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MC Poze do Rodo é investigado após denúncia de estupro de adolescente

Adolescente de 16 anos denuncia MC Poze do Rodo por estupro e ameaça; DCAV investiga caso no Recreio. Cantor nega e diz que jovem afirmou ser maior.

Viatura da Polícia Civil do Rio de Janeiro
Viatura da Polícia Civil do RJ (imagem ilustrativa) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

O cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após uma adolescente de 16 anos denunciá-lo por estupro, ameaça e fornecimento de bebida alcoólica e drogas durante uma festa na casa do artista, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. O registro foi feito na quarta-feira (28) na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). Nesta quinta-feira (29), o funkeiro publicou um vídeo nas redes sociais em que nega as acusações e afirma que a jovem disse ser maior de idade.

O caso tramita sob sigilo. Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Civil informou que os supostos autores serão intimados a prestar esclarecimentos na delegacia especializada e que as diligências estão em andamento. A adolescente foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML) para exames periciais, cujos resultados não foram divulgados. Até o momento, não há conclusão das investigações nem acusação formal contra o cantor.

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O nome do artista ficou entre os assuntos mais comentados nas redes sociais ao longo do dia, depois que a denúncia foi revelada por veículos de imprensa e o próprio cantor se manifestou publicamente.

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O que diz a denúncia

Segundo o relato apresentado pela defesa da adolescente e divulgado por veículos como SBT News e OFuxico, o episódio teria ocorrido em setembro, durante uma festa na residência do cantor. Há divergência entre as publicações sobre a data exata: uma cita 8 de setembro e outra, 26 de setembro, por volta das 22h.

A jovem afirma que recebeu bebida alcoólica e drogas, entre elas lança-perfume, e que não estava plenamente consciente. Ela relata que pediu o uso de preservativo, que o cantor teria se recusado e mantido a relação sem o seu consentimento. A denúncia também descreve um segundo momento, cerca de dois dias depois, quando ela teria sido pressionada a voltar ao local e obrigada a tomar medicamentos para evitar uma gravidez, comprados pelo artista. A adolescente diz ainda ter sofrido ameaças do cantor e de um homem apontado como amigo dele para que não procurasse as autoridades.

A advogada criminalista Daiana Andrade, que representa a família, pediu à Justiça medidas protetivas de urgência. Não há informação pública sobre decisão a respeito do pedido. Em nota, ela afirmou: “Estamos diante de uma adolescente que relata ter tido o corpo violado, a voz ignorada e a vida ameaçada”. Segundo a defesa, há um vídeo em que a voz do cantor aparece chamando a jovem para ir à casa dele.

A versão do cantor

No vídeo publicado nesta quinta, MC Poze do Rodo contesta a acusação e sustenta que a relação foi consensual. “Falou que era de maior, é isso, tratamento vip, e assim foi”, disse, segundo transcrição do SBT News. O artista afirma ainda que o vídeo citado pela defesa foi gravado há tempos e que a própria jovem teria desmentido a acusação anteriormente: “A menina mesmo veio e desmentiu tudo”. A DCAV, de acordo com as reportagens, colhe depoimentos e analisa provas digitais apresentadas no caso.

Até a publicação desta reportagem, a investigação não havia apontado responsabilidade criminal do artista. Pela lei, todo investigado é considerado inocente até decisão judicial definitiva.

O que diz a lei

O Código Penal define estupro como constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter relação sexual. Quando a vítima, por qualquer causa, não pode oferecer resistência — por exemplo, sob efeito de álcool ou drogas —, a conduta pode ser enquadrada como estupro de vulnerável, com pena maior. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera crime vender, fornecer ou entregar bebida alcoólica ou substâncias que causem dependência a menores de 18 anos. A tipificação final, no entanto, depende da conclusão do inquérito e da análise do Ministério Público.

Casos envolvendo vítimas menores de idade costumam correr em segredo de Justiça para proteger a identidade da adolescente. Por esse motivo, nenhum dado que permita identificá-la é divulgado.

Histórico de problemas com a Justiça

Nascido na comunidade do Rodo, em Santa Cruz, na Zona Oeste, Poze é um dos nomes mais populares do funk carioca, com milhões de seguidores nas redes. Esta não é a primeira vez que o cantor aparece no noticiário policial. Em maio de 2025, ele foi preso por suspeita de apologia ao crime e associação ao tráfico e deixou a prisão dias depois. Em abril deste ano, foi detido pela Polícia Federal ao lado de MC Ryan SP em uma operação que apura lavagem de dinheiro. Os casos não têm relação com a denúncia atual.

Próximos passos

A expectativa é que o cantor e as demais pessoas citadas sejam ouvidos pela DCAV nos próximos dias. O resultado dos exames do IML e a análise das mensagens e vídeos apresentados pelas duas partes devem orientar a conclusão do inquérito, que será enviado ao Ministério Público do Rio. Caberá ao MPRJ decidir se oferece denúncia à Justiça.

Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, canal do governo federal que funciona 24 horas, ou diretamente em qualquer delegacia. No Rio, a DCAV é a unidade especializada nesse tipo de crime.

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