Cavaliere fecha com Caiado e PL arma chapa pela Câmara do Rio
Prefeito Eduardo Cavaliere pede à base a reeleição de Carlo Caiado na Câmara do Rio; PL lança Rogério Amorim. Eleição da Mesa é em 15 de dezembro.
A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal do Rio de Janeiro para o biênio 2027-2028 ganhou um novo capítulo. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) reuniu vereadores da base na terça-feira (27), na residência oficial da Gávea Pequena, e deixou claro que quer o atual presidente, Carlo Caiado (PSD), reconduzido ao comando do Palácio Pedro Ernesto, segundo informou neste sábado (31) o site Tempo Real RJ. Do outro lado, o PL, partido do governador eleito Douglas Ruas, articula uma chapa própria encabeçada pelo vereador Rogério Amorim.
A votação está marcada para 15 de dezembro, de acordo com o Brasil em Folhas, e deve medir a força do grupo político de Eduardo Paes (PSD) na capital depois da derrota do ex-prefeito nas eleições de outubro. A Câmara tem 51 vereadores, e o comando da Casa define a pauta de votações, a distribuição das comissões e o ritmo de tramitação dos projetos do Executivo, como o orçamento municipal.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE:
O encontro na Gávea Pequena foi descrito como o primeiro grande gesto de Cavaliere à base desde o resultado das urnas. Pelo desenho apresentado aos aliados, o vereador Rafael Aloisio Freitas (PSD), hoje primeiro-secretário, passaria à primeira vice-presidência e assumiria a presidência caso Caiado seja indicado a uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Município (TCM).
Leia mais:
- Câmara do Rio aprova em 1ª votação orçamento de R$ 55,2 bi para 2027
- Com Lula reeleito, disputa pelo comando da Alerj muda de rumo
- PL elege 21 e amplia maior bancada da Alerj; renovação cai a 38,6%
Promessa de vaga no TCM
A ida de Caiado para o TCM é um compromisso público de Paes. Em junho de 2025, o então prefeito afirmou nas redes sociais que os aliados do governo estariam ao lado do presidente da Câmara para a próxima vaga de conselheiro, e disse que Caiado só não havia sido sua indicação em 2021 porque precisava dele no Legislativo. Segundo o Tempo Real RJ, a expectativa entre os aliados é que Cavaliere, sucessor de Paes na prefeitura, mantenha a promessa.
Caiado preside a Câmara desde 2021. Em 1º de janeiro de 2025, foi reconduzido por unanimidade, em chapa única que teve apoio de todos os partidos, inclusive PT e PSOL, para o terceiro mandato consecutivo. Um novo mandato, porém, enfrenta questionamento regimental: um vereador ouvido pelo Brasil em Folhas lembrou que o Regimento Interno autoriza apenas uma reeleição, e que o argumento dos aliados é o de que a cidade passou a ter um novo prefeito.
PL quer tirar a Casa do grupo de Paes
O principal contraponto vem do PL. Líder da bancada, Rogério Amorim afirmou ao Brasil em Folhas que o objetivo do partido é “libertar o Rio de Janeiro do grupo político do Eduardo Paes, que ainda é muito forte na capital”. O PL tem oito vereadores, contra 16 do PSD, a maior bancada, mas calcula reunir até 18 votos em torno da chapa. Para abrir a sessão é preciso maioria absoluta, de 26 parlamentares, e vence quem obtiver maioria simples dos presentes, com o mínimo de 14 votos.
A conta do PL esbarra na resistência da esquerda. “Vai ser uma luta de poder. PSD, PSOL e PT não votariam no Rogério”, disse um vereador do grupo de Paes, sem se identificar, à mesma publicação. Procurado à época, Caiado não respondeu.
Outros nomes na disputa
O tabuleiro tem ainda outros nomes. O vereador Willian Coelho (Avante), atual primeiro vice-presidente, anunciou interesse na presidência, segundo o Tempo Real RJ. Ele chegou a liderar o bloco “O Rio que queremos”, com 16 vereadores de 12 partidos e perfil de oposição a Paes, antes de se aproximar do governo. Jorge Felippe (PP), que comandou a Câmara por 12 anos e hoje é suplente, declarou apoio a Caiado. Ele pode voltar à Casa caso Leniel Borel (PP), eleito deputado federal, deixe a cadeira.
A primeira-secretaria, considerada o segundo cargo mais importante da Mesa, também está em jogo. De acordo com o Tempo Real RJ, Dr. Gilberto (Solidariedade) é o preferido de Cavaliere para a função, enquanto Marcos Dias (Podemos) também busca a vaga.
O que está em jogo para a cidade
A eleição ocorre no momento em que a Câmara analisa o orçamento de R$ 55,2 bilhões da prefeitura para 2027, já aprovado em primeira discussão. A composição da nova Mesa influenciará a relação entre o Legislativo e Cavaliere nos dois últimos anos do mandato, além do diálogo com o futuro governo estadual do PL, que assume em janeiro. Uma Câmara alinhada ao prefeito tende a facilitar a aprovação de projetos do Executivo; uma Mesa sob comando da oposição pode ampliar a fiscalização e travar pautas da prefeitura.
Até a votação de 15 de dezembro, as candidaturas ainda podem ser registradas, retiradas ou fundidas em chapas de composição. O Correio da Cidade Online acompanhará as negociações.
PolíticaCâmara do Rio aprova em 1ª votação orçamento de R$ 55,2 bi para 2027
PolíticaJuiz proíbe Índia Armelau de incentivar demissão de eleitores de Lula
PolíticaFlávio Bolsonaro deixa o país e vai aos EUA após ordem de Moraes
Política