Criminosos atacam base da PM na Gardênia Azul e queimam barricadas
Criminosos atacaram a base da PM na Gardênia Azul, incendiaram barricadas na Ayrton Senna e a polícia apreendeu um fuzil; ninguém foi preso.
Criminosos armados atacaram a base da Polícia Militar instalada na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Sudoeste do Rio, na madrugada desta segunda-feira (2). Houve troca de tiros, barricadas incendiadas em vias da comunidade e do entorno, bloqueio de pistas da Avenida Ayrton Senna e a apreensão de um fuzil. Nenhum policial ficou ferido, segundo as informações divulgadas até agora, e ninguém havia sido preso.
O que se sabe sobre o ataque
De acordo com a assessoria da Secretaria de Estado de Polícia Militar, equipes do 18º Batalhão (Jacarepaguá) foram acionadas para verificar denúncias de que homens armados atacavam a base. Os policiais foram alvo de disparos e houve confronto. Após a troca de tiros, os suspeitos fugiram em direção a uma área de mata, onde os militares encontraram um fuzil Colt e 28 munições intactas.
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Os criminosos espalharam barricadas de pneus e lixo em várias ruas e incendiaram o material em dois pontos da Avenida Ayrton Senna: perto de uma passarela da via expressa e nas proximidades da unidade da PM. Dois ônibus também foram atravessados na pista, e a Avenida Tenente-Coronel Muniz de Aragão chegou a ser fechada. Por volta das 2h40, equipes ainda apagavam o material em chamas e removiam os veículos para liberar o tráfego.
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Disparo atravessou a porta da base
Imagens gravadas por um policial dentro da base, exibidas pela RJTV, mostram que um tiro perfurou a porta de vidro da unidade, atravessou o espaço de trabalho dos agentes, atingiu um móvel e ficou cravado em uma parede interna. A PM informou que, depois do ataque, as equipes do 18º BPM que fizeram buscas na região também foram alvo de novos disparos. A corporação disse ainda ter apreendido dezenas de pneus que, segundo a polícia, seriam usados em novas barricadas.
Ainda segundo a polícia, as ações teriam sido ordenadas por Rubens Matheus Ribeiro, conhecido como “Astro”, apontado como responsável pelo controle da Gardênia Azul. A informação foi atribuída à polícia pelo site Agenda do Poder; o Correio da Cidade Online não localizou manifestação da defesa dele. A ocorrência foi encaminhada à 32ª DP (Taquara), e a PM informou que o policiamento na região foi reforçado.
Região em disputa há anos
A Gardênia Azul fica entre a Cidade de Deus e Rio das Pedras e reúne cerca de 20 mil moradores, segundo a Agenda do Poder. A área foi dominada por milicianos por aproximadamente três décadas, mas a estrutura do grupo enfraqueceu nos últimos anos. Investigações apontam que o Comando Vermelho, que vem da Cidade de Deus, usa a comunidade como ponto de apoio para tentar avançar sobre Rio das Pedras e Curicica. Desde dezembro de 2023, ao menos dez tentativas de invasão foram registradas, de acordo com o mesmo veículo.
O episódio de segunda-feira se soma a outras ocorrências recentes. Em 11 de outubro, um subtenente do Bope morreu em um tiroteio entre equipes da própria PM na comunidade, caso investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, conforme noticiou o Correio da Cidade Online. Em maio, a corporação iniciou uma ocupação na área, sem prazo para terminar, e desde então a região registrou ataques com drone e ônibus usados como barricadas.
Impacto para moradores e motoristas
A Avenida Ayrton Senna é uma das principais ligações entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Bloqueios na via de madrugada afetam quem trabalha em turnos noturnos e o início da circulação de ônibus, além de interromper o acesso de moradores à comunidade. Em episódios anteriores na região, o Centro de Operações Rio chegou a registrar interdição de faixas no mesmo corredor.
Lacunas e próximos passos
As versões divulgadas até agora têm pontos que ainda precisam de esclarecimento. As informações vêm quase integralmente da própria Polícia Militar, sem relatos de moradores, e as publicações consultadas divergem sobre o local exato em que o fuzil foi encontrado: uma cita uma área de mata, outra a Rua Melo. Também não foram informados o número de suspeitos, de policiais envolvidos e a motivação oficial do ataque. A investigação cabe à 32ª DP, que deverá analisar o armamento apreendido e as imagens feitas na base.
Não há, nas publicações consultadas, detalhes sobre como será o reforço do policiamento nem por quanto tempo ele será mantido. O Correio da Cidade Online acompanha o caso e atualizará a matéria caso a corporação ou a Polícia Civil divulguem novos dados.
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