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Saúde

Teste de DNA-HPV do SUS acha vírus de risco em quase 10 mil exames

SUS registra 9.904 casos de HPV de alto risco em 93 mil exames em 2026. No RJ, 60,5 mil amostras já foram analisadas. Veja quem pode fazer o teste.

Unidade móvel de saúde da mulher em hospital regional de Ceilândia, no Distrito Federal
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil (imagem ilustrativa)

O teste molecular de DNA-HPV, que está substituindo o Papanicolau no rastreamento do câncer do colo do útero no SUS, identificou 9.904 resultados positivos para tipos de HPV de alto risco em cerca de 93 mil exames processados em 2026, segundo balanço do Ministério da Saúde. A taxa, de aproximadamente 10,6%, não indica diagnóstico de câncer: sinaliza que a paciente precisa de acompanhamento. No estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informa que 60.503 amostras já foram analisadas desde fevereiro.

O exame detecta o material genético do vírus antes que surjam lesões nas células do colo do útero, o que permite agir mais cedo. O Papanicolau, método usado por décadas, identifica as alterações já instaladas nas células. Na rede pública, o teste passou a ser o método primário de rastreamento nas diretrizes nacionais de 2025, e a implantação ocorre de forma gradual.

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Segundo o Ministério da Saúde, o teste está disponível em 26 das 27 unidades da federação. Desde o início da implantação, no ano passado, foram coletadas cerca de 153 mil amostras. Os kits utilizados são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), ligado à Fiocruz.

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O que os números significam

Os 9.904 casos positivos correspondem a mulheres em que foi encontrado ao menos um tipo de HPV considerado oncogênico, como os tipos 16 e 18. A maioria das infecções por HPV é eliminada pelo próprio organismo, e o vírus, em geral, não causa sintomas. O que preocupa os especialistas é a infecção que persiste, por ser a principal causa do câncer do colo do útero.

Por isso, um resultado positivo abre uma etapa seguinte, definida pelo tipo de vírus e pela avaliação da equipe de saúde. Em alguns casos, é necessário fazer colposcopia e biópsia; havendo lesão, a paciente é encaminhada para tratamento especializado. Quando o resultado é negativo, o intervalo até o próximo exame pode chegar a cinco anos, conforme idade e protocolo.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 19,3 mil casos novos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Para o estado do Rio, a estimativa para 2026 é de aproximadamente 1.710 casos, dos quais cerca de 620 na capital, de acordo com levantamento publicado pelo Diário do Rio em setembro.

Como está a oferta no estado do Rio

Segundo a SES-RJ, a rede estadual passou a usar o teste em fevereiro de 2026, e a meta é que todas as unidades de atendimento ginecológico ofereçam o método até o fim do ano. A secretaria informa que profissionais da atenção primária e da saúde da mulher foram capacitados e que kits foram distribuídos aos municípios. O público-alvo são mulheres de 25 a 64 anos.

Na Região Metropolitana, São Gonçalo informou em setembro que dez unidades municipais oferecem o exame, e a capital fluminense anunciou a oferta em 2025, com ações em comunidades como Complexo do Alemão e Rocinha. A coleta costuma ser feita em unidades básicas de saúde (UBS), e em situações previstas em protocolo a autocoleta também é permitida. Como a expansão é gradual, a orientação é consultar a UBS de referência para saber se o teste já está disponível.

Pontos de atenção e contrapontos

A SES-RJ afirma que a precisão do teste é próxima de 100%, contra cerca de 50% do Papanicolau. Os números foram divulgados sem indicar a métrica usada (sensibilidade ou especificidade) nem o estudo de origem, o que limita a comparação direta.

Especialistas ouvidos em reportagens recentes apontam que o principal desafio é a logística: coleta, transporte das amostras, prazo de devolução dos resultados e encaminhamento das pacientes com resultado positivo, sobretudo fora da capital e da Região Metropolitana. Também há a necessidade de garantir todo o caminho até o tratamento, e não só o exame.

A lei prevê prazos para casos suspeitos: exames para esclarecer o diagnóstico em até 30 dias e início do primeiro tratamento em até 60 dias após a confirmação por laudo patológico. Em caso de demora, a orientação é registrar o pedido, guardar o comprovante e recorrer às ouvidorias do SUS e das secretarias de Saúde.

Vacinação segue como prevenção principal

O teste não substitui a prevenção. A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente nas UBS, em dose única, para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, com estratégia de resgate para jovens de até 19 anos que não se vacinaram. Há esquemas específicos para imunossuprimidos de até 45 anos e para vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos. Em 2025, a cobertura vacinal foi de 87% entre as meninas e 74% entre os meninos de 9 a 14 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.

O que fazer

Mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual devem procurar a UBS mais próxima para saber se podem fazer o DNA-HPV ou manter o preventivo no esquema indicado. Este texto traz informações de fontes oficiais e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de resultado positivo, a conduta depende do tipo de vírus e deve ser definida pela equipe que acompanha a paciente.

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