Mercado em pânico: dólar passa de R$ 5,60 e Bolsa derrete após reeleição de Lula
Dólar dispara até R$ 5,60, Ibovespa despenca e B3 aciona circuit breaker após a reeleição de Lula. Veja o que aconteceu e como proteger seu dinheiro nos próximos meses.
O mercado financeiro brasileiro abriu a segunda-feira (26) em clima de alerta máximo. Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, confirmada no domingo (25) com cerca de 51,8% dos votos válidos contra cerca de 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL), investidores que apostavam em outro resultado correram para rever posições. O dólar disparou, a Bolsa despencou e a B3 teve de interromper os negócios.
O Ibovespa, que fechou a sexta-feira (23) em torno de 205 mil pontos, caiu 10% logo na abertura e acionou o circuit breaker, mecanismo que paralisa o pregão por 30 minutos. Foi a primeira vez que a B3 recorreu ao dispositivo desde a pandemia, em 2020. Ao longo da manhã, o índice chegou a recuar mais de 15%, em um dos piores momentos da Bolsa brasileira em anos.
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No câmbio, o cenário foi de pânico. O dólar, que encerrou a semana passada perto de R$ 4,99, chegou a ser negociado a R$ 5,60, alta superior a 12% em poucas horas. A B3 precisou ampliar duas vezes os limites de oscilação diária dos contratos de dólar para conter o movimento.
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Por que o mercado reagiu assim
Segundo analistas, a reação reflete o descompasso entre o cenário que parte do mercado tinha precificado e o resultado das urnas. Flávio Bolsonaro havia terminado o primeiro turno na frente, e os ativos brasileiros vinham de forte valorização em outubro, com o dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio e a Bolsa perto de seus maiores níveis. Com a virada, gestores venderam ações e carregaram dólar, o que pressionou os preços dos dois lados.
Também pesam o receio com as contas públicas e a pressão sobre os juros futuros. O cenário externo não ajuda: os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos estão em patamar elevado, o que tende a drenar recursos de países emergentes como o Brasil, e o petróleo segue acima de US$ 100 o barril.
O que isso muda no seu bolso
Dólar alto não é problema só de quem investe. A moeda americana encarece combustíveis, alimentos, eletrônicos, medicamentos importados, viagens e qualquer produto que dependa de insumo vindo de fora. Se o câmbio permanecer em patamar elevado, a tendência é de pressão sobre a inflação nas próximas semanas. Já a queda da Bolsa corrói a carteira de quem tem ações e fundos, inclusive na previdência privada, e juros mais altos encarecem financiamentos e crédito.
Os números mudam a cada hora, e os próximos pregões devem seguir de forte volatilidade. Ninguém sabe dizer, neste momento, se o movimento é um tombo passageiro ou o início de um período mais longo de instabilidade.
Como se proteger nos próximos meses
- Não venda no desespero. Quem liquida tudo no pior momento transforma perda de papel em prejuízo real. Decisões de longo prazo não devem ser tomadas em dia de pânico.
- Proteja a reserva de emergência. Mantenha de 6 a 12 meses de despesas em aplicações seguras e de liquidez diária, como Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária.
- Diversifique. Não concentre tudo em um único ativo, setor ou moeda. Uma parcela pequena em ativos dolarizados pode ajudar a reduzir riscos, sem exageros.
- Fuja de dívida cara. Cartão rotativo, cheque especial e empréstimos pesam muito mais em período de juros pressionados. Renegocie e quite primeiro o que for mais caro.
- Adie compras grandes e novos financiamentos, a menos que sejam realmente necessários. Pesquise preços e só antecipe o que já estava planejado.
- Corte gastos supérfluos e revise o orçamento. Um caixa organizado dá fôlego em tempos de inflação.
- Desconfie de “oportunidades imperdíveis”. Em períodos de turbulência, crescem os golpes de investimento com promessa de lucro rápido ou garantido.
- Procure um profissional certificado antes de mexer na carteira. Cada caso é diferente.
Esta reportagem tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. O Correio da Cidade Online acompanha o comportamento do mercado e atualizará a matéria com o fechamento do pregão e novas informações.
Com informações da B3 e de portais de economia. Foto de capa: Valter Campanato/Agência Brasil.



