Assessor de deputada e PM são presos por exploração sexual em Niterói
Operação NXIVM prende 8 em Niterói, SG e Maricá, entre eles assessor de Talíria Petrone (PSOL) e sargento da PM. Veja o que se sabe e o que dizem.
Uma operação da Polícia Civil prendeu oito pessoas suspeitas de integrar uma rede de exploração sexual de adolescentes que agia em Niterói e São Gonçalo. Entre os presos estão um assessor parlamentar do gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) e um sargento da Polícia Militar lotado em um batalhão de São Gonçalo. A ação, batizada de Operação NXIVM, foi deflagrada na manhã de quarta-feira (28) pela 74ª DP (Alcântara), com apoio do 4º Departamento de Polícia de Área e da Corregedoria-Geral da PM.
Segundo a Polícia Civil, o grupo produzia vídeos de violência sexual contra adolescentes e usava as imagens para chantagear e ameaçar as vítimas, que também sofriam agressões físicas e psicológicas. De acordo com os investigadores, os integrantes se autodenominavam “senhores” e tratavam as meninas como “escravas”. A polícia investiga ainda relatos de tortura.
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Os agentes foram às ruas para cumprir 10 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá. Sete pessoas foram presas na quarta; o oitavo alvo já estava detido desde o meio do ano e recebeu novo mandado. Pelo menos um mandado de prisão ainda estava pendente no fim do dia, segundo a corporação.
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Como a investigação começou
O caso veio à tona quando uma adolescente de 16 anos procurou a delegacia de Alcântara, acompanhada dos pais, para denunciar as violências que sofria. A partir do relato, a polícia prendeu Matheus Rodrigues Gonçalves, de 36 anos, então assessor do gabinete do vereador Professor Túlio (PSOL), em Niterói, sob suspeita de estupro de vulnerável. O crime teria ocorrido em Icaraí. Ele foi exonerado pelo vereador após a prisão e, segundo a polícia, é apontado como líder do grupo e responsável por aliciar outros participantes.
Na casa do suspeito, os agentes apreenderam celulares e dois notebooks. A análise do material, somada a imagens de câmeras de segurança, permitiu identificar os demais investigados ao longo dos últimos meses. Há divergência entre as versões divulgadas sobre a data exata da primeira prisão: parte dos relatos da polícia cita o fim de junho e parte cita julho.
Quem são os presos
Além de Matheus, foi preso em casa, em Icaraí, Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, assessor parlamentar lotado no gabinete de Talíria Petrone na Câmara dos Deputados. Segundo a investigação, ele teria a função de reunir os vídeos dos abusos e pedia o material com frequência ao suspeito apontado como líder. Reportagens publicadas na quarta informam que ele é professor e pesquisador e recebia cerca de R$ 13,4 mil mensais na Câmara.
Também foi preso um sargento da PM de 35 anos, lotado em batalhão de São Gonçalo. O mandado contra ele foi cumprido pela Corregedoria da corporação, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar. Os outros cinco presos têm entre 20 e 29 anos. O delegado responsável, Antônio Silvino, afirmou que há “vários crimes” sob apuração e graus diferentes de participação entre os investigados.
O que dizem os citados
Em nota, Talíria Petrone disse ter sido surpreendida pela operação, determinou a exoneração do assessor e manifestou solidariedade à vítima e à família. A deputada afirmou que não compactua com violência contra meninas e mulheres e defendeu que o caso seja investigado com transparência, rigor e independência. Nada do que foi divulgado até agora pela polícia aponta envolvimento da parlamentar nos crimes.
O gabinete do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) informou que um dos investigados trabalhou no mandato entre 2015 e 2019 e não tem vínculo com o gabinete há mais de sete anos. Segundo a nota, o PSOL encaminhou o caso à comissão de ética do partido e afastou o filiado.
A Polícia Militar afirmou que não tolera desvios de conduta e que acompanha o caso para adotar as medidas administrativas e disciplinares cabíveis. O advogado de Carlos Alberto disse que não comentaria a operação neste momento. A reportagem não localizou a defesa dos demais presos. Todos os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Repercussão política e próximos passos
O caso ganhou dimensão política por envolver dois funcionários ligados a mandatos do mesmo partido, em uma semana ainda marcada pelo pós-eleição no estado. Nas notas divulgadas, os mandatos do partido afirmam ter afastado os envolvidos assim que souberam das suspeitas. A Câmara dos Deputados e a Câmara Municipal de Niterói não haviam se manifestado oficialmente até a publicação desta reportagem.
A Polícia Civil informou que a próxima fase será aprofundar a análise das provas apreendidas, detalhar a participação de cada suspeito e identificar outras possíveis vítimas. Segundo os investigadores, há outras adolescentes que podem ter sido alvo do grupo e que ainda não foram localizadas.
Como denunciar
Casos de violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, do governo federal, que funciona 24 horas, ou pelo Disque Denúncia do Rio, no telefone (21) 2253-1177. Também é possível procurar qualquer delegacia, o Conselho Tutelar do município ou a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).
A investigação segue sob sigilo em razão da idade das vítimas. Os presos devem passar por audiência de custódia, e o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre eventuais denúncias à Justiça.
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