MUVI chega ao último trecho em São Gonçalo, mas segue sem data final
Obras do MUVI chegam ao trecho 6, no Jardim Catarina e em Guaxindiba. Corredor de R$ 287 mi previsto para 2026 ainda não tem data para ficar pronto.
As obras do MUVI (Mobilidade Urbana Verde Integrada), corredor viário de 18 quilômetros que corta São Gonçalo de Neves a Guaxindiba, entraram na última etapa. As frentes de trabalho agora se concentram no trecho 6, no Jardim Catarina e em Guaxindiba, com construção de meio-fio, instalação de barreiras de concreto e preparação de novas áreas de terraplanagem e pavimentação. Apesar do avanço, nem a Prefeitura nem o Governo do Estado divulgaram uma data para a conclusão total do projeto, que começou em 2022.
O MUVI é uma parceria entre a Prefeitura de São Gonçalo, responsável pelo projeto por meio da Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais (Semgipe), e o Governo do Estado, que executa as obras pela Secretaria de Estado das Cidades. O investimento informado pela prefeitura é de R$ 287 milhões, e a administração municipal classifica a intervenção como o maior projeto de mobilidade urbana já realizado na cidade.
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O traçado aproveita o antigo leito ferroviário que atravessa o município e passa por 13 bairros. Estão previstos 32 pontos de embarque e desembarque, ciclovia ao longo de todo o percurso, calçadas novas, drenagem, paisagismo e áreas de convivência. São Gonçalo tem 896.744 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, e é a segunda cidade mais populosa do estado.
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O que está sendo feito no trecho 6
No Jardim Catarina, os serviços se concentram na Rua Adelaide Lima e no entorno. Segundo reportagens do jornal O São Gonçalo e do portal Cidade de Niterói, o trecho recebe terraplanagem, troca de solo, drenagem, pavimentação, ciclovia, calçadas com piso intertravado e barreiras do tipo New Jersey, que vão separar o corredor da RJ-104. A entrada do bairro, na Avenida Bispo Dom João da Mata, perto do viaduto, está na fase final de urbanização e paisagismo.
Em Guaxindiba, ponto final do corredor, estão previstas novas frentes de terraplanagem e pavimentação. Moradores relatam melhora na circulação, mas apontam que ainda há ruas à espera de asfalto.
Trechos já entregues
No fim de setembro, foram liberados os trechos 4 e 5, que ligam a Praça Seca, na Avenida Presidente Kennedy, ao viaduto do Jardim Catarina, nos dois sentidos. Antes disso, já estavam em uso as partes concluídas em Neves, Vila Lage, Camarão, Centro, Estrela do Norte, Trindade e Alcântara. O trecho 5 incluiu a construção de uma ponte sobre o Rio Alcântara.
Para quem depende do eixo, a mudança já aparece no tempo de deslocamento. Usuários ouvidos pela imprensa local estimam economia de cerca de meia hora para atravessar a região de Alcântara, um dos principais gargalos do trânsito gonçalense. Motoristas de ônibus também citam ganho de segurança com a separação entre carros, bicicletas e pedestres.
Prazos adiados e ausência de cronograma
O cronograma, porém, ficou para trás. Em janeiro de 2025, a Secretaria de Estado das Cidades informava que metade da obra estava pronta e que a conclusão estava prevista para o primeiro trimestre de 2026, segundo reportagem do jornal Extra. Em junho deste ano, com cerca de 86% dos serviços executados, a previsão era de término “nos próximos meses”. Agora, no fim de outubro, as fontes consultadas não confirmam uma nova data, e as últimas frentes seguem sem prazo definido.
Há ainda divergência nos números de custo: a prefeitura cita R$ 287 milhões, enquanto materiais anteriores sobre o projeto mencionavam investimento superior a R$ 300 milhões. O Correio da Cidade Online não localizou detalhamento público atualizado de valores aditivados ao contrato.
Durante a execução, comerciantes instalados ao longo do traçado também relataram perdas. Em 2025, um capoteiro do bairro Parada 40 disse ao Extra que o movimento de clientes caiu a zero enquanto a frente de obras ocupava a rua em frente à oficina.
Impacto para a população
A conclusão do trecho 6 é a peça que falta para que o corredor funcione de ponta a ponta, conectando o extremo leste da cidade a Neves, na divisa com Niterói. Para moradores do Jardim Catarina e de Guaxindiba, bairros populosos do extremo leste da cidade, a obra representa acesso mais rápido ao Centro e às linhas que seguem para Niterói e para o Rio. Enquanto os serviços não terminam, interdições pontuais e desvios devem continuar na região, e a recomendação é acompanhar os avisos da prefeitura antes de circular pela RJ-104 e pelas ruas do entorno.
Próximos passos
Com os trechos centrais já em uso, a atenção se volta para o ritmo das frentes no Jardim Catarina e em Guaxindiba e para a divulgação de um cronograma oficial. A definição de uma data de entrega e a transparência sobre os custos finais serão determinantes para avaliar o resultado de uma obra que deveria ter sido concluída no início deste ano e que segue como a principal aposta de mobilidade do município.



