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Política

PL e oposição já disputam a sucessão de Ruas na presidência da Alerj

Com 21 das 70 cadeiras, PL tem três nomes para suceder Douglas Ruas na Alerj; oposição soma 28 deputados e articula candidatura própria. Veja o cenário.

Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) durante sessão
Plenário da Alerj; Casa terá nova Mesa Diretora em 2027. Foto: Erick Quintanilha/Ascom Alerj

A posse do governador eleito Douglas Ruas (PL), marcada para 6 de janeiro de 2027, vai abrir uma das disputas mais importantes da política fluminense nos próximos meses: a escolha de quem comandará a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a partir da nova legislatura, que toma posse em fevereiro. Maior bancada da Casa, com 21 dos 70 deputados eleitos em outubro, o PL tem ao menos três nomes cotados, mas chega dividido. Do outro lado, partidos de oposição somam 28 cadeiras e discutem uma candidatura única.

O cenário mudou após o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, quando o presidente Lula (PT) foi reeleito ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal aliado de Ruas. Segundo veículos que acompanham os bastidores da Alerj, como Agenda do Poder, Manchete Rio e A Seguir Niterói, o resultado nacional fortaleceu o ex-presidente da Casa André Ceciliano (PT), que voltou à Assembleia na eleição de 4 de outubro, e reduziu o peso de nomes mais ligados ao grupo de Flávio.

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Quem presidir a Alerj terá papel central no governo Ruas: é a Mesa Diretora que define a pauta de votações, o ritmo de tramitação de projetos do Executivo e a composição de comissões, inclusive a de Orçamento, num momento em que o estado projeta déficit bilionário para 2027.

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Os nomes do PL

Três deputados do PL aparecem como possíveis candidatos: Guilherme Delaroli, atual primeiro vice-presidente da Alerj, Jair Bittencourt e Anderson Moraes. Nenhum deles lançou candidatura formal até agora.

Antes do primeiro turno, Delaroli era apontado como o nome de consenso do partido, fruto de um acordo entre Ruas e o presidente estadual do PL, deputado federal Altineu Côrtes. Ele já comandou a Casa interinamente em dezembro de 2025, após o afastamento de Rodrigo Bacellar pelo Supremo Tribunal Federal. “Peguei a Casa em crise e pacifiquei. Se for a escolha do grupo, serei presidente de todos, independentemente de partido”, declarou, segundo o portal Brasil em Folhas. Depois da eleição, porém, o nome dele passou a ser citado também para comandar uma possível superpasta de infraestrutura no futuro governo, o que abriria espaço para outro candidato.

Anderson Moraes chegou a ser descrito como o preferido do grupo de Ruas, mas, de acordo com a imprensa local, perdeu força após a derrota de Flávio Bolsonaro. “Estou pronto para qualquer proposta. Não tenho vaidade. Irei para onde Douglas me mandar”, afirmou o deputado ao Brasil em Folhas. Jair Bittencourt, por sua vez, também é cotado para a Secretaria de Governo.

A divisão interna é admitida por parlamentares da própria base. Ouvido sob reserva pelo Agenda do Poder, um deputado resumiu: “O problema é que o partido está dividido e isso pode colaborar com a oposição”.

A aposta da oposição

PT e PCdoB (federação com 10 deputados), PSD (9), PSOL (5), PDT (2) e PSB (2) somam 28 cadeiras, sete a mais que o PL sozinho. O número, no entanto, não representa apoio formal a nenhum nome e depende de acordos entre as legendas. A base governista, considerando os demais partidos, é estimada em 42 deputados.

O nome mais citado é o de André Ceciliano, que presidiu a Alerj entre 2019 e 2023. Em 2019, foi eleito com 49 votos; na reeleição, recebeu 64 dos 69 votos dados. Cauteloso, o petista disse ao Agenda do Poder que “só dá para começar a falar sobre isso depois do segundo turno” e que, “havendo um consenso, é possível sim ter uma candidatura de oposição para disputar o pleito”.

A líder do PSOL, Renata Souza, defendeu a estratégia: “Considero muito importante ter uma candidatura de oposição para a presidência da Alerj e teremos”. A deputada Dani Balbi (PCdoB) afirmou que o grupo vai “tentar construir um bloco e apresentar uma candidatura”. Já o PSD adota postura mais pragmática. “Eu defendo que a disputa da presidência da Alerj não seja o terceiro turno da eleição”, disse o deputado André Corrêa. O partido quer participação proporcional nas comissões para seus nove parlamentares.

O fiel da balança

Entre os dois blocos, a federação União Progressista, com cinco deputados do PP e quatro do União Brasil, tornou-se alvo das conversas. A relação do PP com o PL ficou estremecida na campanha, quando o deputado federal Dr. Luizinho (PP) apoiou Eduardo Paes (PSD) ao governo. Ainda assim, o deputado Gustavo Tutuca (PP) é citado como possível integrante do governo Ruas.

Também pesam na negociação as vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), cuja indicação passa pela Alerj. Há uma cadeira aberta após a condenação de Domingos Brazão pelo STF, e lideranças do PL discutem nomes para o posto.

Histórico de crise e o que está em jogo

A Alerj vive um período de instabilidade desde dezembro de 2025, quando Rodrigo Bacellar, reeleito presidente por unanimidade meses antes, foi preso na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Em 2026, Douglas Ruas foi eleito para comandar a Casa em votação boicotada pela oposição, que chegou a acionar o STF contra o resultado.

Para a população, a definição tem efeito prático: o próximo presidente terá influência direta sobre a aprovação de medidas do novo governo, como a reestruturação da segurança pública e o ajuste das contas estaduais, e sobre a capacidade de fiscalização do Legislativo sobre o Executivo. Uma Mesa alinhada ao Palácio Guanabara tende a acelerar a agenda do governador; uma presidência de oposição, ou fruto de acordo amplo, ampliaria o poder de barganha dos deputados.

A eleição da nova Mesa Diretora ocorre no início da legislatura, em fevereiro de 2027. Até lá, o desfecho depende das negociações do governador eleito com os partidos de centro e da capacidade da oposição de se unir em torno de um único nome.

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