RJ troca 127 urnas na manhã de eleição; apuração começa às 17h
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) substituiu 127 urnas eletrônicas nas primeiras horas de votação deste domingo (4), no primeiro turno das Eleições 2026.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) substituiu 127 urnas eletrônicas nas primeiras horas de votação deste domingo (4), no primeiro turno das Eleições 2026. A capital concentrou 53 trocas, quase metade do total. Segundo o tribunal, o volume está dentro do esperado e representa cerca de 0,29% dos equipamentos em uso no estado. A votação segue até as 17h, horário em que começa a divulgação dos resultados.
Depois do Rio, os municípios com mais substituições no balanço da manhã foram São João de Meriti (8), Duque de Caxias (6), Nilópolis (5) e Niterói (5). Juntas, essas cinco cidades somaram 77 das 127 trocas. De acordo com a área de tecnologia do TRE-RJ, os problemas mais comuns são urnas que não ligam, falhas de energia e defeitos na tela, situações resolvidas com a troca por equipamentos de contingência.
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Quadro nacional e comparação com eleições anteriores
Em todo o país, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizou 421 urnas substituídas até as 10h, em um universo de cerca de 499 mil equipamentos. A Justiça Eleitoral mantém 68,9 mil urnas de contingência para essas trocas. Auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) acompanham os testes de integridade nos estados, e não houve registro de irregularidade nesses testes pela manhã.
O índice fluminense deste ano é menor que o observado em pleitos anteriores. No primeiro turno de 2014, por exemplo, o TRE-RJ precisou trocar 217 urnas apenas no período da manhã, o equivalente a 0,7% das 32.675 máquinas então em uso no estado.
12,8 milhões de eleitores e mudanças de locais de votação
O estado tem cerca de 12,857 milhões de eleitores aptos, aproximadamente 29,7 mil a mais que em 2022. Desse total, 81,06% — cerca de 10,4 milhões de pessoas — têm biometria cadastrada. Cada eleitor registra seis votos: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.
Uma das particularidades da eleição no Rio é o número de seções transferidas por razões de segurança. Segundo o TRE-RJ, 277 locais de votação foram alterados em relação a 2024, afetando cerca de 670 mil eleitores em 20 municípios, entre eles Rio, Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu. As mudanças afastaram seções de áreas sob influência de facções do tráfico e de milícias. Em Niterói, 11 locais foram alterados, com impacto sobre mais de 17 mil eleitores, principalmente no Fonseca e no Barreto, na Zona Norte da cidade.
Pela manhã, o Correio da Cidade Online já havia mostrado que o furto de cabos levou o TRE-RJ a pedir geradores para 49 escolas usadas como locais de votação, dez delas em São Gonçalo.
Esquema de segurança e prisões em flagrante
O governo do estado montou um centro de comando no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio, que reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Exército, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Correios e Abin. Segundo o governo, o monitoramento conta com mais de 50 mil câmeras, incluindo 33,9 mil do sistema integrado do 190, 15,3 mil câmeras corporais de PMs e 1.544 câmeras em viaturas. Há policiais militares em cada uma das 165 zonas eleitorais — 49 na capital e 116 no interior —, e as Forças Armadas atuam com autorização do TSE.
O TRE-RJ escalou 16 juízes para realizar, entre 3 e 7 de outubro, as audiências de custódia de pessoas presas durante a votação e a apuração. Pela legislação, eleitores não podem ser presos entre as 17h de 29 de setembro e as 17h de 6 de outubro, salvo em flagrante delito, por sentença condenatória definitiva em crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto. Boca de urna, compra de votos, transporte irregular de eleitores e propaganda proibida podem resultar em prisão em flagrante.
No balanço nacional do Ministério da Justiça até as 11h, foram registradas 214 ocorrências no país, a maioria de propaganda irregular (71) e de compra de votos ou corrupção eleitoral (46). Paraná (27), Sergipe (26) e Minas Gerais (22) lideravam os registros. Até a publicação desta reportagem, o TRE-RJ não havia divulgado um número consolidado de detidos no estado.
Relatos de observadores
Nem todos os registros do dia são técnicos. A organização Transparência Eleitoral informou que cinco de seus observadores enfrentaram problemas envolvendo servidores da Justiça Eleitoral ou funcionários contratados, em cinco estados — entre eles o Rio de Janeiro. A entidade não detalhou o que ocorreu no território fluminense. O TRE-RJ não havia se manifestado publicamente sobre o relato até o fechamento deste texto.
Como acompanhar a apuração
Com o horário de votação unificado em todo o país, os resultados de todos os cargos começam a ser divulgados às 17h (horário de Brasília). O TSE não fixa um horário para o fim da totalização, que depende da velocidade de transmissão dos boletins de urna em cada município. Os números podem ser acompanhados no site resultados.tse.jus.br e no aplicativo Resultados, gratuito para Android e iOS. Neste ano, a ferramenta Boletim na Mão, que lê o QR Code dos boletins impressos nas seções, foi incorporada ao aplicativo e-Título.
Na disputa pelo governo do estado, as pesquisas de véspera indicavam Eduardo Paes próximo do limite para vencer no primeiro turno: a Quaest apontou 51% dos votos válidos e o Datafolha, 49%, contra 43% e 40% de Douglas Ruas, respectivamente. Os votos dados a Anthony Garotinho, cujo registro segue indeferido, serão anulados sub judice. Se nenhum candidato a governador ou a presidente obtiver mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
O que vem a seguir
A tendência, com base no balanço da manhã, é de uma votação sem falhas técnicas relevantes no estado. A atenção agora se volta para o fechamento das seções às 17h, para o balanço oficial de ocorrências e prisões que a Justiça Eleitoral e as forças de segurança devem divulgar ao longo da tarde e da noite e, sobretudo, para a apuração, que definirá se o Rio terá ou não um segundo turno para o governo do estado.
