: dólar passa de R$ 5,60 e Bolsa derrete após reeleição de Lula
GeralPRF apreende 2 toneladas de maconha em caminhão de adubo na Dutra
GeralMoraes envia à PGR 118 laudos da PF sobre a Operação Contenção
Geral